14.6.06

Desabafos

O factor que mais contribui para o relativo mau funcionamento do país é a percepção geral e solidamente instalada que as instituições não funcionam, o que acaba por servir como conveniente desculpa ad hoc para os mais diversos comportamentos incorrectos ou até ilegais: há aqueles que se julgam no direito de não pagar os seus impostos simplesmente por terem um vizinho ou conhecido que foge descaradamente e nunca é apanhado, há aqueles que encaram como normal meter ou aceitar cunhas já que toda a gente faz o mesmo, há aqueles que entendem não ser grave conduzir a 180 à hora pelo prosaico motivo de verem ocasionalmente passar outros carros a 200. A mesma linha de raciocínio leva a que comece a ser normal que quando alguém ou algum grupo ou até uma determinada povoação se sente lesada ou ameaçada no que encara como sendo os seus legítimos direitos, acabe por usar como forma ilegítima de pressão o fechar estabelecimentos a cadeado ou bloquear a via pública ou basicamente qualquer outra coisa que garanta que o caso tenha direito a passar no noticiário televisivo do dia. Tudo porque quase ninguém diz ter fé nas vias normais de procedimentos, que ficaram reservadas para os crentes, para os papalvos, para aqueles que contra todas as evidências se recusam a aceitar que não há justificação para a esperteza saloia e para a atitude do salve-se quem puder que grassa por aí a olhos vistos.
A mim, uma das situações que me começa a revoltar é que a facilidade com que estamos prontos a invocar direitos e reivindicar benesses não seja minimamente acompanhada por um grau mínimo de cumprimento de deveres.Tudo isto, este chorrilho de queixumes mal alinhavados, porque estou verdadeiramente farto de me cruzar com gente assim. Gente a quem a nossa depauperada (estará mesmo?) Segurança Social paga tratamentos médicos privados e que nem se dá ao trabalho de deles usufruir, gente a quem o Ministério da Saúde oferece consultas gratuitas (convencionadas com os privados) para os seus filhos e que é irresponsável ao ponto de não aparecer ou sequer telefonar a marcar consulta, gente que vai literalmente vivendo encostada ao rendimento social de inserção (RSI) e que se limita a fazer com a periodicidade mínima obrigatória um ou outro curso de formação ou requalificação profissional, não com o intuito de arranjar emprego mas sim de assegurar mais uns meses de subsídio estatal.
Há por ai um sem número de pessoas (cada vez mais?) que não só não merece os poucos apoios que o Estado vai dando como acaba por evitar que essas verbas cheguem a gente mais necessitada e infinitamente mais merecedora.
Ao ritmo a que vou ainda acabo daqui a uns meses a falar dos beneficiários do RSI (medida que sempre defendi) como “ciganos”, ou a fugir ao Fisco e à Segurança Social. E não duvido que também eu direi na altura que a culpa não é minha, mas sim do sistema que não funciona…

12.6.06

Diferenças

Mundial 2002- António Oliveira achava que encher o balneário de alhos dava uma vantagem extra à selecção.
Mundial 2006- Scolari prefere contar com o contributo de um amigo padre que benze equipamentos e água, pelo telefone!

Até ver, o método Scolari resulta melhor.

9.6.06

Ontem ouvi na rádio uma peça deliciosa, pela fantástica voz daquele excelente contador de histórias chamado Luís Filipe Barros. Cá vai, em discurso indirecto, abusivamente entremeado primeiro e concluído depois com alguns comentários aqui do próprio:
Já depois da separação dos Beatles, Paul Mccartney e exma. esposa Linda foram até Nova York, a caminho de uma digressão no Japão, onde passaram algum tempo com John Lennon e exma. mulher Yoko Ono. Aí chegados, terão referido que durante a futura estadia em Tokyo iriam ficar alojados numa determinada suite de um determinado hotel (cujo nome confesso não ter fixado) que sabiam ser a suite preferida do casal Lennon-Yoko, ou Yoko-Lennon para ser mais cavalheiresco. No entanto, quando chegaram ao Japão foram imediatamente interceptados pela polícia que depois de descobrir 20 cigarros de erva nas malas, deteve Paul durante 10 dias e depois expulsou-o do país, estragando obviamente a tal digressão. Fica no ar a dúvida se terá sido Yoko Ono, preocupada com a eventual alteração do karma da sua suite favorita (já se sabe que o karma é uma coisa tão indefinida como instável),
a denunciar o azarado casal à polícia japonesa. A verdade factual e indesmentível é que um dos agentes que foi ao aeroporto travar Linda e Paul era primo dela.

