21.4.06



Não pretendo dar uma de elitista. Aliás, só li 2 números deste jornal. O 1º contacto aconteceu há 15 dias porque em dia de aniversário o jornal era gratuito e eu não resisti. Como me deparei com uma reportagem fabulosa sobre as perspectivas da longevidade da vida humana, para além de outros artigos interessantes, decidi começar a comprá-lo.

Assim sendo, meus amigos, fica a sugestão: hoje 6ª feira, em vez do jornal do saco de plástico comprem o Courrier Internacional. É mais fácil de ler, mais fácil de transportar, mais amigo do ambiente (só tem +- 1/3 do papel) e ainda vos sobra dinheiro para um café.

20.4.06

Filosofia de bolso

Há uns meses constatei que às vezes quando sou eu próprio, sou um bocado impróprio.
Voltando a debruçar-me sobre o assunto, concluo que pior que ser às vezes inconveniente é ser sempre conveniente. Tipos destes ou são hipócritas ou são totalmente desprovidos de interesse.

...

É uma constatação algo triste, mas a verdade é que quando um acidente de viação causa a morte a uma figura pública ou a uma figura publicamente conhecida como o tipo dos moranguitos, isso tem um efeito superior a qualquer campanha de segurança rodoviária.
Tudo porque se consegue associar uma cara à estatística, contrariamente ao que acontece por exemplo com os outros 9 mortos da Operação Páscoa.

E porque não o bruxo de Fafe?

O director do futebol do Real Madrid, Benito Floro, sugeriu à radio Cadena Ser as contratações do médio internacional inglês Stevan Gerrard, capitão do Liverpool, e do treinador alemão do Getafe, Bernd Schuster, para relançar o clube da capital espanhola.
(tirado das notícias na hora do site www.ojogo.pt)

De há uns anos para cá, o outrora glorioso Real Madrid limita-se a ser um entreposto de fazer dinheiro, via venda de t-shirts na Ásia, e agora chega ao cúmulo de anunciar quem pensa contratar na rádio ou nos jornais, ao estilo das nossas recentes OPA's.
O que virá a seguir?
Vão angariar sócios através de promoções de desconto na gasolina?

18.4.06

Berlusconi. no seu melhor...

Este tipo foi eleito primeiro-ministro por 2 vezes, governou a Itália durante 6 ou 7 anos e mesmo agora, apesar de ter perdido, mereceu quase metade dos votos expressos...
Perante isto, até a Fátima, o Avelino e o Alberto João parecem políticos sérios.

Com a devida vénia ao RBM, que me mandou isto para o mail.

Mistérios da fé

Facto: esta 6ª feira em Olhão populares em fúria contra a decisão do padre de não realizar a tradicional procissão pascal, obrigaram a uma intervenção policial para evitar a invasão da Igreja e eventuais confrontos com o senhor cura. Em Sendim, e pelo mesmo motivo, foi roubada a chave da sacristia.

Opinião: A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) nunca se esforçou por estimular o espírito crítico e o livre pensamento entre os seus seguidores, muito pelo contrário. Ao longo da sua já mui longa história, desde as perseguições aos que sentiam a fé de uma maneira diferente da sua, às missas em latim para manter a distância e afastar o risco de dissidência, passando pelos variados dogmas, pela forma altamente ritualizada como exerce a sua acção e acabando na dificuldade de adequar o seu discurso aos problemas e às realidades do mundo actual, a ICAR sobrevive e prospera porque consegue incutir na maioria dos crentes uma habituação e um apego muito marcado aos seus diferentes ritos. Esta forma de estar tem como consequência última, na minha opinião, o esvaziar de conteúdo e significado os actos e as palavras de muitos dos católicos, produzindo aquilo a que poderíamos chamar de fé acrítica e de tipo robótico. Ou seja, um distanciamento progressivo entre aquilo que cada um professa dentro da Igreja e aquilo que faz cá fora.
Só assim é possível compreender que pessoas que vão à missa regularmente, que comungam, que se confessam, que fazem gala do uso dos seus crucifixos e questão de baptizar e educar os filhos segundo os ensinamentos da Igreja, sejam capazes de roubar e de tentar agredir o próprio padre em nome duma qualquer tradição, sem perceberem a insanável contradição que há entre estas actitudes e a religião do amor e do perdão que dizem professar.

15.4.06

Desabafos em azul e branco

1- o jogo em si não foi grande coisa e pode resumir-se rapidamente dizendo que o Leiria jogou melhor na 1ª parte; o Porto teve sorte em chegar ao intervalo a ganhar, mas controlou sem problemas a 2ª parte; o Sr. de amarelo fez aquilo que se esperava tendo em conta o seu historial e mal teve oportunidade tentou influir no desfecho do jogo expulsando o Lucho (que aliás está nitidamente em auto-gestão para o Mundial).
2- não sei se foi visível na TV ou se os comentadores chamaram a atenção para a situação, mas o pormenor verdadeiramente interessante da noite ocorreu aquando dos festejos do golo portista. Enquanto toda a equipa estava fora das 4 linhas abraçada a Adriaanse, já o Leiria e o Sr. de amarelo estavam prontos para o reinício. Segundo as leis do jogo, mal os jogadores do FCP estivessem de novo dentro de campo e independentemente do seu posicionamento, o Sr. de amarelo poderia autorizar o recomeço (tal como as vezes acontece deixarem marcar livres sem aviso...). Podem dizer que isto nunca aconteceria, que eu estou a ser paranóico, que seria algo nunca visto, mas a verdade é que houve alguém que se lembrou que isso poderia suceder. O provável reforço da selecção angolana no Mundial, aquele ex-boavisteiro com justificada fama de caceteiro e que é hoje em dia capitão do FCP, deixou-se ficar tranquilamente ao longe a bater palmas, mas ostensivamente bem dentro do meio campo do Leiria por forma a não permitir o recomeço do jogo. Só quando os restantes 9 jogadores de campo se voltaram a posicionar correctamente é que Pedro Emanuel, sem grandes pressas, ultrapassou a linha de meio campo. A atitude pode ter ido irrelevante, pode até ser interpretada só como excesso de zelo ou estar a ser sobre-valorizada por mim, mas mostra uma experiência e uma atenção ao detalhe que são pouco comuns.
3- merece também ser realçada a atitude extremamente corajosa e profissional de Adriaanse, neste seu momento mau demais para ser verdade.

P.S.- e faltam 4...

14.4.06

Homilia de um ateu

Não querendo ser ofensivo para com os mais crentes, olho para o fim-de-semana pascal de uma forma eminentemente pragmática.
Qualquer feriado que calhe a uma 6ª feira merece a minha simpatia, sendo que chamarem-lhe Santa a mim não me aquece nem arrefece. Já quanto ao Sábado, como a A. e eu chegámos à conclusão pelas frustantes experiências de anos anteriores que não valia a pena ter o estaminé aberto, é também ele e contrariamente ao habitual um dia de descanso para mim. O ser de aleluia para outros novamente não me aquece nem me arrefece ou como diriam os espanhóis (que nestas coisas das expressões estão um bocado à nossa frente) me da igual.
O Domingo pascal propriamente dito é um dia que me agrada, já que não só se junta muita da família (o que é agradável por si só mas também por acontecer poucas vezes, caso contrário poderia ser algo cansativo...) como normalmente se come cabrito e se acompanha o bicho com vinho tinto dos bons (daquelas refeições das quais se pode dizer "carne no prato e carne no copo").
Quanto à passagem do Compasso, tudo na boa e na paz do Senhor desde que não apareçam cedo demais e comam de boca fechada.
Já as famosas Amêndoas são uma tradição que faço sinceros votos para que se mantenha, quer pelo seu carácter altamente cariogénico quer pela sua grandemente subvalorizada capacidade de provocar lascas, fissuras, rachadelas e/ou fracturas nos dentes dos incautos que trincam em vez de chupar. Por aqui me fico, à laia de sugestão pascal...

12.4.06

Publicidade enganosa

Na Indonésia houve manifestações violentas contra o lançamento do 1º número da Playboy. Contrariamente aos que vêem neste acontecimento mais uma manifestação de intolerância por parte dos muçulmanos, eu não só compreendo como me solidarizo com eles.
Estavam à espera de quê? Depois de décadas de ansiedade, de angústia, enfim de uma longa e torturante espera por este símbolo máximo da cultura ocidental, os indonésios levam com uma revista em que só há tipas de bikini e em que nem sequer foram permitidas poses provocantes. Naturalmente sentiram-se descriminados e revoltaram-se. Fizeram eles bem. Nós por cá estamos sempre a dizer que um homem tem necessidades...

