17.5.06
Cortar o cabelo
Durante grande parte da minha vida cortei o cabelo no Salão Luso, uma barbearia só para machos que ficava lá perto de casa. Desde cedo me comecei a habituar a ir sozinho. Chegava, alapava o cú no sofá, escolhia o desportivo que estivesse disponível e mal abria uma vaga em qualquer um dos 3 tipos que lá trabalhavam lá ia eu. Quando me perguntavam e então jovem como vamos cortar? eu, pequenino e ladino, respondia sempre da mesma maneira: curto mas não demasiado. Durante os anos da adolescência e do acne juvenil tive vontade de rapar o cabelo como os tropas que ia vendo em esporádicas viagens de comboio ou enquanto andavam à cata das melhores prostitutas nas esquinas da zona, mas quando me sentava e abria a boca para dizer ao que ia saia-me o mesmo curto mas não demasiado de sempre. Já depois de sair da faculdade, homenzinho feito, casado de papel passado e tudo, quis o destino (e a minha mulher) que nos instalássemos noutra cidade, o que inevitavelmente contribuiu para me livrar do hábito/vício que era o Salão Luso. Assim sendo, numa atitude que teve tanto de coragem como de estupidez natural, pedi emprestado ao P. a sua máquina de cortar o cabelo. Confesso que ainda tive vontade de me auto-tosquiar, assinalando devidamente o meu capilar Grito do Ipiranga, mas acabei por ter juízo e pedi à A. que fizesse as honras. Aqui chegados, diga-se eufemisticamente falando que a coisa não correu bem. Inexperientes na difícil arte do manejo da dita roçadoura, nem eu nem a A. nos apercebemos que o corte estava a ser efectuado com a maquineta ao contrário, ou seja, sem as protecções e sem respeitar o tamanho desejado. O facto de imediatamente após o 1º contacto da máquina com o meu cabelo, a A. ter soltado um ai o que é que eu fiz? não augurava nada de bom e de facto, apenas 20 minutos depois e já com a entrada em cena da C., chamada qual 112 para tentar remediar o irremediável, eu tinha à minha frente no espelho da casa de banho um gajo com umas orelhas tipo dumbo e com uma semelhança gritante entre o tamanho da barba e do cabelo. Enfim, um ovo, um melão, um verdadeiro pêssego careca.
A verdade é que me habituei rapidamente ao novo estilo. Nunca estava despenteado, deixei de gastar dinheiro em champô e não havia caspa, piolho ou lêndea que me chegasse. Até que em Fevereiro do ano da graça de 2006 cedi finalmente a pressões de todos os quadrantes para que deixasse de me tosquiar e recorri pela primeira vez em 30 invernos (porque carga de água é que se há de dizer sempre primaveras?) a um cabeleireiro. Unisexo sim, mas cabeleireiro ainda assim. Engolindo em seco e ignorando aquela irritante vozinha, que todos os machos embebidos num espírito testosterónico ouvem, e que me dizia olha que isto é coisa de gajas ou de metrosexuais com dúvidas, olha que por este andar ainda acabas a cagar de esguelha…, lá fui cabisbaixo e de mãos nos bolsos.
(continua…)
Uma boa notícia
15.5.06
Ontem comi dobrada. Mas o fim-de-semana também teve partes indigestas.
Ponto 2- a não ida do Quaresma ao Mundial, a confirmar-se, é uma vergonha. Num ano em que foi o melhor jogador português do campeonato e em que surpreendeu ao tornar-se um verdadeiro jogador de equipa, só 3 ordens de razões podem justificar esta apesar de tudo previsível decisão de Scolari: 1- não vai porque é do Porto e já se percebeu que Scolari precisa/prefere viver em guerrilha; 2- não vai porque não interessa à Nike e a alguns empresários; 3- não vai porque nunca fez parte do "plantel" de Scolari e ele não quer introduzir alterações de última hora.
Eu, amsa, que nunca gostei do homem, aposto em parte na 1ª mas essencialmente na 3ª razão. Scolari escolheu desde cedo alguns jogadores, formou um grupo de fiéis e daí não sai. O que importa que Quim, Maniche e Hugo Viana praticamente não tenham jogado nos últimos meses? Que Figo e Simão estejam em má forma? Que Costinha nem sequer tenha clube desde Janeiro? Que Boa Morte nunca tenha feito um jogo de jeito pela selecção? Como acima de tudo quero que Portugal ganhe, espero que não importe nada, ou por outras palavras, espero que tal como em relação a Adriaanse seja eu a estar totalmente enganado.
P.S. - a inclusão de Ricardo Costa na lista, a confirmar-se, é quase ridícula e tresanda a justificação pífia do estilo estão a ver como eu até convoquei um jogador do FCP? Teria muito mais lógica ir buscar Pedro Emanuel (pela experiência e com a vantagem de ser também do FCP) ou Tonel pela boa temporada que fez.
12.5.06
Tugas no Hospital
Um outro senhor diz que lhe fizeram um "clister ao papo".
Uma senhora está deitada numa maca à espera que lhe seja feito um exame radiológico interno que involve a introdução dum cone, emissor de rx, pela vagina. O médico conversa com ela para lhe explicar o procedimento e diz-lhe para não se preocupar que vai colocar um preservativo. Ela interrompe-o prontamente: "ò dr. esteja à vontade que eu já fiz laqueação de trompas".
Como dizia outro dia o Folha Seca (que me contou as duas primeiras situações), só entendemos as coisas à luz do que conhecemos.
10.5.06
A Francesinha- uma declaração de amor
Qualquer pessoa que visite a Invicta, a minha cidade, a minha terra, as minhas gentes, não deve deixar de visitar Serralves, não pode perder a Casa da Música, a Foz e as suas esplanadas, a Ribeira e o Parque da Cidade, entre outras atracções mais ou menos turísticas.
Mas também não a pode abandonar sem experimentar os seus pratos mais típicos: as tripas à moda do Porto e a fabulosa francesinha, a nadar em molho e obrigatoriamente acompanhada por um ou mais finos bem gelados, de preferência sem camarões, ovos estrelados e outras merdas tais. Com o meu humilde saber de tripeiro comedor de francesinhas, deixo à vossa consideração aqueles que para mim são os 2 melhores locais para degustar a dita: o Capa Negra (na zona da Galiza) e o Bufete Fase (em Santa Catarina, com o seu balcão mínino e as suas 4 mesinhas).