Dito isto, esta suposição pode não ser verdadeira, mas volto ao belo do ditado “porquê deixar a verdade estragar uma boa história?”. Pelo mesmo diapasão, deixo também para vossa análise a minha convicção, já velha de muitos anos e suportada apenas por uma boa dose de cinismo intuitivo, que a mesma Yoko Ono foi a cabra que acabou com os Beatles.

P.S.- para que não fiquem dúvidas esclareço que nunca gostei especialmente dos 4 de Liverpool, talvez porque lá por casa durante os meus anos de petiz sujeito ao gosto musical dos progenitores, outros valores cantavam mais alto: Leonard Cohen, Ellis Regina, Neil Diamond e principalmente Cat Stevens, hoje Yussuf Islam, ainda e sempre um dos meus favoritos.

7.6.06

...

Não tenho tido nem inspiração nem paciência para postar. Falta-me a vontade necessária para escolher os verbos e para decidir os advérbios que permitam encadear as ideias, que aliás também faltam. Não me apetece pensar em substantivos com mais ou menos substância e nos adjectivos com que os colorir. No entanto, olho para o blog e já lhe sinto a carência em crescendo, já lhe adivinho a sensação de abandono como se fosse um cãozinho na aproximação do Verão. Assim sendo, pesando os prós e os contras, os porquês e os portantos, decidi sacudir esta morrinha que se instala ao de leve (moving up slowly inertia creeps…) e falar de temas mais ou menos actuais:

Ponto 1 – 100% de acordo com a nova lei do tabaco. Aliás, confesso que me custa a entender o argumento da suposta “violação de direitos” dos fumadores, porque como não podia deixar de ser ninguém os impede de fumar. É uma escolha individual, mas que deve ser exercida sem prejudicar terceiros. Fumem nas varandas, à porta dos cafés, etc… mas não se achem no direito de impor a sua escolha aos que decidem em sentido contrário. É fundamentalismo? É o politicamente correcto? Até pode ser, mas tem toda a lógica como medida de civismo e acima de tudo como política de promoção da saúde pública.

Ponto 2 – já estarão carecas de saber que não gosto de Scolari nem suporto o Madaíl. Mas digam-me com sinceridade se alguém compreende a forma arrogante e mal-educada como a selecção de futebol, que deve representar o País lá fora e que tanta importância tem para os nossos imigrantes, os tem tratado. Desde o desdém na chegada ao aeroporto, à birra de acabar o treino mais cedo porque alguém no público não devolveu uma bola, até ao cúmulo de reduzir ao mínimo os treinos abertos ao público, multiplicam-se os exemplos de atitudes de prima-donas. Se a selecção só serve para jogar futebol, então serve para muito pouco, e não merece este folclore de bandeiras e cachecóis, que diga-se tresanda a patrioteirismo de pacotilha e encomenda.

Ponto 3- não surpreende, mas mesmo assim é difícil de aceitar a reacção de puro bota-abaixo dos sindicatos perante a proposta do Governo relativamente aos funcionários públicos a colocar no quadro de excedentários. Que um tipo possa estar sem fazer absolutamente nada, a receber 100% do salário original durante 2 meses, 85% (?) durante mais 10 meses, 66% durante 10 anos, etc... e que possa ainda por cima acumular isto com um outro emprego no sector privado é, no mínimo, muito generoso, especialmente se comparado com o que acontece a um trabalhador do sector privado quando perde o emprego. Haja termo de comparação e alguma vergonha.

2.6.06

Cada tiro cada melro, cada cavadela cada minhoca...

O desemprego está em níveis nunca vistos, a situação económica vai melhorando mas em ritmo de caracol em passeio, diversos sectores profissionais (agricultores, professores, pescadores,etc...) vão dando largas ao seu descontentamento pela acção do Governo.Lá por fora agravam-se os sinais duma inevitável crise energética à escala mundial, Timor-Leste corre sérios riscos de entrar em processo de autofagia e o dossier das ambições nucleares do Irão ameaça desequilibrar de vez o já de si caótico cenário do Médio Oriente.
Enquanto isso num país à beira-mar plantado, dias depois de darem o seu contributo para evitar que uma coisa tão comezinha como o trabalho os viesse a impedir de ver jogar a sacrosanta selecção de futebol, os deputados do maior partido da oposição lançam uma proposta subscrita entre outros pelo seu inenarrável líder parlamentar, em que elegem como prioridade a criação de um Dia do Cão, para celebrar anualmente o melhor amigo do homem.
Fico honestamente na dúvida sobre qual destes animais será mais racional.

31.5.06

"Ripa na rapaqueca..."