11.4.06

Descarga de bílis

Acabei de ver a última hora do Prós e Contras. Apesar de já conhecer algumas das opiniões do João César das Neves confesso que me sinto chocado. O conteúdo das afirmações aliado à forma petulante, mal educada e mesmo viscosa como se comportou com os outros participantes obrigou-me a voltar a ligar o computador, pela simples razão de me ter dado conta que apesar de ser um fervoroso praticante da arte do escárnio e maldizer, estranhamente nunca postei nada sobre este personagem.
Assim sendo, para recuperar a paz de espírito e poder dormir tranquilamente, serve a presente para corrigir o lapso e declarar que na minha opinião o Exmo. Professor João César das Neves é um perfeito idiota.

9.4.06

Cada cavadela cada minhoca

Li aqui que Freitas do Amaral, aquele pavão narcísico que faz de Ministro dos Negócios Estrangeiros, vai faltar pela 7ª vez em 12 meses à reunião dos MNE da UE.
Ou as reuniões da UE não servem para nada, o que já se suspeita há muito tempo...
Ou o nosso MNE não serve para nada, e devia ser despedido com justa causa como medida SIMPLEX de desburocratização e combate ao défice...
Ou as duas premissas anteriores juntas...

Desabafos em azul e branco

Breves notas sobre o clássico de ontem:
1-os jornais desportivos da capital andaram durante semanas a salivar com a perspectiva de o Sporting poder em caso de vitória passar para a frente do campeonato, caso a diferença pontual antes do jogo se mantivesse em 2 pontos. Como em várias outras ocasiões anteriores, esqueceram-se da possibilidade de o Porto, em teoria, poder praticamente arrumar a questão se ganhasse.
2-o Paulo Bento foi a maior surpresa da noite, já que em vez do habitual discurso Sportinguista versão Dias da Cunha de em caso de derrota espingardar sempre, com ou sem razão, contra a arbitragem e o "sistema", admitiu o óbvio: o Porto é, neste momento, melhor equipa.
3-já o prémio de faccioso mor terá que ir de forma meritória, por unanimidade e aclamação, para o Manuel Fernandes, cuja suposta isenção nos comentários só fica a perder para o Jorge Coroado, auto-proclamado mega especialista em arbitragem, campeão do anti-portismo e verdadeiro baluarte moral da pala nos olhos.
4-o Sporting limitou-se a tentar controlar o jogo e a esperar, de forma matreira, por um erro portista que lhe desse vantagem. Se em cada um dos jogos anteriores apareceram Pepe e Cech a fazer-lhes o jeito, ontem a concentração foi total e o melhor que o Sporting conseguiu, a jogar em casa perante 50 000 adeptos, foi uma semi-oportunidade daquele enorme jogador chamado Moutinho (como é possível pensar em levar o Hugo Viana ao mundial e deixar este miúdo de fora?)
5-o Porto, sem fazer um jogo extraordinário, ganhou porque usou melhor as mesmas armas que o Sporting tem vindo a rentabilizar: grande concentração defensiva, pragmatismo táctico, pressing e cinismo na hora de aproveitar as poucas oportunidades que surgem em jogos assim. Mesmo não gostando nada do homem, há que dar mérito ao Co Adriaanse.
6-a arbitragem foi péssima para os 2 lados. Resumidamente: a) houve amarelos mal mostrados (Lisandro, Deivid, Quaresma); b) admito que a entrada do Quaresma sobre Tonel seja para vermelho directo mas então, com o mesmo critério, a do Sá Pinto sobre o Lisandro também o era; c) os dois amarelos seguidos ao Bosingwa (que devia ter visto um na 1ª parte por falta sobre Liedson) são ridículos, sendo que no 2º não só não há falta como o Liedson parece arrancar em ligeiro fora-do-jogo;
7-é deprimente tentar, como vi fazer ontem na TVI, arranjar um penalty por suposta mão do Jorginho (só se lhe deu com um pêlo do antebraço...), e ignorar um lance bem mais duvidoso entre Caneira e o mesmo Jorginho na área do Sporting. Haja paciência...

7.4.06

Só a mim...

Presumo que o gajo que inventou o provérbio "o barato sai caro" não tenha tido em vida a devida consideração, mas para mim é sem dúvida um génio póstumo.
Na recente ida a Paris optei pela 1ª vez por viajar através da Ryanair. Na viagem de ida tudo correu bem, se descontarmos o atraso de quase 2 horas na saída. Chegámos a Beauvais, um aeródromo travestido de aeroporto a 80 km's da cidade luz e apanhámos um autocarro merdoso, travestido de transfer, até lá. Já a viagem de regresso, essa, ulálá, foi outra história completamente diferente.
Tendo sido marcada há meses, acabou por calhar em cheio no fatídico dia 4 de Abril, infelizmente escolhido pelos "enfants de la patrie" para mostrar a sua conhecida propensão para o protestantismo militante (o que em relação ao caso em apreço, não lhes tira razão). Acordámos (eu e a partner) às 5h e apanhámos 2 metros para chegar ao local de partida do transporte para o aeroporto às 6h20min. Aí chegados antes do nascer do sol, damos de cara com um tipo cuja única identificação era o kispo a dizer aeroporto e que, ao ar livre e em pleno parque de estacionamento, nos informa num inglês que com a dose extra de simpatia que por essas horas ainda tinha em stock posso classificar de macarónico que: "airport closed" e que "no flights" tudo isto devido à "strike". Perante isto, optámos por nos dirigirmos ao Aeroporto Charles de Gaulle, juntamente com duas portugas que já tinham passado todo o dia anterior a tentar também elas sair de alguma forma daquela fantástica cidade. E chegados ao Aeroporto, meus amigos, descobri alguns factos interessantes sobre o mundo das viagens aéreas, que resumidamente passo a partilhar.
Saberão vocês, porventura, qual é a diferença num bilhete de ida Paris-Porto entre aquela irritante e difusa categoria dos jovens e os outros, meros adultos? A resposta é 669. Euros. Os mesmos que separam os 131€ da taxa aplicada aos 1ºs dos 800€ cobrados aos 2ºs. Como se isto não fosse já suficientemente ridículo, viemos ainda a descobrir que caso optásssemos por comprar bilhetes de ida e volta estes ficariam por 557€, ou seja, 2 viagens custariam neste caso menos 243€ que uma só, o que vem dar razão aquele outro génio póstumo que relacionou a lógica com um conhecido tubérculo.
De mãos na cabeça e a fazer um esforço sobre-humano para não verbalizar a apreciação que por esta altura já me mereciam os grevistas em particular e La France em geral, eu e a fiel partner decidimos explorar outras hipóteses, nomeadamente fazer a viagem em TGV (obviamente também bloqueado, que os camelos quando fazem greve não brincam) e, como a esperança é a última a morrer, o eventual aluguer de um carro (pelo qual nos pretendiam cobrar cerca de 800€, o que me permitiu concluir que tal como nos aviões, se o carro for só de ida é muito mais caro...)
Perante a perspectiva de voltar para uma Paris bloqueada, sem metro e sem hotel onde ficar, juntamente com a real possibilidade de perder mais 2 dias de trabalho, decidimos num acesso de loucura e de novo riquismo bacoco estourar 1.114€ para voltar.
Assim sendo, resta-me dizer que vivam os direitos adquiridos, vivam as greves que eu nunca fiz, vivam os jovens estudantes dos liceus e os comunas dos sindicalistas que lhes mexem nos cordelinhos, viva a "racaille" que atira pedras, assalta lojas e rebenta montras, viva o CPE e o novo esclavagismo, enfim vive la France e os jovens menores de 25 anos, que podem ser tratados como cães no mercado de trabalho mas merecem taxas fantásticas se decidirem viajar de avião.

31.3.06





Amanhã estarei aqui. A pôr em prática os meus vastos conhecimentos de francês. Pfffff...ulálá.....ódidon.....ahméçaalor....

30.3.06

Como????