8.5.06
Os novos guerrilheiros
Um caso típico de boa adaptação ao progresso e à globalização...
Resta-me esclarecer que não tenho nenhum tipo de simpatia pelas FARC e suas acções e que desconheço o contexto político-social vivido na Colômbia.
P.S.- Este post foi totalmente baseado numa notícia do Courrier Internacional.
Mais uma sugestão
Fica a sugestão, não o façam. Não há pretexto ou circunstâncias que o justifiquem. Nem os efeitos especiais nem sequer a Naomi Watts valem a banhada.
6.5.06
A paranóia continua
Hoje vi na RTP o Dr. Rio a denunciar um campanha orquestrada contra a sua pessoa e levada diariamente a cabo pelo JN. A notícia em questão é relativa à ligação Rui Rio- chefe de gabinete- PDM- Boavista Futebol Clube, que estará a ser alvo de investigação policial.Como é evidente não faço ideia quem tem razão, mas como o Público e o DN também publicaram a notícia podemos concluir que o polvo que pretende derrubar o Dr. Rio é formado por estes 3 jornais de referência do País.
O que me enerva ao ponto de me eriçar os pêlos (que como já disse várias vezes ainda para mais são muitos) é a postura de Rui Rio, um verdadeiro bastião de moral e rectidão nesse mar de lama e perversidade que é a cidade do Porto, isto a fazer fé nas teorias dele.
3.5.06

Estou muito longe de ser um melómano. Nem sequer tenho muito o hábito de assistir a concertos ao vivo. Mas influenciados pela paixão e pelo entusiasmo da minha cunhada H., eu e a A. (ou de forma mais cavalheiresca, a A. e eu) lá tirámos os rabos do sofá, deixámos o puto nos avós e fomos ver este grupo com nome de arma de assalto.
Para além das 2 ou 3 músicas que conhecia da rádio, não sabia bem o que esperar nem como catalogar o género musical. Para tentar evitar o post tipo lençol posso dizer-vos desde já que o concerto foi excelente e que, numa comparação necessariamente simplista, A Naifa está para o fado como os Gotan Project para o tango. Uma abordagem desempoeirada, com base electrónica, de poemas fora do comum, sussurados, falados e cantados por uma vocalista (Maria Antónia Mendes) que é um portento de voz e interpretação. Em relação aos restantes elementos do grupo, e confirmando as suspeitas que se foram avolumando ao longo do espectáculo, descobri no final que o baixista é o Aguardela, aquele tipo dos Sitiados (???) que parecia estar constantemente speedado, e o guitarra clássica é o Varatojo, o dos Despe e Siga (???), grupos não propriamente sinónimos de música de alta qualidade.
Ora, esta situação força-me a ponderar com mais cuidado a forma excessivamente crítica como olho para alguns performers da actualidade. Quem me pode garantir que daqui a alguns anos não estarei a assistir com gosto a um concerto do João Pedro Pais? Ou dos EZ' Special? Confesso que isto me inspira algum medo...
26.4.06
Presidente Cavaco
- o facto de ter ido sem um cravo na lapela é-me algo indiferente (apesar de achar que o devia ter usado).
- o facto de o discurso ter sido à Sampaio, cheio daquelas generalidades, apelos e boas intenções que normalmente não levam a nada, soube a pouco.
Será estratégia, tipo lobo em pele de cordeiro? Virou socialista? Ou será que depois de tanto alarido, Cavaco vai cair no formalismo discursivo e na irrelevância relativa do cargo de PR, que "vitimaram" Sampaio?
25.4.06
O animal. A frase.
A 2ª foi em resposta a um daqueles pobres repórteres que têm que cobrir a festa:
- então, a Srª. gostava do Adriaanse desde o início?
- eu gostava, mas nunca pensei que fossêmos ir ser campeões.
Eu também não.
Muito mais que treinadores, jogadores ou presidentes, viva o FCP, a minha única fé.
21.4.06

Não pretendo dar uma de elitista. Aliás, só li 2 números deste jornal. O 1º contacto aconteceu há 15 dias porque em dia de aniversário o jornal era gratuito e eu não resisti. Como me deparei com uma reportagem fabulosa sobre as perspectivas da longevidade da vida humana, para além de outros artigos interessantes, decidi começar a comprá-lo.
Assim sendo, meus amigos, fica a sugestão: hoje 6ª feira, em vez do jornal do saco de plástico comprem o Courrier Internacional. É mais fácil de ler, mais fácil de transportar, mais amigo do ambiente (só tem +- 1/3 do papel) e ainda vos sobra dinheiro para um café.
20.4.06
Filosofia de bolso
Voltando a debruçar-me sobre o assunto, concluo que pior que ser às vezes inconveniente é ser sempre conveniente. Tipos destes ou são hipócritas ou são totalmente desprovidos de interesse.
...
Tudo porque se consegue associar uma cara à estatística, contrariamente ao que acontece por exemplo com os outros 9 mortos da Operação Páscoa.
E porque não o bruxo de Fafe?
(tirado das notícias na hora do site www.ojogo.pt)
De há uns anos para cá, o outrora glorioso Real Madrid limita-se a ser um entreposto de fazer dinheiro, via venda de t-shirts na Ásia, e agora chega ao cúmulo de anunciar quem pensa contratar na rádio ou nos jornais, ao estilo das nossas recentes OPA's.
O que virá a seguir?
Vão angariar sócios através de promoções de desconto na gasolina?
18.4.06
Berlusconi. no seu melhor...
Perante isto, até a Fátima, o Avelino e o Alberto João parecem políticos sérios.
Com a devida vénia ao RBM, que me mandou isto para o mail.