Escaldados com a recente e merecida vergonha que passaram com o caso da falta de quorum, os deputados portugueses deram hoje mostras de uma capacidade de antecipação e de atempada resolução de problemas de que muitos não os julgavam capazes. E logo por unanimidade, mostrando que quando as causas são mesmo importantes eles conseguem deixar de lado as rivalidades comezinhas do jogo político.
O plenário? muda-se para o horário matinal. As comissões parlamentares? começam lá para o fim da tarde. Tudo porreiro que o que a malta quer é ver a bola. Acham que estou a exagerar? E se os dois primeiros jogos não fossem ao fim de semana? E se passarmos aos oitavos de final? E aos quartos? Porque não fechar a Assembleia durante o Mundial ou pelo menos mandar instalar Sporttv no bar ou mesmo no próprio hemiciclo?

30.5.06

O homem moderno?

Depois de ter acabado de ver aquela que é para mim uma das melhores séries televisivas de sempre, eis que me deparo com uma das realidades actuais do meu dia-a-dia: a lavagem da louça. Hoje, ou melhor dizendo ontem, aquilo que é normalmente feito a bufar e a pensar raios me fodam se no próximo natal não peço uma máquina de lavar louça àquele tipo gordo da Lapónia, acabou por se tornar num momento zen. É que quando já me aprestava a dar início à função, tropecei visualmente no leitor de mp3 da A.. O resultado final foi um gajo semi nú mas de avental vestido, a lavar pratos, panelas e talheres, e a ouvir Peter Murphy, Bowie e Massive Attack (para não estragar a história decidi não referir algumas músicas de gosto duvidoso que tive de gramar pelo meio).

26.5.06

Just say no

Periodicamente, e quando a inspiração para abordar outros temas falha, volto aos meus ódios de estimação. Dito assim, admito que quem me conheça fique sem saber o tema deste post, porque eu sou de facto um gajo hiper-crítico e inclusivamente já ouvi alguém que me conhece bem dizer que nunca te ouvi dizer bem de ninguém, o que mesmo não sendo 100% verdade, me fez ponderar a minha postura perante o mundo que me rodeia.Devidamente ponderada a postura e apesar de diversas tentativas de passar a ver os copos meio cheios, decidi não me conter, até porque medicamente não é bom guardar tanto fel cá dentro. Hoje, vou novamente falar dos Bush.

Tudo isto a propósito de um encontro de alto nível sobre SIDA/HIV, que se vai realizar na próxima semana nas Nações Unidas, para avaliar a evolução da situação desde a sessão especial da Assembleia Geral da ONU em 2001, sobre este mesmo tema.Ora, a preguiça leva-me a não perder tempo a procurar estatísticas que permitam pintar um quadro mais real da pandemia, mas acho que é seguro dizer-se que temos ido de mal a pior.Na África subsariana, tal como em alguns países asiáticos, o número de infectados não para de crescer. No mundo Ocidental, e apesar de impressionantes campanhas mediáticas de informação sobre a doença, não há uma alteração significativa de comportamentos de risco (como se comprova pela baixa taxa de utilização de preservativos) e pior ainda, começa a correr em sectores (felizmente minoritários) a noção da SIDA como simplesmente mais uma doença crónica com a qual se vive como se fosse uma diabetes ou uma hipertensão.Bom, mas voltando aos Bush, ficarão certamente tão impressionados como eu fiquei por saberem que a delegação dos EUA (47 elementos) vai ser liderada pela 1ª dama a Exma. D.Laura. Só com esta informação, qualquer pessoa poderia dizer que isto seria uma forma de dar relevância política e mediática a este encontro. Mas Laura não vai sózinha. Com ela na comitiva oficial estarão também notáveis especialistas no tema como a sua filha Barbara, mais versada em álcool e festanças, e uma amiga dela cujo única característica marcante é ser por sua vez filha de um amigo de George W. Mas ainda há mais. A marcar a ideologia conservadora dos Bush e a sua versão do que deve ser o combate a este flagelo, estarão vários elementos que defendem a educação para a promoção da abstinência como o único caminho a seguir, contrariando não só o senso comum e os especialistas no fenómeno como também a própria declaração da AG da ONU de 2001.
Não sei se quem virá a seguir será muito melhor, mas já não há pachorra para esta família.

notícia tirada de: the nation.

24.5.06

Cortar o cabelo

Parte III- Onde a saga chega ao seu final, não sem antes ter um clímax apropriado.