Norton de Matos, ex-treinador do Vitória de Setúbal, sobre Moretto e o seu jogo de pés: "É talvez o guarda-redes que melhor joga com os pés" e "É verdadeiramente um ponto forte e o que me fez ir buscá-lo ao Brasil".
Em tantos anos de futebol, de Gabriel Alves, de Jardel, de João Pinto (o do FCP) e outros que tais, nunca tinha ouvido nada tão ridículo. Pela magnitude da estupidez natural e pela coragem em demonstrá-la desta forma tão brutal , saúdo-te, ò Norton, e prometo seguir com mais atenção as tuas intervenções.

29.3.06

Fanáticos vs. desenhos animados

Abomino a neutralidade. Não suporto aquele tipo de gente que faz o pino para não ter que dar uma opinião definitiva sobre alguma coisa ou aqueles que numa simples conversa de amigos ou conhecidos esperam sempre pelas ideias dos outros antes de abrir a boca. Tento não deixar que o conhecimento parcial que possa ter de um qualquer eventual assunto me impeça de pelo menos lançar para o ar uma posta de pescada, na convicção de que quando erro não me limito a meter a pata na poça mas sim o corpo inteiro.
Fiel a esse princípio, eis que me apresto a passar sentença sobre algo que só conheço pela rama: a Cientologia. Sei que foi fundada por um iluminado qualquer há uma série de anos, sei que enriquece à custa dos pagamentos que vai sugando aos aderentes, sei que é contra a utilização de qualquer tipo de drogas e sei que o Tom Cruise é um fervoroso crente. Sei também que recentemente quer a "religião cientologia" quer o próprio Cruise foram ridicularizados por aquela fabulosa série de desenhos animados chamada "South Park", que goza com tudo o que mexe. Ora, isto por si só tem alguma piada mas não é propriamente notícia. A lavagem cerebral que a cientologia tenta promover é de tal forma que está literalmente a pedir para ser gozada, aliás tal como o minorca do Tom que anda por aí armado em apóstolo evangelizador. O que já é digno de registo é que ambos, organização e super estrela, tentaram e pelos vistos com sucesso boicotar o referido programa.
Assim sendo, e porque entre um bando de fanáticos que infelizmente se levam a sério e uma banda desenhada para a qual felizmente nada é sério demais, não é possível ficar em cima do muro do politicamente correcto, cá estou eu a fazer campanha pelo "South Park". Pela minha parte não deixarei que matem o kenny, you bastards.

25.3.06

Descarga de bílis (ii)

Ouvi ontem na rádio uma notícia tenebrosa. Os UHF, com aquele vocalista apanascado do cabelo tipo piaçaba, vão fazer uma nova tournée nacional. Mau!! Muito mau!! E logo numa altura em que eu estava a ficar tranquilo com a ideia de que o único local em que alguém deixava os tipos actuar era o Estádio da Luz.
Certamente preocupado com o arrepio que causou aos ouvintes capazes de perceber a diferença entre música e gajos a zurrar ao microfone, o locutor tratou de emendar a mão e terminou a notícia em grande estilo com esta tirada cómica: "os UHF, uma das maiores bandas nacionais de sempre".
É. Concordo. Só mesmo superados pelas Doce e empatados com o Quarteto 1111.

Descarga de bílis (i)

Num país em que anda tudo aos berros por não quererem mais de 36 anos de trabalho, porque carga de água é que logo o João Braga havia de chegar aos 40 de carreira? E era mesmo necessário levarmos com ele em horário nobre? Ainda se ele prometesse que é a última vez...

23.3.06

Ainda se não houvesse dicionários...

"Paridade"- igualdade, parecença, analogia, similitude...

Alguém é capaz de explicar porque é que a ridícula lei da quota de 1/3 tem no nome a palavra paridade?

21.3.06

A Rádio. Esse perigo.

Conduzo muitos km's por semana. km's demais.Na estrada, tal como na vida, sou normalmente um gajo pacífico. Não trago instrumentos de defesa/ataque no carro, não ando à pancada, não me enervo com facilidade e quando me acontece cruzar-me com algum dos muitos idiotas que por aí andam e me vejo compelido a insultar mentalmente a sua progenitora, rapidamente racionalizo a coisa e me arrependo, já que a senhora não tem culpa que o filho/filha seja semelhante besta a conduzir.
Mas há coisas que me tiram do sério. Há pouco tempo atrás, regressava eu a casa no final de um cansativo dia de trabalho, já com mais de 1 hora de viagem em cima, quando de repente dou conta que estava a cantarolar o refrão de uma música dos Delfins, que julgo ser a "Baía de Cascais". Ora isto não me pode voltar a acontecer jamais, sob pena de destruir irremediavelmente o amor próprio que fui construindo laboriosamente ao longo de mais de 30 anos.
Assim sendo, e ainda para mais numa altura em que as rádios vão ser (ou já são?) obrigadas a passar 50% de música portuguesa, é de exigir aos locutores que nos AVISEM bem alto, de preferência com sirenes de farol, antes de porem no ar banhadas perigosas para a saúde como qualquer música dos Delfins, dos Fingertips, dos Santos e Pecadores, do Tim (na sua fase de "queria ser astronauta mas a minha mãe não deixou"), do Luís Represas (que consegue a duvidosa proeza de ter milhares de músicas todas iguais) ou até a nova canção do João Afonso que só ouvi hoje mas que fala de citoplasma, de citosina (?) e de testosterona.

P.S.- Querem mesmo assim conseguir cumprir as quotas? Ponham Ornatos, Jorge Palma, Sérgio Godinho, Camané, Da Weasel, Clã (mas por favor dêem algum descanso ao "Problema de Expressão"), Rodrigo Leão, Marisa, Kátia Guerreiro, etc...E se a lei o permitir, ponham Caetano Veloso, e Chico Buarque e Tom Jobim e Marisa Monte e tantos outros...

17.3.06

Os franceses na merde

Continuando a fazer jus à merecida fama de dizer mal de tudo e não gostar de nada, comunico que não posso com os Franceses. La France em si ainda vá que não vá, mas os franceses esses, ulálá e ódidon, não há pachorra. Acho mesmo que contrariamente à imagem que têm de si próprios, os franceses são os americanos da Europa ou dito de forma mais clara acham que o mundo continua a girar à sua volta e comportam-se como se tivessem um direito divino a ser imprescindíveis. Além disso, parecem achar que os emigrantes só são bons para porteiros ou mulheres de limpeza.
Mas nos últimos dias alguns franceses merecem o meu apoio, especificamente todos aqueles que apresentam nos seus BI's uma idade inferior aos 26 anos. É que para azar deles, alguns governantes confortavelmente refastelados nos seus cadeirões do poder, decidiram que durante os dois primeiros anos de trabalho eles podem ser despedidos sem justa causa.

Quem me conhece ou tem lido alguns dos posts que vou escrevendo sabe bem que outra coisa que não posso ver nem pintados de azul e branco são sindicalistas, daqueles que enchem a boca com os direitos adquiridos isto, a contratação colectiva aquilo e o grande capital aqueloutro, mas neste caso vejo-me forçado a dar-lhes razão. Acho que nem vale a pena falar da quantidade de abusos a que isto pode levar, digamos apenas que seria quase voltar à idade média em que os nobres punham e dispunham dos seus escravos como se lhes aprouvesse e ai dos que arrebitassem cachimbo.

Não pode ser este o caminho. Não pode ser esta a forma encontrada por um governo europeu do século XXI para combater o desemprego, sob pena de nos dirigirmos a passos largos para uma situação de caos social.

15.3.06

Relato

São 19:52. Estou a ouvir o relato do Marítimo-Porto, coisa que já não fazia há muito tempo porque hoje em dia quase todos os jogos são televisionados. Apeteceu-me deixar 2 notas:
1-o Pepe tem tanto de talento como de estupidez natural...
2-já não há paciência para o repórter de campo, que presumo que seja nativo da ilha como é costume, e que como também é costume vê em todas as jogadas possíveis penaltis a favor do Marítimo e amarelos por mostrar aos adversários da equipa da casa...

Mais uma história de consultório

Ontem num dos consultórios em que trabalho atendi um miúdo de 6 anos. Isto por si só não constitui novidade, mas aconteceu uma coisa curiosa.
O miúdo estava a comportar-se de acordo com a idade que tem: não só abria pouco a boca como depois estava sempre a querer fechá-la, mexia as pernas e os braços, rodava a cabeça de um lado para o outro, enfim, o normal, ou dito de outra forma, sem estar a ser um estuporzinho também não dava grande ajuda. No entanto, e à medida que o tempo ia passando, o puto ia ficando mais tranquilo. A mãe dele saiu para atender o telemóvel e quando voltou o miúdo tinha os olhos fechados. Ela sentou-se no seu lugar e de repente começa-se a ouvir um ruído ritmado que, adivinharam, correspondia ao ressonar dele. A risada foi geral e 10 minutos depois quando acabou a consulta, chamei-o em voz alta, o gajo saltou da cadeira bem disposto e foi-se embora todo contente com um balão que a assistente lhe ofereceu.
Às vezes, é bom ser médico dentista.