Mistérios da fé
Opinião: A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) nunca se esforçou por estimular o espírito crítico e o livre pensamento entre os seus seguidores, muito pelo contrário. Ao longo da sua já mui longa história, desde as perseguições aos que sentiam a fé de uma maneira diferente da sua, às missas em latim para manter a distância e afastar o risco de dissidência, passando pelos variados dogmas, pela forma altamente ritualizada como exerce a sua acção e acabando na dificuldade de adequar o seu discurso aos problemas e às realidades do mundo actual, a ICAR sobrevive e prospera porque consegue incutir na maioria dos crentes uma habituação e um apego muito marcado aos seus diferentes ritos. Esta forma de estar tem como consequência última, na minha opinião, o esvaziar de conteúdo e significado os actos e as palavras de muitos dos católicos, produzindo aquilo a que poderíamos chamar de fé acrítica e de tipo robótico. Ou seja, um distanciamento progressivo entre aquilo que cada um professa dentro da Igreja e aquilo que faz cá fora.
Só assim é possível compreender que pessoas que vão à missa regularmente, que comungam, que se confessam, que fazem gala do uso dos seus crucifixos e questão de baptizar e educar os filhos segundo os ensinamentos da Igreja, sejam capazes de roubar e de tentar agredir o próprio padre em nome duma qualquer tradição, sem perceberem a insanável contradição que há entre estas actitudes e a religião do amor e do perdão que dizem professar.
15.4.06
Desabafos em azul e branco
2- não sei se foi visível na TV ou se os comentadores chamaram a atenção para a situação, mas o pormenor verdadeiramente interessante da noite ocorreu aquando dos festejos do golo portista. Enquanto toda a equipa estava fora das 4 linhas abraçada a Adriaanse, já o Leiria e o Sr. de amarelo estavam prontos para o reinício. Segundo as leis do jogo, mal os jogadores do FCP estivessem de novo dentro de campo e independentemente do seu posicionamento, o Sr. de amarelo poderia autorizar o recomeço (tal como as vezes acontece deixarem marcar livres sem aviso...). Podem dizer que isto nunca aconteceria, que eu estou a ser paranóico, que seria algo nunca visto, mas a verdade é que houve alguém que se lembrou que isso poderia suceder. O provável reforço da selecção angolana no Mundial, aquele ex-boavisteiro com justificada fama de caceteiro e que é hoje em dia capitão do FCP, deixou-se ficar tranquilamente ao longe a bater palmas, mas ostensivamente bem dentro do meio campo do Leiria por forma a não permitir o recomeço do jogo. Só quando os restantes 9 jogadores de campo se voltaram a posicionar correctamente é que Pedro Emanuel, sem grandes pressas, ultrapassou a linha de meio campo. A atitude pode ter ido irrelevante, pode até ser interpretada só como excesso de zelo ou estar a ser sobre-valorizada por mim, mas mostra uma experiência e uma atenção ao detalhe que são pouco comuns.
3- merece também ser realçada a atitude extremamente corajosa e profissional de Adriaanse, neste seu momento mau demais para ser verdade.
P.S.- e faltam 4...
14.4.06
Homilia de um ateu
Qualquer feriado que calhe a uma 6ª feira merece a minha simpatia, sendo que chamarem-lhe Santa a mim não me aquece nem arrefece. Já quanto ao Sábado, como a A. e eu chegámos à conclusão pelas frustantes experiências de anos anteriores que não valia a pena ter o estaminé aberto, é também ele e contrariamente ao habitual um dia de descanso para mim. O ser de aleluia para outros novamente não me aquece nem me arrefece ou como diriam os espanhóis (que nestas coisas das expressões estão um bocado à nossa frente) me da igual.
O Domingo pascal propriamente dito é um dia que me agrada, já que não só se junta muita da família (o que é agradável por si só mas também por acontecer poucas vezes, caso contrário poderia ser algo cansativo...) como normalmente se come cabrito e se acompanha o bicho com vinho tinto dos bons (daquelas refeições das quais se pode dizer "carne no prato e carne no copo").
Quanto à passagem do Compasso, tudo na boa e na paz do Senhor desde que não apareçam cedo demais e comam de boca fechada.
Já as famosas Amêndoas são uma tradição que faço sinceros votos para que se mantenha, quer pelo seu carácter altamente cariogénico quer pela sua grandemente subvalorizada capacidade de provocar lascas, fissuras, rachadelas e/ou fracturas nos dentes dos incautos que trincam em vez de chupar. Por aqui me fico, à laia de sugestão pascal...
12.4.06
Publicidade enganosa
Estavam à espera de quê? Depois de décadas de ansiedade, de angústia, enfim de uma longa e torturante espera por este símbolo máximo da cultura ocidental, os indonésios levam com uma revista em que só há tipas de bikini e em que nem sequer foram permitidas poses provocantes. Naturalmente sentiram-se descriminados e revoltaram-se. Fizeram eles bem. Nós por cá estamos sempre a dizer que um homem tem necessidades...
11.4.06
Descarga de bílis
Assim sendo, para recuperar a paz de espírito e poder dormir tranquilamente, serve a presente para corrigir o lapso e declarar que na minha opinião o Exmo. Professor João César das Neves é um perfeito idiota.
9.4.06
Cada cavadela cada minhoca
Ou as reuniões da UE não servem para nada, o que já se suspeita há muito tempo...
Ou o nosso MNE não serve para nada, e devia ser despedido com justa causa como medida SIMPLEX de desburocratização e combate ao défice...
Ou as duas premissas anteriores juntas...
Desabafos em azul e branco
1-os jornais desportivos da capital andaram durante semanas a salivar com a perspectiva de o Sporting poder em caso de vitória passar para a frente do campeonato, caso a diferença pontual antes do jogo se mantivesse em 2 pontos. Como em várias outras ocasiões anteriores, esqueceram-se da possibilidade de o Porto, em teoria, poder praticamente arrumar a questão se ganhasse.
2-o Paulo Bento foi a maior surpresa da noite, já que em vez do habitual discurso Sportinguista versão Dias da Cunha de em caso de derrota espingardar sempre, com ou sem razão, contra a arbitragem e o "sistema", admitiu o óbvio: o Porto é, neste momento, melhor equipa.
3-já o prémio de faccioso mor terá que ir de forma meritória, por unanimidade e aclamação, para o Manuel Fernandes, cuja suposta isenção nos comentários só fica a perder para o Jorge Coroado, auto-proclamado mega especialista em arbitragem, campeão do anti-portismo e verdadeiro baluarte moral da pala nos olhos.