Em meados do corrente mês o inevitável aconteceu, leia-se que o crescimento da melena chegou ao ponto de se tornar incomodativa e ocasionalmente já me obrigar a fazer aquele gesto tão típico do Nuno Gomes de ajeitar a bela da madeixa atrás da bela da orelhinha. Assim sendo, lá me decidi a voltar novamente ao local do crime. Menos inquieto mas ainda não à vontade, eis que pela 2ª vez na vida entrei no dito estabelecimento que nesta ocasião estava quase vazio. Havia uma cabeleireira (a minha!, expressão que nunca pensei vir a usar), um funcionário encarregue da lavagem dos cabelos (o já referido T.), uma estagiária em formação e uma cliente. A cabeleireira estava à conversa com a cliente e quando me viu ao balcão chamou o T. para me atender, assim comprovando o célebre ditado de que ninguém foge ao seu destino, ou na tétrica versão da família G., quem tem de morrer de um tiro não morre de uma facada. Como se de um filme de série B se tratasse, eis que surge então o momento por todos já adivinhado (pelo menos por aqueles se deram ao trabalho de seguir a série desde início), em que iria ser posta à prova a viril masculinidade deste amigo que ora vos escreve, um criado ao vosso dispor.
Começámos logo à grande, visto que em resposta à dose extra de vigor e de desbragada testosterona que propositadamente coloquei na minha metade do aperto de mão, o T. respondeu com um estilo de mão morta, viscosa e mole, que me deixou na dúvida se a ideia seria apertá-la ou osculá-la. Bom, mas passemos à frente…Tal como temia, o passo seguinte foi a lavagem do cabelo. Enquanto a cadeira em que me sentei se reclinava e lentamente dava instruções às suas molas para que me começassem a massajar as costas, cumprindo deste modo os desígnios do seu criador, ocorreram-me de forma quase simultânea 2 pensamentos:
O primeiro - que tanto a A. como outras amigas mulheres já me tinham dito que Ah, o T. é fabuloso! Aquelas mãos, aquela massagem…é quase orgásmico…;
O segundo: - aquele episódio do Seinfeld em que o George (claramente a personagem mais interessante) andava angustiado com medo de ser um homossexual reprimido porque tinha ido a um massagista e sentiu movimento lá por baixo (acho que as palavras dele foram I think it moved).
Animado por estas ideias e contrariamente ao usual aumento do peristaltismo intestinal vulgo vontade de cagar, que normalmente me acompanha numa situação de grande stress, fui literalmente assaltado por um violento ataque de riso que consegui controlar fincando, sem remorso ou piedade, os dentes superiores no lábio inferior. Alheio ao drama que se desenrolava, o T. continuava o seu trabalho. Diga-se por ser verdade, e também porque eu posso ser parvo e ter a mania que até tenho piada mas na realidade não sou homofóbico, que o tipo sabe da poda e tem de facto umas boas mãos. Mesmo assim, e após mais ou menos 300 segundos que me pareceram uma eternidade, a lavagem/massagem capilar lá acabou e eu lá me levantei da cadeira. Posso anunciar com indisfarçável orgulho, extrema felicidade e evidente alívio que passei incólume por este momento de provação. Não houve nenhum tipo de movimento lá por baixo. Nada. Zero. Niente. Nem uma agulha buliu na quieta melancolia dos pinheiros do caminho. Mais uma vez peço que compreendam que a alegria sentida não tem nada de homofóbico, apesar do meu longo historial de cinismo gratuito para com o fenómeno do rabetismo galopante que vem assolando a nossa sociedade. A questão é que com 30 anos, casado, pai de família e com cada vez mais contas para pagar, confesso que não tenho nem vida nem paciência para descobrir que olha, olha, afinal sou gay. Não seria propriamente o fim do mundo, convenhamos que seria pior descobrir uma súbita vocação para padre ou uma vontade incontrolável de aderir ao PP, mas que iria dar uma carga de trabalhos lá isso iria.
Para finalizar acrescento que o corte de cabelo em si não merece que com ele se perca muito tempo, mas ainda assim não deixou de ter o seu quê de incomodativo. Nos idos tempos das idas ao barbeiro, um tipo ou naturalmente falava de futebol ou naturalmente estava calado, sem que passasse pela cabeça do cliente e do barbeiro sentirem-se incomodados com eventuais momentos de silêncio. Aqui não. A cabeleireira está firmemente convencida que é essencial para a qualidade do atendimento que não haja tempos mortos. É preciso falar. Sobre o tempo, sobre a família, sobre o que for, mas é forçoso que o cliente não se aborreça. Como não tive a lata de lhe dizer olhe lá, eu até agradeço a sua simpatia e tal e coisa mas o que gostava mesmo era que se calasse um bocadinho para eu poder ler o meu jornal, fui obrigado a levar com uma ensaboadela de 20 minutos de conversa de circunstância de sentido único, que fui interrompendo com os ai sim e os pois é que julguei essenciais para não fazer figura de mal criado. Contrariamente ao que alguns poderiam esperar, não há lugar nesta história para madeixas, extensões, brushings (?) ou frisanços de cabelo.
No fundo, ir ao estabelecimento é como ir ao barbeiro, só que com muito mais higiene.
De cabeça bem levantada e com as mãos naturalmente no prolongamento dos braços, por sua vez masculamente colocados ao lado do tronco, abri a porta e saí.