Maus hábitos

Nos últimos tempos temos sido mediaticamente bombardeados com o "exemplo finlândes". Depois de anos a ouvir dizer que a Irlanda é que era, agora não há pato bravo com direito a microfone, espaço num jornal ou blog próprio (quak, quak...) que não venha discorrer sobre a Finlândia.
Ora eu, que de economia não percebo nada, duvido que a solução cá para o burgo se consiga nesta lógica de copy/paste, quanto mais não seja porque, e pararaseando os sucessivos governos dos últimos 20 anos, sofremos de uma dose enorme de "especificidade" que tem sido apontada como justificação para o nosso crónico atraso.
Especificamente falando, basta lembrar num raciocínio tipo lapalissiano que a principal e provavelmente inultrapassável diferença entre os 2 países é que enquanto a Finlândia tem a vantagem de ser habitada por finlandeses nós por cá temos que nos contentar com portugueses.
Deixando o orgulho patriótico de lado, convenhamos que trabalhamos menos, somos menos produtivos, mais dados à cunha e ao desenrascanço e temos uma mentalidade tão avessa à mudança como dada ao apego ao subsidiozinho.

Quando é que nos deixaremos de encantar com receitas supostamente mágicas de fortuna e sucesso rápido, nós, o país que mais joga no Euromilhões?

13.3.06

Saudades do meu Porto

Há espaços que farão sempre parte da minha pequena história de vida. Na minha cidade, o Porto, sim porque onde quer que viva a minha cidade será sempre essa, o Porto, onde nasci e cresci, onde conheci praticamente todas as pessoas que são mais importantes para a minha vida, salvo poucas e honrosas excepções, há vários locais que nunca poderei esquecer.
O infantário Luzinha na zona da Areosa com os seus setters que uma vez se soltaram criando o pânico nas educadoras e a alegria na miudagem. A escola pública nº 37 em Costa Cabral, com aquela árvore fabulosa, cuja espécie na altura não sabia e agora também não, a comandar todo o recreio e com a Professora Manuela a acabar todos os dias de aulas connosco em fila indiana à espera da réguada da praxe e em que quem tirasse a mão a tentar fugir ao castigo levava a dobrar, e com o meu avô, que tinha as mãos grandes e pêlos a sair do nariz e das orelhas e a quem nós os netos sempre chamámos Moura e nunca avô e de quem eu não me lembro muitas vezes mas quando me lembro sinto uma saudade tão grande que me apetece chorar, a ir-me buscar pela mão ao fim da manhã. A mítica Augusto Gil, onde fiz o ciclo e onde conheci os meus amigos, daqueles que são para toda a vida, e a senhora do quiosque ao lado a vender chicletes e rebuçados, e os gelados Neveiros, do grande portão verde de garagem no caminho de volta à casa no Verão, que se derretiam na boca e não nas mãos. O Vigorosa, onde para além de ténis se jogavam sonhos, com o Zé Rato que nos ensinava mas que tinha aprendido a jogar sozinho contra a parede e para além disso tocava bateria no programa da manhã da RTP, e onde sem eu nunca ter percebido porquê alguns não me tratavam pelo nome próprio como seria apropriado mas sim por ò Moura e Sá. A escola Aurélia de Sousa, o meu liceu, onde entrei ainda miúdo sempre vestido de fato de treino e sapatilhas e saí quase homem daqueles que já têm de fazer a barba e tudo. O Lima 5, o meu café, onde entrava de manhã e sem ser preciso dizer nada, o Sr.Fernando sempre bem disposto ou o Sr.Lemos com o seu bigode farfalhudo a tentar esconder o dente que lhe faltava ou o Sr.Amadeu que não me dava tanta confiança, me traziam a meia de leite directa e bem escura e torrada do costume, e onde nas tardes de estudo em que a meio, para alimentar os neurónios e sacudir a neurose, pedíamos uma francesinha e bebíamos um fininho, o que não ajudava muito o estudo mas porra uma francesinha pede um fininho e não mariquices como sangrias ou coca-colas. O Estádio das Antas, aos domingos à tarde, com o meu pai, o meu irmão, os meus primos e o meu avô que durante o jogo inteiro nos ia dando rebuçados S.Brás, daqueles que sabem bem mas fazem mal aos dentes...
Podia se calhar falar de outros, de mais lugares e de mais pessoas que nada será capaz de apagar, mesmo que agora já não existam como os gelados Neveiros do grande portão verde, ou o lima 5 que virou churrasqueira especializada em frango à guia, ou as Antas que morreram para dar lugar a outro estádio mais novo, mais bonito mas necessariamente mais pobre em histórias e sonhos. Podia falar do Cinema Batalha, cujo anúncio de reabertura me motivou a escrever este post, e onde ainda no início dos anos de adolescente vi pela primeira vez o filme Cinema Paraíso, num domingo de manhã de sessão cineclubista em que as lágrimas me corriam imparáveis pela cara abaixo. Podia falar da Ribeira, da Foz, do Parque da Cidade, de Serralves e da sensação de "quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar...", mas não teria muito mais a acrescentar ao que já disse e ao que sinto pela minha cidade, o Porto.

P.S.- ainda relativamente à reabertura do Cinema Batalha, tencionava falar sobre a inigualável D.Laura, sobre Rui Rio e sobre o milhão de contos que "arrancaram" ao Grupo Amorim aquando da polémica do plano de pormenor das Antas, mas comecei a pensar na minha cidade,o Porto, e no quanto gosto dela, e perdi a vontade de abordar coisas menos importantes.

9.3.06

Um homem bom

Hoje é dia de posse. De entronização. É o começo de um novo ciclo e para muitos de uma nova (última?) esperança. Mas obedecendo às mais elementares leis da natureza, às quais por mais que inventemos nunca conseguimos fugir, para que algo novo comece algo velho tem de acabar. Neste caso, falo como é óbvio de Jorge Sampaio e dos seus 10 anos como Presidente da República. Como não tenho pretensões de originalidade neste balanço, já por muitos feito, dos prós e contras dos anos Sampaio, direi tão somente que o tempo mostrou que as prinicipais decisões pelas quais será lembrado, primeiro aceitar e depois "despedir" Santana Lopes, estavam certas e reforçaram o papel e a importância do PR.
Apesar de ter sido um personagem algo apagado e de ter falado demais (tantos discursos para quê? e era mesmo necessário publicá-los todos em livro?) sem grandes resultados prácticos, é forçoso dizer-se que o agora ex-PR é uma pessoa séria e que a forma serena como exerceu o seu papel fez com que pairasse acima da maldicência popular que atinge os políticos em geral.
Independentemente do que fez ou não fez, Jorge Sampaio é um homem bom e esse é o principal legado e imagem que nos deixa.

Liberal?