4-o Sporting limitou-se a tentar controlar o jogo e a esperar, de forma matreira, por um erro portista que lhe desse vantagem. Se em cada um dos jogos anteriores apareceram Pepe e Cech a fazer-lhes o jeito, ontem a concentração foi total e o melhor que o Sporting conseguiu, a jogar em casa perante 50 000 adeptos, foi uma semi-oportunidade daquele enorme jogador chamado Moutinho (como é possível pensar em levar o Hugo Viana ao mundial e deixar este miúdo de fora?)
5-o Porto, sem fazer um jogo extraordinário, ganhou porque usou melhor as mesmas armas que o Sporting tem vindo a rentabilizar: grande concentração defensiva, pragmatismo táctico, pressing e cinismo na hora de aproveitar as poucas oportunidades que surgem em jogos assim. Mesmo não gostando nada do homem, há que dar mérito ao Co Adriaanse.
6-a arbitragem foi péssima para os 2 lados. Resumidamente: a) houve amarelos mal mostrados (Lisandro, Deivid, Quaresma); b) admito que a entrada do Quaresma sobre Tonel seja para vermelho directo mas então, com o mesmo critério, a do Sá Pinto sobre o Lisandro também o era; c) os dois amarelos seguidos ao Bosingwa (que devia ter visto um na 1ª parte por falta sobre Liedson) são ridículos, sendo que no 2º não só não há falta como o Liedson parece arrancar em ligeiro fora-do-jogo;
7-é deprimente tentar, como vi fazer ontem na TVI, arranjar um penalty por suposta mão do Jorginho (só se lhe deu com um pêlo do antebraço...), e ignorar um lance bem mais duvidoso entre Caneira e o mesmo Jorginho na área do Sporting. Haja paciência...
7.4.06
Só a mim...
Na recente ida a Paris optei pela 1ª vez por viajar através da Ryanair. Na viagem de ida tudo correu bem, se descontarmos o atraso de quase 2 horas na saída. Chegámos a Beauvais, um aeródromo travestido de aeroporto a 80 km's da cidade luz e apanhámos um autocarro merdoso, travestido de transfer, até lá. Já a viagem de regresso, essa, ulálá, foi outra história completamente diferente.
Tendo sido marcada há meses, acabou por calhar em cheio no fatídico dia 4 de Abril, infelizmente escolhido pelos "enfants de la patrie" para mostrar a sua conhecida propensão para o protestantismo militante (o que em relação ao caso em apreço, não lhes tira razão). Acordámos (eu e a partner) às 5h e apanhámos 2 metros para chegar ao local de partida do transporte para o aeroporto às 6h20min. Aí chegados antes do nascer do sol, damos de cara com um tipo cuja única identificação era o kispo a dizer aeroporto e que, ao ar livre e em pleno parque de estacionamento, nos informa num inglês que com a dose extra de simpatia que por essas horas ainda tinha em stock posso classificar de macarónico que: "airport closed" e que "no flights" tudo isto devido à "strike". Perante isto, optámos por nos dirigirmos ao Aeroporto Charles de Gaulle, juntamente com duas portugas que já tinham passado todo o dia anterior a tentar também elas sair de alguma forma daquela fantástica cidade. E chegados ao Aeroporto, meus amigos, descobri alguns factos interessantes sobre o mundo das viagens aéreas, que resumidamente passo a partilhar.
Saberão vocês, porventura, qual é a diferença num bilhete de ida Paris-Porto entre aquela irritante e difusa categoria dos jovens e os outros, meros adultos? A resposta é 669. Euros. Os mesmos que separam os 131€ da taxa aplicada aos 1ºs dos 800€ cobrados aos 2ºs. Como se isto não fosse já suficientemente ridículo, viemos ainda a descobrir que caso optásssemos por comprar bilhetes de ida e volta estes ficariam por 557€, ou seja, 2 viagens custariam neste caso menos 243€ que uma só, o que vem dar razão aquele outro génio póstumo que relacionou a lógica com um conhecido tubérculo.
De mãos na cabeça e a fazer um esforço sobre-humano para não verbalizar a apreciação que por esta altura já me mereciam os grevistas em particular e La France em geral, eu e a fiel partner decidimos explorar outras hipóteses, nomeadamente fazer a viagem em TGV (obviamente também bloqueado, que os camelos quando fazem greve não brincam) e, como a esperança é a última a morrer, o eventual aluguer de um carro (pelo qual nos pretendiam cobrar cerca de 800€, o que me permitiu concluir que tal como nos aviões, se o carro for só de ida é muito mais caro...)
Perante a perspectiva de voltar para uma Paris bloqueada, sem metro e sem hotel onde ficar, juntamente com a real possibilidade de perder mais 2 dias de trabalho, decidimos num acesso de loucura e de novo riquismo bacoco estourar 1.114€ para voltar.
Assim sendo, resta-me dizer que vivam os direitos adquiridos, vivam as greves que eu nunca fiz, vivam os jovens estudantes dos liceus e os comunas dos sindicalistas que lhes mexem nos cordelinhos, viva a "racaille" que atira pedras, assalta lojas e rebenta montras, viva o CPE e o novo esclavagismo, enfim vive la France e os jovens menores de 25 anos, que podem ser tratados como cães no mercado de trabalho mas merecem taxas fantásticas se decidirem viajar de avião.
31.3.06
30.3.06
Como????
Em tantos anos de futebol, de Gabriel Alves, de Jardel, de João Pinto (o do FCP) e outros que tais, nunca tinha ouvido nada tão ridículo. Pela magnitude da estupidez natural e pela coragem em demonstrá-la desta forma tão brutal , saúdo-te, ò Norton, e prometo seguir com mais atenção as tuas intervenções.