19.5.06

Cortar o cabelo

Parte II- Onde se fala da visita e se dá conta das sensações vividas. Onde se introduz na trama a personagem T.

Entrei no dito cabeleireiro, que doravante designarei como o estabelecimento, que é um termo mais neutro e não mexe com a minha já de si debilitada e ferida masculinidade. Ora então, já dentro do estabelecimento, dei por mim dirigindo-me para o balcão de atendimento, como um touro para a lide que desconhece ou um inocente a assobiar para o cadafalso. Parei e olhei em volta. Para início de conversa tudo o que era expositores e estantes estavam cheios de produtos como rimels (?), batons, ceras depilantes, geles fixantes e outras merdices tais. Como se isto já não fosse suficiente o estabelecimento estava cheio de mulheres. Havia altas e baixas e magras e gordas. Havia adolescentes e mulheres em idade parideira e mulheres pós-menopaúsicas com cara de fãs do Júlio Iglésias. Havia uma criança, também ela do dito cujo sexo, que corria impaciente de um lado para o outro espalhando as suas barbies(?) ao deus dará. Havia uma noiva, santo deus. Mulheres a fazer madeixas, mulheres a fazer permanentes, mulheres na manicure, na secagem do cabelo e enroladas em papel de prata como se fossem um legume no frigorífico. Lia-se a Caras, a Vogue, a Nova Gente, as televisões estavam todas sintonizadas no canal Fashion. Falava-se de roupa, de cabelo, de estilos de cortes e de produtos capilares. Estavam todas a olhar para mim. Todas! Até mesmo as que estavam aparentemente de costas. Elas disfarçavam daquela forma que só as mulheres conseguem disfarçar, mas eu, marinheiro viajado no imprevisível e tormentoso oceano que é a psique feminina, sabia que era o foco das atenções. Mas de uma forma negativa, como se tivesse arrotado à mesa num jantar de gala ou dado um sonoro traque no meio duma qualquer aula.
Estranhamente, não parecia haver cabelos no chão. Não havia jornais desportivos, não se ouvia falar alto, ninguém discutia a arbitragem do jogo anterior, o próximo reforço ou o eventual despedimento do treinador. Até me ofereceram um café. Estabelecimento unisexo? Nem por sombras. Era eu contra o mundo. Bom, em abono da verdade era eu e o T. O T.! Como classificá-lo sem incorrer num excesso de homofobia? Metrosexual, mas daqueles que gosta de homens? Maneirento? Demasiado cheiroso e claramente sobre-penteado? Saiu do armário, saltou a vedação, virou boiola, emveadou? Bom, deixemos o T. tranquilo por algumas linhas. Ele voltará. Esta 1ª visita (sim, sim, é verdade que já lá voltei…) não terminou sem que antes me tivessem tirado uma foto. Sal na ferida, meus amigos, sal na ferida. Sorria, disse ela quando viu a minha cara de parvo a olhar para a máquina. Tentei, ou pelo menos tenho a vaga noção que os meus músculos se contraíram com essa intenção. Ela disse que tinha ficado muito bem. Não era preciso. Uma imagem vale mesmo muitas palavras, mesmo que não sejam mil, e afinal a máquina só apanha o que tem à frente.Como o difícil já estava feito, mergulhei de cabeça nesta nova experiência e dei o passo que me faltava. Comprei produtos! Um frasco de fortificante para aplicar de pipeta antes de deitar, vulgo estrume capilar, ao módico preço duma bela garrafa de vinho tinto e um champô ideal para o meu couro cabeludo. Suspirei fundo, cansado por este excesso de contacto com o meu lado feminino. De mãos nos bolsos e algo cabisbaixo, abri a porta do estabelecimento e saí. Cá fora estava sol.

(continua…)

17.5.06

Cortar o cabelo

Parte I- Onde se explica e contextualiza a coisa, e onde se levanta o véu sobre o que se vai seguir...