Numa altura em que se cumpre o 1º ano do governo Sócrates, o que não falta por aí são os tradicionais balanços.
Que tem sido um governo com ímpeto reformista em diversas áreas, que reconquistou a confiança dos empresários, que tem atraído maior investimento estrangeiro, que afrontou lobbys poderosos, são alguns dos méritos apontados no lado positivo da balança.
Que o desemprego continua a subir, que as medidas tomadas são essencialmente operações de marketing, que o estilo é autoritário e confrontacional, que há uma tentativa de controlo dos principais orgãos do Estado e de domesticação da comunicação social, são alguns dos factores apontados como negativos.
O objectivo deste post não é acrescentar nada aos balanços feitos, se bem que me inclino para achar globalmente positiva a actuação governativa nestes primeiros 12 meses. Hoje estou mais virado para comentar o reverso da medalha. Falemos pois da oposição, sob pena de pouco a pouco nos esquecermos que ela existe, e mais concretamente falemos do suposto líder da oposição, o Dr. Marques Mendes.
Compreende-se que seja difícil sobressair num cenário de maioria absoluta, ainda para mais com um governo socialista a por em prática políticas que a direita normalmente invoca como suas. Só esta dificuldade pode ajudar a explicar algumas das últimas declarações de MM. Comecemos pela insólita bravata de dizer que se o seu programa for derrotado no próximo Congresso obviamente não se demite, o que me parece um claro sinal de uma lógica de puro apego ao poder. Passemos à posição anunciada de recusa política do casamento homossexual, o que não combina bem com um partido que proclama aos quatro ventos a sua ideologia liberal de quanto menos interferência do estado na sociedade melhor. Mas a proposta que na minha opinião mais se destaca é a peregrina intenção de discriminar positivamente os ex-toxicodependentes ao nível do acesso ao mercado de trabalho, criando benefícios para as entidades empregadoras. Se à primeira vista a intenção não choca, não me parece que resista minimamente a uma análise mais aprofundada. Imaginem que duas pessoas do mesmo sexo, da mesma idade, com curriculums semelhantes, estão em competição pela mesma oferta de trabalho e a decisão é favorável a um deles só porque já foi um toxicodependente. Ah, mas isso é contribuir para uma plena reintegração na sociedade dirão alguns. Pois é, porreiro, curado e reintegrado parece-me muito bem, mas que raio de mensagem é que estamos a dar ao outro candidato? Olha pá, como nunca te meteste na droga vais continuar desempregado? E já agora, em maré de discriminação positiva de alguns grupos específicos e normalmente prejudicados na sociedade, porque não favorecer os ex-reclusos? E as minorias raciais? E o sexo feminino? Podemos até pensar num cenário em que o candidato mais "beneficiado" pelo estado reúna simultaneamente as seguintes características: mulher, preta, mãe solteira, ex-toxicodependente, ex-reclusa, portadora de SIDA e tuberculose, orfã desde criança, vítima de violência doméstica, etc...
Ah, assim sim, plena reintegração e consciências politicamente correctas 100% tranquilas...Pelo caminho teremos trocado de vez a ideia do primado do mérito e do desempenho pela instituição de um regime de quotas, supostamente concebido para corrigir injustiças.

P.S.- alguém me explica como é possível que um partido que acha que um referendo sobre o aborto não é prioritário, que acha que a reforma do sistema eleitoral não é prioritária, que acha que evitar a não discriminação por motivos de preferências sexuais não é prioritário, decida de um momento para o outro que é prioritário discriminar positivamente os ex-toxicodependentes?

8.3.06

SLB

Na Antena 1 desde o início da manhã, o Benfica. Na TSF desde o início da manhã, o Benfica. Ele é a enésima repetição do provável onze inicial, ele é a ameaça de bomba que tentou sem sucesso perturbar o jantar dos campeões, ele é o Eusébio, o Shéu, o Veiga, as declarações de ontem do Koeman e até o Diamantino que, imagine-se, marcou um golo em Anfield Road há 20 anos. E tudo isto sem esquecer a cidade e os seus habitantes. Ele é os famosos Beatles, ele é a Tate Gallery, ele é os grunhos adeptos do rival Everton que vão torcer pelo Benfica...bom, o massacre pseudo informativo não tem fim. Só dá para encolher os ombros e pensar que é o que vende, sempre são mais de 6 milhões de almas.
Mas isto são só os oitavos de final!! E se o SLB passa a eliminatória? Directos dos balneários? Do avião? Do aeroporto? A noite inteira no Marquês de Pombal? A este ritmo a tomada de posse do Cavaco corre o risco de passar quase despercebida no meio do frenesim de cachecóis, bandeiras e confetis.
Bom, mas a verdade é que mesmo que possa não parecer, pelo dor de cotovelo que facilmente transparece, o presente post serve essencialmente para desejar boa sorte ao Benfica. Pelo menos a suficiente para que passem a eliminatória, mesmo que isso nos garanta doses pouco saudáveis de exposição àquele santinho de pau carunchoso chamado José Veiga.
Também acrescento, por ser verdade e me dar alguma paz de espírito, que tal como espero que este jogo lhes corra bem, faço votos de sentido contrário para os jogos do campeonato e taça de Portugal.
Saudações portistas.

3.3.06

Quero reclamar...

Depois de várias semanas à espera da chegada dos livros de reclamações devido "a ruptura de stock" (o que é no mínimo estranho tendo em conta a recente obrigatoriedade e previsível aumento da procura, mas adiante...) vou hoje afixar nos consultórios o aviso que dá conta aos clientes desta possibilidade de exercerem o seu direito de queixa/reclamação/revolta contra algo e/ou alguém que os tenha desagradado.
Antes de mais e para evitar más interpretações deixo desde já bem explícito que concordo não só com o conceito do livro em si, mas também com a obrigatoriedade de todos os estabelecimentos que prestam serviço ao público o terem de possuir, independentemente da área de trabalho. É sem dúvida importante que um cliente, no caso de se sentir mal tratado, possa protestar oficialmente e tenha pelo menos a esperança que isso acarrete alguma consequência para o prestador do serviço.
Mas a mim o contrário também me parece válido, ou seja, se o paciente x achar, por hipótese, que se o dente que eu lhe tratei continua a doer ou partiu então a culpa é necessariamente minha e toca a reclamar por escrito, eu, prestador do serviço, também quero poder deixar em acta que o paciente x é, por hipótese, um valente porco que só lava os dentes quando o rei faz anos, que acha que fio dental é um tipo de cueca, que se alimenta à base de bolos e chocolates, que falta frequentemente às consultas só aparecendo quando os "comprimidinhos" que lhe deram na farmácia já não aliviam a dor e que tendo sido instruído que devia evitar alimentos muito duros chega com ar deslavado a dizer que partiu o dente a tentar abrir uma cervejinha.
Já sei que posso fazer tudo isto no direito de resposta a uma eventual reclamação, mas isso é desde logo uma posição defensiva, tipo réu a alegar inocência, o que não me agrada.
Assim sendo, e num mundo ideal, o paciente x poderia trazer também consigo o seu próprio livro de reclamações, um conceito que me parece não só liberal como também democrático.

28.2.06

Desabafos em azul e branco

O verdadeiro adepto de futebol possui algumas características e/ou idiossincrasias que o tornam único e insubstituível. A saber:

-1 ou ponto prévio- o verdadeiro adepto não só não sabe o que são idiossincrasias, como se está a cagar para isso.
1º- o verdadeiro adepto não gosta do seu clube. Ele ama-o. Isto apesar de saber que há coisas mais importantes na vida que o futebol e o clube, se bem que esta última premissa só é verdadeira quando o jogo acaba.
2º- o verdadeiro adepto é sócio, não se contenta com a mariquice de ser simpatizante. Sabe o seu número de associado de cor e utiliza-o sempre em qualquer discussão futebolística.
3º- o verdadeiro adepto vai sempre ao jogos em casa e tem um lugar cativo no estádio, que exibe como um troféu de caça.
4º- o verdadeiro adepto não atende o telemóvel e nunca se levanta a meio do jogo, mesmo que tenha vontades corporais difíceis de controlar. Se tem de verter águas ele aguenta firme apertando as pernas como se de uma barragem se tratasse. Se o caso é de tipologia sólida ele pode eventualmente optar por aliviar a pressão largando gases, de preferência com insonorização incorporada, o que garante algum anonimato. Diga-se que foi para estas situações que alguém se lembrou de fazer um intervalo a meio do jogo.
5º- o verdadeiro adepto nunca assobia a sua equipa e jamais festeja golos da equipa adversária, lançando olhares e não raras vezes palavras de repúdio perante outros supostos (obviamente não verdadeiros) adeptos que o façam. Se está realmente irritado com jogadores, treinador ou dirigentes, o verdadeiro adepto limita-se a não aplaudir.
6º- o verdadeiro adepto não utiliza o lenço cheio de ranho como instrumento de abano/descontentamento, pelo exposto no ponto 5 e por razões óbvias de higiene e respeito pelo próximo.
7º- o verdadeiro adepto nunca diz asneiras, excepto quando elas saem com tal velocidade das cordas vocais que se lhe escapam por entre os dentes.
8º- o verdadeiro adepto nunca quer ganhar com a ajuda do árbitro, excepto se tiver mesmo de ser.
9º- o verdadeiro adepto gosta de manifestações de fair-play e nunca encara os adversários como inimigos, excepto se a sua equipa estiver a perder.
10º- o verdadeiro adepto é fanático, mas consciente ao ponto de se recusar a envolver em pancadaria por causa de um simples jogo de futebol. Acima da honra do seu clube ou da honra da mãe do seu jogador preferido, o verdadeiro adepto tem mesmo assim a frieza de espírito de colocar outro valor sagrado: a integridade dos seus dentes.