29.3.06
Fanáticos vs. desenhos animados
Fiel a esse princípio, eis que me apresto a passar sentença sobre algo que só conheço pela rama: a Cientologia. Sei que foi fundada por um iluminado qualquer há uma série de anos, sei que enriquece à custa dos pagamentos que vai sugando aos aderentes, sei que é contra a utilização de qualquer tipo de drogas e sei que o Tom Cruise é um fervoroso crente. Sei também que recentemente quer a "religião cientologia" quer o próprio Cruise foram ridicularizados por aquela fabulosa série de desenhos animados chamada "South Park", que goza com tudo o que mexe. Ora, isto por si só tem alguma piada mas não é propriamente notícia. A lavagem cerebral que a cientologia tenta promover é de tal forma que está literalmente a pedir para ser gozada, aliás tal como o minorca do Tom que anda por aí armado em apóstolo evangelizador. O que já é digno de registo é que ambos, organização e super estrela, tentaram e pelos vistos com sucesso boicotar o referido programa.
Assim sendo, e porque entre um bando de fanáticos que infelizmente se levam a sério e uma banda desenhada para a qual felizmente nada é sério demais, não é possível ficar em cima do muro do politicamente correcto, cá estou eu a fazer campanha pelo "South Park". Pela minha parte não deixarei que matem o kenny, you bastards.
25.3.06
Descarga de bílis (ii)
Certamente preocupado com o arrepio que causou aos ouvintes capazes de perceber a diferença entre música e gajos a zurrar ao microfone, o locutor tratou de emendar a mão e terminou a notícia em grande estilo com esta tirada cómica: "os UHF, uma das maiores bandas nacionais de sempre".
É. Concordo. Só mesmo superados pelas Doce e empatados com o Quarteto 1111.
Descarga de bílis (i)
23.3.06
Ainda se não houvesse dicionários...
Alguém é capaz de explicar porque é que a ridícula lei da quota de 1/3 tem no nome a palavra paridade?
21.3.06
A Rádio. Esse perigo.
Mas há coisas que me tiram do sério. Há pouco tempo atrás, regressava eu a casa no final de um cansativo dia de trabalho, já com mais de 1 hora de viagem em cima, quando de repente dou conta que estava a cantarolar o refrão de uma música dos Delfins, que julgo ser a "Baía de Cascais". Ora isto não me pode voltar a acontecer jamais, sob pena de destruir irremediavelmente o amor próprio que fui construindo laboriosamente ao longo de mais de 30 anos.
Assim sendo, e ainda para mais numa altura em que as rádios vão ser (ou já são?) obrigadas a passar 50% de música portuguesa, é de exigir aos locutores que nos AVISEM bem alto, de preferência com sirenes de farol, antes de porem no ar banhadas perigosas para a saúde como qualquer música dos Delfins, dos Fingertips, dos Santos e Pecadores, do Tim (na sua fase de "queria ser astronauta mas a minha mãe não deixou"), do Luís Represas (que consegue a duvidosa proeza de ter milhares de músicas todas iguais) ou até a nova canção do João Afonso que só ouvi hoje mas que fala de citoplasma, de citosina (?) e de testosterona.
P.S.- Querem mesmo assim conseguir cumprir as quotas? Ponham Ornatos, Jorge Palma, Sérgio Godinho, Camané, Da Weasel, Clã (mas por favor dêem algum descanso ao "Problema de Expressão"), Rodrigo Leão, Marisa, Kátia Guerreiro, etc...E se a lei o permitir, ponham Caetano Veloso, e Chico Buarque e Tom Jobim e Marisa Monte e tantos outros...
17.3.06
Os franceses na merde
Mas nos últimos dias alguns franceses merecem o meu apoio, especificamente todos aqueles que apresentam nos seus BI's uma idade inferior aos 26 anos. É que para azar deles, alguns governantes confortavelmente refastelados nos seus cadeirões do poder, decidiram que durante os dois primeiros anos de trabalho eles podem ser despedidos sem justa causa.
Quem me conhece ou tem lido alguns dos posts que vou escrevendo sabe bem que outra coisa que não posso ver nem pintados de azul e branco são sindicalistas, daqueles que enchem a boca com os direitos adquiridos isto, a contratação colectiva aquilo e o grande capital aqueloutro, mas neste caso vejo-me forçado a dar-lhes razão. Acho que nem vale a pena falar da quantidade de abusos a que isto pode levar, digamos apenas que seria quase voltar à idade média em que os nobres punham e dispunham dos seus escravos como se lhes aprouvesse e ai dos que arrebitassem cachimbo.
Não pode ser este o caminho. Não pode ser esta a forma encontrada por um governo europeu do século XXI para combater o desemprego, sob pena de nos dirigirmos a passos largos para uma situação de caos social.
15.3.06
Relato
1-o Pepe tem tanto de talento como de estupidez natural...
2-já não há paciência para o repórter de campo, que presumo que seja nativo da ilha como é costume, e que como também é costume vê em todas as jogadas possíveis penaltis a favor do Marítimo e amarelos por mostrar aos adversários da equipa da casa...
Mais uma história de consultório
O miúdo estava a comportar-se de acordo com a idade que tem: não só abria pouco a boca como depois estava sempre a querer fechá-la, mexia as pernas e os braços, rodava a cabeça de um lado para o outro, enfim, o normal, ou dito de outra forma, sem estar a ser um estuporzinho também não dava grande ajuda. No entanto, e à medida que o tempo ia passando, o puto ia ficando mais tranquilo. A mãe dele saiu para atender o telemóvel e quando voltou o miúdo tinha os olhos fechados. Ela sentou-se no seu lugar e de repente começa-se a ouvir um ruído ritmado que, adivinharam, correspondia ao ressonar dele. A risada foi geral e 10 minutos depois quando acabou a consulta, chamei-o em voz alta, o gajo saltou da cadeira bem disposto e foi-se embora todo contente com um balão que a assistente lhe ofereceu.
Às vezes, é bom ser médico dentista.
Maus hábitos
Ora eu, que de economia não percebo nada, duvido que a solução cá para o burgo se consiga nesta lógica de copy/paste, quanto mais não seja porque, e pararaseando os sucessivos governos dos últimos 20 anos, sofremos de uma dose enorme de "especificidade" que tem sido apontada como justificação para o nosso crónico atraso.
Especificamente falando, basta lembrar num raciocínio tipo lapalissiano que a principal e provavelmente inultrapassável diferença entre os 2 países é que enquanto a Finlândia tem a vantagem de ser habitada por finlandeses nós por cá temos que nos contentar com portugueses.