Durante grande parte da minha vida cortei o cabelo no Salão Luso, uma barbearia só para machos que ficava lá perto de casa. Desde cedo me comecei a habituar a ir sozinho. Chegava, alapava o cú no sofá, escolhia o desportivo que estivesse disponível e mal abria uma vaga em qualquer um dos 3 tipos que lá trabalhavam lá ia eu. Quando me perguntavam e então jovem como vamos cortar? eu, pequenino e ladino, respondia sempre da mesma maneira: curto mas não demasiado. Durante os anos da adolescência e do acne juvenil tive vontade de rapar o cabelo como os tropas que ia vendo em esporádicas viagens de comboio ou enquanto andavam à cata das melhores prostitutas nas esquinas da zona, mas quando me sentava e abria a boca para dizer ao que ia saia-me o mesmo curto mas não demasiado de sempre. Já depois de sair da faculdade, homenzinho feito, casado de papel passado e tudo, quis o destino (e a minha mulher) que nos instalássemos noutra cidade, o que inevitavelmente contribuiu para me livrar do hábito/vício que era o Salão Luso. Assim sendo, numa atitude que teve tanto de coragem como de estupidez natural, pedi emprestado ao P. a sua máquina de cortar o cabelo. Confesso que ainda tive vontade de me auto-tosquiar, assinalando devidamente o meu capilar Grito do Ipiranga, mas acabei por ter juízo e pedi à A. que fizesse as honras. Aqui chegados, diga-se eufemisticamente falando que a coisa não correu bem. Inexperientes na difícil arte do manejo da dita roçadoura, nem eu nem a A. nos apercebemos que o corte estava a ser efectuado com a maquineta ao contrário, ou seja, sem as protecções e sem respeitar o tamanho desejado. O facto de imediatamente após o 1º contacto da máquina com o meu cabelo, a A. ter soltado um ai o que é que eu fiz? não augurava nada de bom e de facto, apenas 20 minutos depois e já com a entrada em cena da C., chamada qual 112 para tentar remediar o irremediável, eu tinha à minha frente no espelho da casa de banho um gajo com umas orelhas tipo dumbo e com uma semelhança gritante entre o tamanho da barba e do cabelo. Enfim, um ovo, um melão, um verdadeiro pêssego careca.
A verdade é que me habituei rapidamente ao novo estilo. Nunca estava despenteado, deixei de gastar dinheiro em champô e não havia caspa, piolho ou lêndea que me chegasse. Até que em Fevereiro do ano da graça de 2006 cedi finalmente a pressões de todos os quadrantes para que deixasse de me tosquiar e recorri pela primeira vez em 30 invernos (porque carga de água é que se há de dizer sempre primaveras?) a um cabeleireiro. Unisexo sim, mas cabeleireiro ainda assim. Engolindo em seco e ignorando aquela irritante vozinha, que todos os machos embebidos num espírito testosterónico ouvem, e que me dizia olha que isto é coisa de gajas ou de metrosexuais com dúvidas, olha que por este andar ainda acabas a cagar de esguelha…, lá fui cabisbaixo e de mãos nos bolsos.

(continua…)

Uma boa notícia

Hoje, quarta-feira dia 17 de Maio, é o tax freedom day. Traduzindo por miúdos, a má notícia é que todo o trabalho que fizemos desde o início do ano foi para pagar a nossa fatia dos impostos relativos a 2006. A boa nova é que daqui para a frente começamos a trabalhar para nós próprios. Como termo de comparação, diga-se que em 2005 este dia foi assinalado a 14 de Maio pelo que se constata sem surpresa que vamos pagar mais impostos este ano.

15.5.06

Ontem comi dobrada. Mas o fim-de-semana também teve partes indigestas.

Ponto 1- Continuo sem saber muito bem como classificar Adriaanse. Ou seja, quando penso em algumas das opções que tomou ao longo do ano (despachar o J. Costa, apostar no Bruno Alves(??), deixar o Paulo Assunção esquecido durante meses) e quando olho para a equipa titular que escolheu ontem (Alan de início, Anderson a jogar mais recuado que o Lucho, 6 jogadores claramente de ataque contra um Setúbal que já se sabia ia defender com 11 no seu meio-campo e tentar o contra-ataque), inclino-me a pensar que o gajo é meio louco, mas a verdade nua e crua é que ganhámos. O campeonato e a taça. Assim sendo, sou forçado a conceder que ele deve ter razão e eu não. Bom, antes assim que ao contrário.

Ponto 2- a não ida do Quaresma ao Mundial, a confirmar-se, é uma vergonha. Num ano em que foi o melhor jogador português do campeonato e em que surpreendeu ao tornar-se um verdadeiro jogador de equipa, só 3 ordens de razões podem justificar esta apesar de tudo previsível decisão de Scolari: 1- não vai porque é do Porto e já se percebeu que Scolari precisa/prefere viver em guerrilha; 2- não vai porque não interessa à Nike e a alguns empresários; 3- não vai porque nunca fez parte do "plantel" de Scolari e ele não quer introduzir alterações de última hora.
Eu, amsa, que nunca gostei do homem, aposto em parte na 1ª mas essencialmente na 3ª razão. Scolari escolheu desde cedo alguns jogadores, formou um grupo de fiéis e daí não sai. O que importa que Quim, Maniche e Hugo Viana praticamente não tenham jogado nos últimos meses? Que Figo e Simão estejam em má forma? Que Costinha nem sequer tenha clube desde Janeiro? Que Boa Morte nunca tenha feito um jogo de jeito pela selecção? Como acima de tudo quero que Portugal ganhe, espero que não importe nada, ou por outras palavras, espero que tal como em relação a Adriaanse seja eu a estar totalmente enganado.