Normalmente não gosto do Carnaval. Já estou farto das imagens de brasileiras semi nuas a abanar o muito que têm para abanar em desfiles intermináveis e principalmente estou que nem posso com portuguesas com a mania que são brasileiras a tentar abanar o pouco que têm para abanar. Mas o dia 28 de Fevereiro de 2006 vai ser bom. Eis o programa de festividades:

02:45h- 22º episódio da série 1 de Perdidos.

15:00- 18.00h- 23º, 24º e 25º episódios da série 1 de Perdidos.

23:00h- exibição de Destination: lost, que presumo ser algum tipo de resumo da 1ª série.

23:45h- 1º episódio da 2ª série de Perdidos.

Posto isto resta-me dar os parabéns à tantas vezes justamente criticada RTP 1, por este brilhante exemplo de serviço público. Ainda por cima em overdose. E em reposição, para aqueles que como eu cometeram o pecado de falhar à 1ª oportunidade.

Desabafos em azul e branco

Hoje passei o dia indisposto. É que ontem comi um frango que me fez muito mal.

27.2.06

Uma no cravo. outra na ferradura

No seguimento da polémica dos cartoons (ou cartunes na brilhante adaptação à lingua camoniana) e no seguimento do debate dela decorrente acerca da liberdade de expressão e da conveniência ou não de eventuais limites a este direito, logo houve quem chamasse à liça a proibição vigente em alguns países de manifestações anti-semitas e leis anti-negação do holocausto. Como uma desgraça raramente vem só, quis o destino que fosse por esta altura conhecido o desenlace do julgamento de David Irving, historiador famoso pelas suas rebuscadas (e pelo menos para a esmagadora maioria dos europeus, a raiar a loucura) teorias de negação do holocausto. Um tribunal austríaco condenou-o recentemente a 3 anos de prisão.
Confesso que já tencionava abordar este tema, pela contradição óbvia que encerra numa altura em que por toda a Europa inúmeras vozes se levantam a glorificar a liberdade de expressão como expoente máximo da diferença e superioridade do Ocidente, mas acabo de ler aqui um texto que diz aquilo que eu também sinto e de uma forma que eu não seria capaz:

«It is hard to see what the Austrian court's sentence can add to that. Keeping Mr Irving in jail at most may stop him going to a conference that Mr Ahmadinejad is convening to ?rewrite and revise? the history of the holocaust. But against that small plus are two big minuses. One is that the sentence makes Mr Irving look a martyr. The other is that it makes the West look hypocritical: all too willing to bruise Muslim feelings, while protecting Jewish ones by law.Laws against holocaust denial (which 14 countries have) were never a good idea. The best defence against neo-Nazis is reason and ridicule, not the criminal law. But at a time when the western world is battling to defend free speech against religious zealotry, they look particularly indefensible. It is punishment enough for Mr Irving that he has lost his professional credibility. He should not lose his liberty too.»
(The Economist, 23 Fevereiro de 2006)

26.2.06



6ª feira à noite. Liga-se a televisão e como sempre nada de jeito. Novelas brasileiras de um lado, novelas portuguesas de outro, isto sem esquecer o mais idiota dos concursos que tenho visto nos últimos anos. Sobra a RTP 2. Chamem-me elitista à vontade mas é o único canal suportável entre as 21h e as 24h. Estava a dar um documentário sobre o senhor da foto, Júlio Pomar, que comecei a ver de lado, digamos assim como que em diagonal, mas que rapidamente me cativou a atenção. Superiormente realizado por um tal de António José de Almeida (que nem sequer vou fingir saber quem é...) mostra o trajecto do pintor por ordem mais ou menos cronológica e divide-se em testemunhos do próprio Pomar e de personalidades tão diversas como interessantes: Lobo Antunes, Siza Vieira, Mário Soares (acerca do fabuloso retrato dito informal exposto em Belém), para além de vários críticos de arte que eu naturalmente não poderia conhecer por manifesta ignorância acerca da área. O discurso directo dos intervenientes (fantástico o pormenor de não se ouvir uma vez sequer a voz do realizador) vai sendo enriquecido com imagens dos quadros de Pomar. Com 60 anos de carreira, o que é uma lição para todos aqueles que só pensam em se reformar o mais rápido possível, atravessou diversas fases desde pintura livre e gestual a colagens, de temas eróticos a retratos e ilustrações de obras literárias, até ao campo da escultura.

Ficou-me na memória uma situação contada por António Lobo Antunes, que falando acerca da longevidade e vontade de trabalhar de Júlio Pomar, contou que um dia uma sua empregada se virou para ele e lhe perguntou "porque é que o Sr.Pomar, já com os filhos criados, trabalha tanto?". O documentário dá a resposta nas palavras do próprio: "faço o que me apetece".Num país que dá constantemente valor ao acessório e aos famosos instantâneos do boato fácil e das revistas cor-de-rosa, é bom descobrir gente assim.

23.2.06

!!!!

Numa atitude que prova que até um cego pode voltar a ver, um paralítico voltar a andar, um mudo falar, um surdo ouvir e um porco andar de bicicleta, Scolari chamou Ricardo Quaresma para o particular da selecção com a Arábia Saudita.




Lionel Messi.
Lembro-me de o ver jogar ao vivo na inauguração do Estádio do Dragão. Entrou só uns minutinhos na 2ª parte, e mesmo com aquele relvado versão batatal deu para perceber que o miúdo, e atenção que não lhe chamo miúdo para armar aos cágados mas porque o tipo tinha então 16 (!!!) anos, poderia vir a justificar aquilo que dele diziam desde os seus 10 ou 11 anos: aqui estava o novo Maradona.
Àparte os dotes teatrais que também mostrou ontem contra o Chelsea, é forçoso dizer mesmo só tendo visto o resumo, que Messi é de facto genial.
E por mais que custe a Mourinho, qualquer adepto de bom futebol com um par de olhos na testa e um mínimo de vergonha na cara dirá que são equipas como este Barcelona e jogadores como Ronaldinho, Deco (ai que saudades...), Etoo e Messi, que fazem da arte do pontapé na bola o maior espectáculo do mundo.
Digo eu, que até torço pelo Chelsea.

E achava eu que já tinha ouvido de tudo...

Hoje li noutro blog que Timothy Garton Ash, que podemos ler com alguma frequência no Público a discorrer sobre política internacional e nomeadamente sobre o Médio Oriente, terá dito à SIC Notícias que José Manuel Barroso é o "grande estadista do momento na Europa".
Perante esta afirmação vinda de um analista experiente e ainda para mais credível, só há duas conclusões possíveis:
- ou o gajo se enganou, o que a mim me parece óbvio, e pronto ok tudo porreiro ficamos só com aquele orgulho tipicamente tuga de falarem bem dos nossos lá fora,
- ou o gajo tem razão, e nesse caso meus amigos, temo que a crise que a Europa vive seja bem pior do que seria imaginável.
P.S.- sem querer elevá-los ao estatuto de grandes estadistas, o que claramente não são, será que um Tony Blair ou uma Angela Merkel não têm mais conteúdo, mais visão, enfim mais quase tudo que o nosso Durão?

21.2.06

Notícia de última hora

*****- avisa-se os mais incautos do conteúdo herético daquilo que se segue.
O amsa dixit está em condições de garantir através de um telex recebido via Agência Noticiosa Belzebú que há mudanças em Fátima. De facto, e depois daquela poderosa manifestação popular com milhares de pessoas a agitar o famoso lençinho branco à passagem quer do caixão da Irmã Lúcia quer da imagem de Nossa Senhora, o Presidente da SAD do Fátima Santuário Clube não teve alternativa e para aplacar a ira dos outrora crentes adeptos viu-se forçado a cancelar a recente transferência de Lúcia, cujos restos mortais já terão sido devolvidos via encomenda expresso para o seu anterior clube das Carmelitas, e a despedir litigiosamente a imagem de nossa Senhora apesar dos bons resultados a que ela levou o emblema do Santuário nos últimos anos, nomeadamente a nível do aumento de receitas na caixa de esmolas.
Chegou também ao nosso conhecimento através do espírito santo de orelha que já terá sido contactada para ocupar o lugar de mister do Fátima, a Nossa Senhora de Jacarandá de Itapaiguaçú do Rio Grande do Nordeste do Sul, famosa por ter levado recentemente de vencida o rival IURD FC na final do último inter estadual religioso.À saída das instalações do clube que ajudou a construir, a imagem de Nossa Senhora de Fátima disse aos repórteres do amsa dixit que apesar deste calvário presente a vida continua e que está naturalmente disponível para aceitar convites que possam surgir. Circulam já à boca pequena rumores do possível interesse do Lourdes Club de Futbol e do Santíssimo de Roma. Declarou ainda não estar nada surpreendida com estes recentes desenvolvimentos porque a Irmã Lúcia, que como todos sabemos tinha olho para estas coisas, já tinha visto nas cartas que isto iria acontecer.