Deixando o orgulho patriótico de lado, convenhamos que trabalhamos menos, somos menos produtivos, mais dados à cunha e ao desenrascanço e temos uma mentalidade tão avessa à mudança como dada ao apego ao subsidiozinho.
Quando é que nos deixaremos de encantar com receitas supostamente mágicas de fortuna e sucesso rápido, nós, o país que mais joga no Euromilhões?
13.3.06
Saudades do meu Porto
O infantário Luzinha na zona da Areosa com os seus setters que uma vez se soltaram criando o pânico nas educadoras e a alegria na miudagem. A escola pública nº 37 em Costa Cabral, com aquela árvore fabulosa, cuja espécie na altura não sabia e agora também não, a comandar todo o recreio e com a Professora Manuela a acabar todos os dias de aulas connosco em fila indiana à espera da réguada da praxe e em que quem tirasse a mão a tentar fugir ao castigo levava a dobrar, e com o meu avô, que tinha as mãos grandes e pêlos a sair do nariz e das orelhas e a quem nós os netos sempre chamámos Moura e nunca avô e de quem eu não me lembro muitas vezes mas quando me lembro sinto uma saudade tão grande que me apetece chorar, a ir-me buscar pela mão ao fim da manhã. A mítica Augusto Gil, onde fiz o ciclo e onde conheci os meus amigos, daqueles que são para toda a vida, e a senhora do quiosque ao lado a vender chicletes e rebuçados, e os gelados Neveiros, do grande portão verde de garagem no caminho de volta à casa no Verão, que se derretiam na boca e não nas mãos. O Vigorosa, onde para além de ténis se jogavam sonhos, com o Zé Rato que nos ensinava mas que tinha aprendido a jogar sozinho contra a parede e para além disso tocava bateria no programa da manhã da RTP, e onde sem eu nunca ter percebido porquê alguns não me tratavam pelo nome próprio como seria apropriado mas sim por ò Moura e Sá. A escola Aurélia de Sousa, o meu liceu, onde entrei ainda miúdo sempre vestido de fato de treino e sapatilhas e saí quase homem daqueles que já têm de fazer a barba e tudo. O Lima 5, o meu café, onde entrava de manhã e sem ser preciso dizer nada, o Sr.Fernando sempre bem disposto ou o Sr.Lemos com o seu bigode farfalhudo a tentar esconder o dente que lhe faltava ou o Sr.Amadeu que não me dava tanta confiança, me traziam a meia de leite directa e bem escura e torrada do costume, e onde nas tardes de estudo em que a meio, para alimentar os neurónios e sacudir a neurose, pedíamos uma francesinha e bebíamos um fininho, o que não ajudava muito o estudo mas porra uma francesinha pede um fininho e não mariquices como sangrias ou coca-colas. O Estádio das Antas, aos domingos à tarde, com o meu pai, o meu irmão, os meus primos e o meu avô que durante o jogo inteiro nos ia dando rebuçados S.Brás, daqueles que sabem bem mas fazem mal aos dentes...
Podia se calhar falar de outros, de mais lugares e de mais pessoas que nada será capaz de apagar, mesmo que agora já não existam como os gelados Neveiros do grande portão verde, ou o lima 5 que virou churrasqueira especializada em frango à guia, ou as Antas que morreram para dar lugar a outro estádio mais novo, mais bonito mas necessariamente mais pobre em histórias e sonhos. Podia falar do Cinema Batalha, cujo anúncio de reabertura me motivou a escrever este post, e onde ainda no início dos anos de adolescente vi pela primeira vez o filme Cinema Paraíso, num domingo de manhã de sessão cineclubista em que as lágrimas me corriam imparáveis pela cara abaixo. Podia falar da Ribeira, da Foz, do Parque da Cidade, de Serralves e da sensação de "quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar...", mas não teria muito mais a acrescentar ao que já disse e ao que sinto pela minha cidade, o Porto.
P.S.- ainda relativamente à reabertura do Cinema Batalha, tencionava falar sobre a inigualável D.Laura, sobre Rui Rio e sobre o milhão de contos que "arrancaram" ao Grupo Amorim aquando da polémica do plano de pormenor das Antas, mas comecei a pensar na minha cidade,o Porto, e no quanto gosto dela, e perdi a vontade de abordar coisas menos importantes.
9.3.06
Um homem bom
Apesar de ter sido um personagem algo apagado e de ter falado demais (tantos discursos para quê? e era mesmo necessário publicá-los todos em livro?) sem grandes resultados prácticos, é forçoso dizer-se que o agora ex-PR é uma pessoa séria e que a forma serena como exerceu o seu papel fez com que pairasse acima da maldicência popular que atinge os políticos em geral.
Independentemente do que fez ou não fez, Jorge Sampaio é um homem bom e esse é o principal legado e imagem que nos deixa.
Liberal?
Que tem sido um governo com ímpeto reformista em diversas áreas, que reconquistou a confiança dos empresários, que tem atraído maior investimento estrangeiro, que afrontou lobbys poderosos, são alguns dos méritos apontados no lado positivo da balança.
Que o desemprego continua a subir, que as medidas tomadas são essencialmente operações de marketing, que o estilo é autoritário e confrontacional, que há uma tentativa de controlo dos principais orgãos do Estado e de domesticação da comunicação social, são alguns dos factores apontados como negativos.
O objectivo deste post não é acrescentar nada aos balanços feitos, se bem que me inclino para achar globalmente positiva a actuação governativa nestes primeiros 12 meses. Hoje estou mais virado para comentar o reverso da medalha. Falemos pois da oposição, sob pena de pouco a pouco nos esquecermos que ela existe, e mais concretamente falemos do suposto líder da oposição, o Dr. Marques Mendes.