P.S. - a inclusão de Ricardo Costa na lista, a confirmar-se, é quase ridícula e tresanda a justificação pífia do estilo estão a ver como eu até convoquei um jogador do FCP? Teria muito mais lógica ir buscar Pedro Emanuel (pela experiência e com a vantagem de ser também do FCP) ou Tonel pela boa temporada que fez.

12.5.06

Tugas no Hospital

Um tipo alcoólico já com 2 ou 3 filhos e nada desejoso de ter mais algum, chega ao Hospital e diz ao médico que quer que "liquidem as trombas à mulher".
Um outro senhor diz que lhe fizeram um "clister ao papo".
Uma senhora está deitada numa maca à espera que lhe seja feito um exame radiológico interno que involve a introdução dum cone, emissor de rx, pela vagina. O médico conversa com ela para lhe explicar o procedimento e diz-lhe para não se preocupar que vai colocar um preservativo. Ela interrompe-o prontamente: "ò dr. esteja à vontade que eu já fiz laqueação de trompas".

Como dizia outro dia o Folha Seca (que me contou as duas primeiras situações), só entendemos as coisas à luz do que conhecemos.

10.5.06

A Francesinha- uma declaração de amor

Depois de algum tempo sem comer uma, tempo demais, anteontem aproveitei uma esporádica visita ao Porto e matei de uma vez só a fome e a saudade.
Qualquer pessoa que visite a Invicta, a minha cidade, a minha terra, as minhas gentes, não deve deixar de visitar Serralves, não pode perder a Casa da Música, a Foz e as suas esplanadas, a Ribeira e o Parque da Cidade, entre outras atracções mais ou menos turísticas.
Mas também não a pode abandonar sem experimentar os seus pratos mais típicos: as tripas à moda do Porto e a fabulosa francesinha, a nadar em molho e obrigatoriamente acompanhada por um ou mais finos bem gelados, de preferência sem camarões, ovos estrelados e outras merdas tais. Com o meu humilde saber de tripeiro comedor de francesinhas, deixo à vossa consideração aqueles que para mim são os 2 melhores locais para degustar a dita: o Capa Negra (na zona da Galiza) e o Bufete Fase (em Santa Catarina, com o seu balcão mínino e as suas 4 mesinhas).

8.5.06

Os novos guerrilheiros

As FARC são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, uma guerrilha de inspiração marxista. Num esforço de adaptarem a sua luta aos tempos modernos as FARC têm aderido às novas tecnologias. Para além de filmarem as suas acções militares, legendadas em 14 línguas e distribuídas pela América Latina e Europa, também realizam desenhos animados em 3D, tendo criado um "superguerrilheiro" para seduzir os mais jovens. Apostaram ainda no lançamento de Cd's, DVD's e CD-ROM interactivos e preparam-se para lançar um jogo de vídeo, recorrendo a uma produtora especializada dos EUA.
Um caso típico de boa adaptação ao progresso e à globalização...

Resta-me esclarecer que não tenho nenhum tipo de simpatia pelas FARC e suas acções e que desconheço o contexto político-social vivido na Colômbia.

P.S.- Este post foi totalmente baseado numa notícia do Courrier Internacional.

Mais uma sugestão

Evitei até à última tomar este passo. Algo me dizia que seria um erro, um desperdício de tempo e dinheiro. Ontem decidi que não iria voltar novamente de mãos a abanar de uma ida ao clube de vídeo e, depois de meses de estóica resistência, lá me resignei por falta de outras opções a alugar o King Kong.
Fica a sugestão, não o façam. Não há pretexto ou circunstâncias que o justifiquem. Nem os efeitos especiais nem sequer a Naomi Watts valem a banhada.

6.5.06

A paranóia continua

Quem me conhece sabe que há várias pessoas e várias coisas de que não gosto. Entre outras coisas, não gosto de cerveja quente, de reality shows, do João César das Neves, do Benfica, do Algarve em Agosto, de camarões na minha francesinha, de pipocas no cinema, do CDS-PP e do seu deputado clearasil, do Lucílio Baptista, de farinha de pau e do Rui Rio (que mais uma vez, e com inteiro mérito, se torna alvo dos meus maus fígados).Já sabíamos há anos que durante o 1º mandato o Dr. Rio se revoltou contra o jornal Público, acusando-o de perseguição. Já sabíamos que, num acto revelador de um espírito democrático incomum, Rio decidiu que no seu 2º mandato os vereadores só responderiam a entrevistas por escrito (assim tipo carneiros a aguardar a aprovação do seu pastor para poderem balir).