17.2.06

Chover no molhado

Domingo de manhã, em todas as televisões do país, a Irmã Lúcia ou melhor dizendo o seu caixão. Mesmo cometendo o pecado de ser relapso e contumaz e porque a carne é de facto fraca não resisto a voltar ao tema. Ouço que perto de 250 mil pessoas estarão em Fátima para assistir em directo a este momento. Já imagino a poderosa imagem televisiva que 250 mil mãos a abanar o seu lençinho branco à passagem do cortejo transladatório (?) nos irão proporcionar. Já imagino até a possibilidade de rever aquele desaparecido, aquele ícone de todos os portugueses bem formados o artista anteriormente conhecido como Paulinho das feiras a reaparecer com o seu ar tão compungido quanto humanamente possível e talvez de lágrima não caída mas adivinhada ao canto do olho. Já se posicionam as barraquinhas para venda de medalhas e imagens comemorativas do evento, talvez até t-shirts a dizer eu estive lá.
Já passou 1 ano. Já foi chorada, lembrada e enterrada uma vez. Ninguém morre duas vezes. Se a irmã Lúcia escolheu, honra lhe seja feita, viver sempre de forma recatada, será necessário este exagero/histerismo mediático? Quanto dinheiro não ganhará com isto o santo Santuário? Mistérios da fé...

O melhor conselho

É verdade que há momentos na vida em que nos falta algo, mas se há coisa sempre presente e normalmente em abundância é gente pronta a dar conselhos.
Começando logo na altura em que cambaleantes nos atrevemos a tentar os primeiros passos e cuidado não caias cuidado olha o degrau, passando pelas primeiras refeições do come a sopa para ficares com os olhos bonitos e pela escola com o estuda se queres ser alguém na vida, a realidade nua e crua é que passamos a vida a ser bombardeados com conselhos. O percurso em si é fácil, a dificuldade é decidir quais os que devemos seguir.
À medida que os anos avançam e nós naturalmente crescemos os conselhos naturalmente crescem connosco e tal como as pessoas que os dão são de todas as formas e feitios. Olha para a esquerda e para a direita antes de atravessares de preferência nas passadeiras evita as más companhias não fumes não bebas não conduzas se beberes usa sempre preservativo. Faz como te digo se fosse a ti tu é que sabes mas olha que eu... tanto podem representar genuína preocupação com o nosso estar bem como simplesmente um lavar de mãos um bom agora se fizeres asneira a culpa é só tua que eu já disse o que tinha a dizer.
Para mim, que agora só recebo conselhos olha que o bébé isto olha que o bébé aquilo, o melhor que já recebi foi me dado acabado de cumprir 18 invernos só para não dizer sempre primaveras por um tipo cujo nome já não recordo mas que exercia aquela função essencial na vida de qualquer aspirante a adulto, a nobre se bem que muitas vezes pouco valorizada posição de instrutor de condução. Disse-me ele que só parava de falar para respirar Sr. André sim porque apesar de ele ter mais de 60 anos e eu só 18 sempre me chamou Sr.André mas dizia eu ou melhor dizia ele Sr.André e prometo que é desta vez que conto o que ele dizia o Sr. nunca se esqueça disto que lhe vou dizer, o maior perigo na estrada e na condução não são os velhos nem as mulheres, o maior perigo são os condutores de chapéu ou de boina, opinião que 12 anos e muitos milhares de quilómetros depois eu partilho subscrevo e transmito agradecido.

16.2.06



"os agressores somos nós..." ou como o pior cego é aquele que não quer ver.

15.2.06





Para ti. Em amarelo e em laranja, para jogar com o teu cabelo roxo.
Todos os dias do ano.

Bem escolhido

Ontem, dia 14 de Fevereiro, foi dia dos Namorados.
Ontem, dia 14 de Fevereiro, foi dia Europeu da Disfunção Eréctil.
???Quem terá sido o visionário responsável por esta estranha coincidência?

????

Transcrição textual e integral das 2 mensagens que recebi no dia 14 de Fevereiro, dia dos namorados.
mensagem 1- recebida às 11:50
"Amo-te! Sera esta a palavra + dita no dia14.Envia esta sms a 14 pesoas s n enviars ninguém t dira. Kem t devolver n s emportav k lh diseses: "Amo-te"!
mensagem 2- recebida às 11:53
"Dscp engameime no numero. peço dscp pelo enkomodo

12.2.06

O país real


Há poucos dias o futuro ex-Presidente da República Jorge Sampaio fez a sua última tournée ou presidência aberta, como se convencionou chamar àquelas passeatas. Não vou entrar na discussão que ouvi em alguns programas radiofónicos sobre a utilidade ou não das ditas, mas à laia de resumo posso adiantar que o único exemplo de utilidade prática que os participantes foram capazes de apontar ad nauseum em 10 anos de vá para fora cá dentro do PR, foi o caso das duas miúdas transmontanas que iam abandonar a escola por falta de transporte e agora, aleluia milagre digno da virgem, ei-las a cursar o ensino superior, que aliás de superior só tem o nome mas isso serão contas de outro rosário.
Aquilo que verdadeiramente me espicaçou a verve, tantas vezes fácil e inconsequente, foram as referências àquela difusa entidade, o "país real".
Sim, porque não há político que se preze que tendo oportunidade de se apanhar na rua, ao ar livre, na inauguração de mais uma rotunda, fontanário ou estatueta de ídolo local, não apregoe aos 4 ventos e preferencialmente aos microfones que lhe puserem à frente, o seu amor ao país real, normalmente acompanhado por um estudado desdém aos corredores e gabinetes de "lisboa".
Ah, eles amam o contacto com o p-o-v-o, distribuem bacalhaus pelos homens e beijos repenicados e sonoros nas bochechas rosadas das velhinhas que se lhes penduram nos pescoços, sem esquecer as crianças que invariavelmente aparecem à mão de semear para a foto da praxe no colo do sempre sorridente político. Eles são como nós, de carne e de osso feitos, e esperam que esta evidência lhes garanta mais um voto, já que grão a grão...
Bom, mas voltando à vaca fria (?) o que eu tencionava mesmo era discorrer sobre o "país real" e assim sendo cá vai um exercício que é uma óbvia generalização com todos os defeitos daí decorrentes e que aviso desde já será constituído por partes iguais de pragmatismo, pedantismo, snobismo e talvez outros ismos que agora não me ocorrem.
Definir o país real? O país real gosta de se deitar tarde, de se levantar ainda mais tarde e depois gosta de ir para os cafés discutir porque é que o País não vai p'rá frente (palmilha dentada dixit). O país real vive à procura de um emprego mas recusa um trabalho. Adora criticar os funcionários públicos "essa cambada de privilegiados" mas está sempre em busca da cunha que lhe permita tornar-se um deles. O país real conduz mal, não paga impostos e reclama subsídios. Está sempre pronto a sacar do coldre da inveja o dedo acusador. Bloqueia estradas, fecha escolas a cadeado, boicota eleições. Vai para a porta dos tribunais para insultar os réus, trepando uns em cima dos outros para conseguir uma mísera espreitadela dos "assassinos, ladrões, filhos desta e daquela". Diz mal dos políticos que vê na TV mas defende, até a porrada se preciso for, os caciques locais "que roubam mas têm obra feita". O país real tira moncos do nariz quando está parado nos semáforos e não lava as mãos depois de ir à casa de banho. O país real não escova os dentes excepto se for dia de ir "ao doutor dentista" e acha que fio dental é só uma cueca sexy. O país real usa palito, toma antibióticos para tratar uma constipação e tem sempre "um vizinho" ou "um amigo" que tem sempre opinião sobre tudo e no qual confia cegamente. O país real vê o Goucha e a Fátima de manhã, os moranguitos ao fim da tarde, e as sacrossantas novelas à noite. O país real vai de dia a Fátima rezar Pai Nossos, e à noite recita qual ovelhinha a oração da bunda do "fiel ou infiel".
O país real ouve tony carreira e os d'zrt e só tem em casa os livros que saíram de graça no jornal de domingo. O país real não tem dinheiro para mandar cantar um cego (?) mas aposta balúrdios no euromilhões. O país real dá traques nos autocarros lotados e espera sempre que seja o gajo do lado a levantar-se para dar o lugar à velhinha que acabou de entrar. O país real passa o tempo a dizer mal do país real.