Compreende-se que seja difícil sobressair num cenário de maioria absoluta, ainda para mais com um governo socialista a por em prática políticas que a direita normalmente invoca como suas. Só esta dificuldade pode ajudar a explicar algumas das últimas declarações de MM. Comecemos pela insólita bravata de dizer que se o seu programa for derrotado no próximo Congresso obviamente não se demite, o que me parece um claro sinal de uma lógica de puro apego ao poder. Passemos à posição anunciada de recusa política do casamento homossexual, o que não combina bem com um partido que proclama aos quatro ventos a sua ideologia liberal de quanto menos interferência do estado na sociedade melhor. Mas a proposta que na minha opinião mais se destaca é a peregrina intenção de discriminar positivamente os ex-toxicodependentes ao nível do acesso ao mercado de trabalho, criando benefícios para as entidades empregadoras. Se à primeira vista a intenção não choca, não me parece que resista minimamente a uma análise mais aprofundada. Imaginem que duas pessoas do mesmo sexo, da mesma idade, com curriculums semelhantes, estão em competição pela mesma oferta de trabalho e a decisão é favorável a um deles só porque já foi um toxicodependente. Ah, mas isso é contribuir para uma plena reintegração na sociedade dirão alguns. Pois é, porreiro, curado e reintegrado parece-me muito bem, mas que raio de mensagem é que estamos a dar ao outro candidato? Olha pá, como nunca te meteste na droga vais continuar desempregado? E já agora, em maré de discriminação positiva de alguns grupos específicos e normalmente prejudicados na sociedade, porque não favorecer os ex-reclusos? E as minorias raciais? E o sexo feminino? Podemos até pensar num cenário em que o candidato mais "beneficiado" pelo estado reúna simultaneamente as seguintes características: mulher, preta, mãe solteira, ex-toxicodependente, ex-reclusa, portadora de SIDA e tuberculose, orfã desde criança, vítima de violência doméstica, etc...
Ah, assim sim, plena reintegração e consciências politicamente correctas 100% tranquilas...Pelo caminho teremos trocado de vez a ideia do primado do mérito e do desempenho pela instituição de um regime de quotas, supostamente concebido para corrigir injustiças.
P.S.- alguém me explica como é possível que um partido que acha que um referendo sobre o aborto não é prioritário, que acha que a reforma do sistema eleitoral não é prioritária, que acha que evitar a não discriminação por motivos de preferências sexuais não é prioritário, decida de um momento para o outro que é prioritário discriminar positivamente os ex-toxicodependentes?
8.3.06
SLB
Mas isto são só os oitavos de final!! E se o SLB passa a eliminatória? Directos dos balneários? Do avião? Do aeroporto? A noite inteira no Marquês de Pombal? A este ritmo a tomada de posse do Cavaco corre o risco de passar quase despercebida no meio do frenesim de cachecóis, bandeiras e confetis.
Bom, mas a verdade é que mesmo que possa não parecer, pelo dor de cotovelo que facilmente transparece, o presente post serve essencialmente para desejar boa sorte ao Benfica. Pelo menos a suficiente para que passem a eliminatória, mesmo que isso nos garanta doses pouco saudáveis de exposição àquele santinho de pau carunchoso chamado José Veiga.
Também acrescento, por ser verdade e me dar alguma paz de espírito, que tal como espero que este jogo lhes corra bem, faço votos de sentido contrário para os jogos do campeonato e taça de Portugal.
Saudações portistas.
3.3.06
Quero reclamar...
Antes de mais e para evitar más interpretações deixo desde já bem explícito que concordo não só com o conceito do livro em si, mas também com a obrigatoriedade de todos os estabelecimentos que prestam serviço ao público o terem de possuir, independentemente da área de trabalho. É sem dúvida importante que um cliente, no caso de se sentir mal tratado, possa protestar oficialmente e tenha pelo menos a esperança que isso acarrete alguma consequência para o prestador do serviço.
Mas a mim o contrário também me parece válido, ou seja, se o paciente x achar, por hipótese, que se o dente que eu lhe tratei continua a doer ou partiu então a culpa é necessariamente minha e toca a reclamar por escrito, eu, prestador do serviço, também quero poder deixar em acta que o paciente x é, por hipótese, um valente porco que só lava os dentes quando o rei faz anos, que acha que fio dental é um tipo de cueca, que se alimenta à base de bolos e chocolates, que falta frequentemente às consultas só aparecendo quando os "comprimidinhos" que lhe deram na farmácia já não aliviam a dor e que tendo sido instruído que devia evitar alimentos muito duros chega com ar deslavado a dizer que partiu o dente a tentar abrir uma cervejinha.
Já sei que posso fazer tudo isto no direito de resposta a uma eventual reclamação, mas isso é desde logo uma posição defensiva, tipo réu a alegar inocência, o que não me agrada.
Assim sendo, e num mundo ideal, o paciente x poderia trazer também consigo o seu próprio livro de reclamações, um conceito que me parece não só liberal como também democrático.
28.2.06
Desabafos em azul e branco
-1 ou ponto prévio- o verdadeiro adepto não só não sabe o que são idiossincrasias, como se está a cagar para isso.
1º- o verdadeiro adepto não gosta do seu clube. Ele ama-o. Isto apesar de saber que há coisas mais importantes na vida que o futebol e o clube, se bem que esta última premissa só é verdadeira quando o jogo acaba.
2º- o verdadeiro adepto é sócio, não se contenta com a mariquice de ser simpatizante. Sabe o seu número de associado de cor e utiliza-o sempre em qualquer discussão futebolística.
3º- o verdadeiro adepto vai sempre ao jogos em casa e tem um lugar cativo no estádio, que exibe como um troféu de caça.
4º- o verdadeiro adepto não atende o telemóvel e nunca se levanta a meio do jogo, mesmo que tenha vontades corporais difíceis de controlar. Se tem de verter águas ele aguenta firme apertando as pernas como se de uma barragem se tratasse. Se o caso é de tipologia sólida ele pode eventualmente optar por aliviar a pressão largando gases, de preferência com insonorização incorporada, o que garante algum anonimato. Diga-se que foi para estas situações que alguém se lembrou de fazer um intervalo a meio do jogo.
5º- o verdadeiro adepto nunca assobia a sua equipa e jamais festeja golos da equipa adversária, lançando olhares e não raras vezes palavras de repúdio perante outros supostos (obviamente não verdadeiros) adeptos que o façam. Se está realmente irritado com jogadores, treinador ou dirigentes, o verdadeiro adepto limita-se a não aplaudir.