O país real...sou eu, somos todos nós. Uns mais outros menos, mas todos. E não me venham com a cantiga de que gosto de dizer mal de Portugal, porque o país real é cá dentro, é lá fora, é em todo o lado.
E sim, sem dúvida que o país real também tem coisas boas, mas a mim estão-me sempre a dizer "os teus posts são grandes demais", por isso essa parte do país real fica a vosso cargo. Ou não.

11.2.06

Demência? Sem dúvida...

O parlamento madeirense aprovou, através do voto da maioria absoluta do PSD, um requerimento no sentido de proceder "à avaliação das faculdades mentais" de um deputado do PS que denunciou publicamente a existência de um clima de corrupção e compadrio, responsabilizando os homens que estão à frente dos destinos da ilha há mais de 30 anos.
O chefe da bancada social-democrata, Jaime Ramos, um dos delfins de Alberto João, defendeu este requerimento dizendo que "quando há demência mental, tem de ser tratada".
Compreendo que graças à enorme lista de dislates e boçalidades de AJ Jardim e restante séquito, tudo o que politicamente falando vem da Madeira já não surpreende. Já todos vimos este filme vezes sem conta: líderes partidários assobiam para o lado, comentadores evitam gastar cartuchos e tempo de antena sempre a martelar na mesma tecla, até Presidentes da República encolhem os ombros e não comentam. Mas tem que haver limites. Não podemos pura e simplesmente ter chegado a um tal estado de indiferença e inércia que deixemos passar o que quer que seja, escudados no argumento de que não vale a pena lutar contra tais bovinidades.
Seria bom que não só a imprensa em geral, mas também Marques Mendes, Sócrates, Cavaco e principalmente Sampaio (em vez de se entreter a visitar os concelhos que lhe faltavam para dizer que esteve em todo o lado e a distribuir comendas a torto e a direito) se preocupassem com este ataque por delito de opinião, digno de um qualquer regime fascizóide.
Ou será que agora só nos preocupamos com a liberdade de expressão dos cartoonistas dinamarqueses?

10.2.06

E agora algo completamente diferente

Pfffff...depois de escrever dois posts seguidos sobre o Scolari sentia que precisava de algo que exorcizasse a sua imagem da minha cabeça.Tentei rezas e esconjuros, tentei crucifixos e alhos (como o mítico Oliveirinha...), mas nada parecia resultar.
Até que encontrei as imagens que se seguem, que tomo a liberdade de compartilhar convosco para que a catarse seja colectiva.









com a devida vénia ao local de onde as roubei.

7.2.06

Este gajo é mesmo um senhor...


Não tencionava voltar tão cedo ao lugar do crime, ou melhor dizendo, ao mesmo tema. Sim, é verdade, vou falar novamente daquele curioso personagem (não, não é o Jeremias, o fora-da-lei) mas sim o gigantone mal articulado que dá pelo nome de Scolari.
Porra, ouço-vos murmurar entre dentes, outra vez!! Mas este gajo não falará de mais nada?
Antes de mais, e à laia de pífia justificação, digo em minha defesa que só ontem tomei conhecimento dos factos sobre os quais doravante vou discorrer, nomeadamente a entrevista que o dito deu a uma rádio, ou usando aquele dialecto que o gajo usou e que há quem jure que era Inglês, a intreviú.
Vou retroceder no tempo até ao ano da graça de 2004, e eis que aterro no exacto momento em que numa conferência de imprensa, e perante uma plateia que por definição devia ser de jornalistas mas que na altura se comportou como adeptos (até palmas e vivas se ouviram...), o Felipão pôs um anel no dedo simbolizando o casamento entre o próprio e a Federação por mais 2 anos, até ao mundial.
No entanto, o facto de ser casado não impediu o seleccionador de ter uma atitude que só se pode classificar como adúltera, levantando a saia e fazendo de forma descarada olhinhos a outro parceiro/patrão. A reacção da parte encornada, aquele invertebrado bexigoso chamado Madaíl, foi tipicamente mansa, limitando-se a chamar a atenção à esposa de que deve ser fiel...isto em vez de se comportar como um macho, e depois de a insultar com todos os nomes de prostituta prá baixo e o marcar com a flor de lis, lhe dar um pontapé nas partes traseiras que para mais são abundantes à custa de tanta farofa e arroz com feijão.
Eu cá, que gosto tanto dele como de pimenta no cú, digo-lhe daqui, no dialecto dele e silabado para que se perceba:
gude baí ande donte lete da dore ite iú one dauei oute.

5.2.06

Jogo psicológico?


Só há um seleccionador de futebol no mundo inteiro que é capaz de dizer, sem se rir, que "Portugal não é mais forte que Angola".
Por incrível que pareça à primeira vista, esse seleccionador é o nosso. Aquele sargentão brasileiro que achou desde início, mesmo antes das polémicas todas, que os 300 km que separam Lisboa do Porto justificavam não pensar sequer em ver um único jogo do FCP ao vivo, mas a quem os milhares de km até ao Egipto não impediram (e bem) de ir ver jogar Angola.
Sim, sim, já sei que a frase é provavelmente uma tentativa de evitar desconcentrações e aquela atitude do "já está ganho" tão típica do tuga (com os resultados que se viram no último mundial), mas não haverá outra forma de motivar os jogadores? É que assim é descaramento a mais...

4.2.06

Liberdades, direitos e deveres


Como uma verdadeira Maria vai com as outras, não podia deixar de abordar a polémica da moda, sem sombra de dúvida, os cartoons representando o profeta Maomé, que escancararam a caixa de Pandora que é a eterna discussão da liberdade de expressão e se ela se compadece com a existência de limites.Como o tema é melindroso optei por alterar o modus operandi que às vezes sigo e desta vez decidi informar-me/ler o mais possível sobre o assunto antes de emitir uma opinião.
Concordo com o conceito de que a liberdade de expressão é um valor fundamental e que é precisamente nos momentos em que alguém emite uma opinião ou tem uma atitude que levanta grande polémica ou é até criticada pela "maioria", que se torna mais importante a defesa deste direito e desta conquista civilizacional.No entanto, e como em tudo na vida, lado a lado com a possibilidade de exercer um direito vive o conceito de dever e de responsabilidade.
No tema em apreço, há factores que me parece essencial considerar. O jornal dinamarquês que originalmente publicou os cartoons acompanhou-os de um editorial em que se dizia que os muçulmanos se tinham que habituar a que numa sociedade laica, livre expressão implica conviver com tudo, até com acções que podem "desafiar, blasfemar e humilhar o islão".Os cartoons fariam assim parte de uma campanha aparentemente destinada a educar os muçulmanos, ensinando-os a viver numa sociedade plural e a respeitar o direito à opinião, por mais errada ou ofensiva que ela possa parecer.Como a religião muçulmana, ou pelo menos a maioria dos seus líderes e praticantes, nunca demonstrou a mínima capacidade de encaixe perante actos que considerem contrários ou ofensivos aos seus preceitos (aliás tal como o judaísmo...) ninguém pode invocar surpresa pela dimensão e magnitude das reacções. No contexto actual, em que vivemos praticamente num clima de choque de civilizações/religiões, acho a publicação dos cartoons um acto irresponsável e contra-producente. Legítimo, sim, mas ainda assim revelador de evidente falta de bom senso, agravada por não ser facilmente perceptível aquilo que se pretenderia atingir. Escusado será dizer que as ameaças prontamente levantadas pela "rua" muçulmana são, aos olhos de um ocidental, inaceitáveis e não devem passar sem condenação.
Se qualquer um dos governos dos países em que um ou mais jornais publicaram os cartoons, vier a pedir desculpa por um acto em que não teve nem responsabilidade nem direito de inerência, estará a criar um precedente muito perigoso.