6º- o verdadeiro adepto não utiliza o lenço cheio de ranho como instrumento de abano/descontentamento, pelo exposto no ponto 5 e por razões óbvias de higiene e respeito pelo próximo.
7º- o verdadeiro adepto nunca diz asneiras, excepto quando elas saem com tal velocidade das cordas vocais que se lhe escapam por entre os dentes.
8º- o verdadeiro adepto nunca quer ganhar com a ajuda do árbitro, excepto se tiver mesmo de ser.
9º- o verdadeiro adepto gosta de manifestações de fair-play e nunca encara os adversários como inimigos, excepto se a sua equipa estiver a perder.
10º- o verdadeiro adepto é fanático, mas consciente ao ponto de se recusar a envolver em pancadaria por causa de um simples jogo de futebol. Acima da honra do seu clube ou da honra da mãe do seu jogador preferido, o verdadeiro adepto tem mesmo assim a frieza de espírito de colocar outro valor sagrado: a integridade dos seus dentes.

Normalmente não gosto do Carnaval. Já estou farto das imagens de brasileiras semi nuas a abanar o muito que têm para abanar em desfiles intermináveis e principalmente estou que nem posso com portuguesas com a mania que são brasileiras a tentar abanar o pouco que têm para abanar. Mas o dia 28 de Fevereiro de 2006 vai ser bom. Eis o programa de festividades:
02:45h- 22º episódio da série 1 de Perdidos.
15:00- 18.00h- 23º, 24º e 25º episódios da série 1 de Perdidos.
23:00h- exibição de Destination: lost, que presumo ser algum tipo de resumo da 1ª série.
23:45h- 1º episódio da 2ª série de Perdidos.
Posto isto resta-me dar os parabéns à tantas vezes justamente criticada RTP 1, por este brilhante exemplo de serviço público. Ainda por cima em overdose. E em reposição, para aqueles que como eu cometeram o pecado de falhar à 1ª oportunidade.
27.2.06
Uma no cravo. outra na ferradura
Confesso que já tencionava abordar este tema, pela contradição óbvia que encerra numa altura em que por toda a Europa inúmeras vozes se levantam a glorificar a liberdade de expressão como expoente máximo da diferença e superioridade do Ocidente, mas acabo de ler aqui um texto que diz aquilo que eu também sinto e de uma forma que eu não seria capaz:
«It is hard to see what the Austrian court's sentence can add to that. Keeping Mr Irving in jail at most may stop him going to a conference that Mr Ahmadinejad is convening to ?rewrite and revise? the history of the holocaust. But against that small plus are two big minuses. One is that the sentence makes Mr Irving look a martyr. The other is that it makes the West look hypocritical: all too willing to bruise Muslim feelings, while protecting Jewish ones by law.Laws against holocaust denial (which 14 countries have) were never a good idea. The best defence against neo-Nazis is reason and ridicule, not the criminal law. But at a time when the western world is battling to defend free speech against religious zealotry, they look particularly indefensible. It is punishment enough for Mr Irving that he has lost his professional credibility. He should not lose his liberty too.»
(The Economist, 23 Fevereiro de 2006)
26.2.06

6ª feira à noite. Liga-se a televisão e como sempre nada de jeito. Novelas brasileiras de um lado, novelas portuguesas de outro, isto sem esquecer o mais idiota dos concursos que tenho visto nos últimos anos. Sobra a RTP 2. Chamem-me elitista à vontade mas é o único canal suportável entre as 21h e as 24h. Estava a dar um documentário sobre o senhor da foto, Júlio Pomar, que comecei a ver de lado, digamos assim como que em diagonal, mas que rapidamente me cativou a atenção. Superiormente realizado por um tal de António José de Almeida (que nem sequer vou fingir saber quem é...) mostra o trajecto do pintor por ordem mais ou menos cronológica e divide-se em testemunhos do próprio Pomar e de personalidades tão diversas como interessantes: Lobo Antunes, Siza Vieira, Mário Soares (acerca do fabuloso retrato dito informal exposto em Belém), para além de vários críticos de arte que eu naturalmente não poderia conhecer por manifesta ignorância acerca da área. O discurso directo dos intervenientes (fantástico o pormenor de não se ouvir uma vez sequer a voz do realizador) vai sendo enriquecido com imagens dos quadros de Pomar. Com 60 anos de carreira, o que é uma lição para todos aqueles que só pensam em se reformar o mais rápido possível, atravessou diversas fases desde pintura livre e gestual a colagens, de temas eróticos a retratos e ilustrações de obras literárias, até ao campo da escultura.
Ficou-me na memória uma situação contada por António Lobo Antunes, que falando acerca da longevidade e vontade de trabalhar de Júlio Pomar, contou que um dia uma sua empregada se virou para ele e lhe perguntou "porque é que o Sr.Pomar, já com os filhos criados, trabalha tanto?". O documentário dá a resposta nas palavras do próprio: "faço o que me apetece".Num país que dá constantemente valor ao acessório e aos famosos instantâneos do boato fácil e das revistas cor-de-rosa, é bom descobrir gente assim.
23.2.06
!!!!

Lionel Messi.
Lembro-me de o ver jogar ao vivo na inauguração do Estádio do Dragão. Entrou só uns minutinhos na 2ª parte, e mesmo com aquele relvado versão batatal deu para perceber que o miúdo, e atenção que não lhe chamo miúdo para armar aos cágados mas porque o tipo tinha então 16 (!!!) anos, poderia vir a justificar aquilo que dele diziam desde os seus 10 ou 11 anos: aqui estava o novo Maradona.
Àparte os dotes teatrais que também mostrou ontem contra o Chelsea, é forçoso dizer mesmo só tendo visto o resumo, que Messi é de facto genial.
E por mais que custe a Mourinho, qualquer adepto de bom futebol com um par de olhos na testa e um mínimo de vergonha na cara dirá que são equipas como este Barcelona e jogadores como Ronaldinho, Deco (ai que saudades...), Etoo e Messi, que fazem da arte do pontapé na bola o maior espectáculo do mundo.
Digo eu, que até torço pelo Chelsea.