Hoje vi na RTP o Dr. Rio a denunciar um campanha orquestrada contra a sua pessoa e levada diariamente a cabo pelo JN. A notícia em questão é relativa à ligação Rui Rio- chefe de gabinete- PDM- Boavista Futebol Clube, que estará a ser alvo de investigação policial.Como é evidente não faço ideia quem tem razão, mas como o Público e o DN também publicaram a notícia podemos concluir que o polvo que pretende derrubar o Dr. Rio é formado por estes 3 jornais de referência do País.

O que me enerva ao ponto de me eriçar os pêlos (que como já disse várias vezes ainda para mais são muitos) é a postura de Rui Rio, um verdadeiro bastião de moral e rectidão nesse mar de lama e perversidade que é a cidade do Porto, isto a fazer fé nas teorias dele.

3.5.06



Estou muito longe de ser um melómano. Nem sequer tenho muito o hábito de assistir a concertos ao vivo. Mas influenciados pela paixão e pelo entusiasmo da minha cunhada H., eu e a A. (ou de forma mais cavalheiresca, a A. e eu) lá tirámos os rabos do sofá, deixámos o puto nos avós e fomos ver este grupo com nome de arma de assalto.

Para além das 2 ou 3 músicas que conhecia da rádio, não sabia bem o que esperar nem como catalogar o género musical. Para tentar evitar o post tipo lençol posso dizer-vos desde já que o concerto foi excelente e que, numa comparação necessariamente simplista, A Naifa está para o fado como os Gotan Project para o tango. Uma abordagem desempoeirada, com base electrónica, de poemas fora do comum, sussurados, falados e cantados por uma vocalista (Maria Antónia Mendes) que é um portento de voz e interpretação. Em relação aos restantes elementos do grupo, e confirmando as suspeitas que se foram avolumando ao longo do espectáculo, descobri no final que o baixista é o Aguardela, aquele tipo dos Sitiados (???) que parecia estar constantemente speedado, e o guitarra clássica é o Varatojo, o dos Despe e Siga (???), grupos não propriamente sinónimos de música de alta qualidade.

Ora, esta situação força-me a ponderar com mais cuidado a forma excessivamente crítica como olho para alguns performers da actualidade. Quem me pode garantir que daqui a alguns anos não estarei a assistir com gosto a um concerto do João Pedro Pais? Ou dos EZ' Special? Confesso que isto me inspira algum medo...

26.4.06

Presidente Cavaco

O 1º discurso de 25 de Abril do novo Presidente suscita-me 2 comentários:
- o facto de ter ido sem um cravo na lapela é-me algo indiferente (apesar de achar que o devia ter usado).
- o facto de o discurso ter sido à Sampaio, cheio daquelas generalidades, apelos e boas intenções que normalmente não levam a nada, soube a pouco.
Será estratégia, tipo lobo em pele de cordeiro? Virou socialista? Ou será que depois de tanto alarido, Cavaco vai cair no formalismo discursivo e na irrelevância relativa do cargo de PR, que "vitimaram" Sampaio?

World Press Cartoon 2006- em Sintra

25.4.06

O animal. A frase.

O 1º voltou, mas agora com dentes.
A 2ª foi em resposta a um daqueles pobres repórteres que têm que cobrir a festa:
- então, a Srª. gostava do Adriaanse desde o início?
- eu gostava, mas nunca pensei que fossêmos ir ser campeões.

Eu também não.
Muito mais que treinadores, jogadores ou presidentes, viva o FCP, a minha única fé.

21.4.06



Não pretendo dar uma de elitista. Aliás, só li 2 números deste jornal. O 1º contacto aconteceu há 15 dias porque em dia de aniversário o jornal era gratuito e eu não resisti. Como me deparei com uma reportagem fabulosa sobre as perspectivas da longevidade da vida humana, para além de outros artigos interessantes, decidi começar a comprá-lo.

Assim sendo, meus amigos, fica a sugestão: hoje 6ª feira, em vez do jornal do saco de plástico comprem o Courrier Internacional. É mais fácil de ler, mais fácil de transportar, mais amigo do ambiente (só tem +- 1/3 do papel) e ainda vos sobra dinheiro para um café.

20.4.06

Filosofia de bolso

Há uns meses constatei que às vezes quando sou eu próprio, sou um bocado impróprio.
Voltando a debruçar-me sobre o assunto, concluo que pior que ser às vezes inconveniente é ser sempre conveniente. Tipos destes ou são hipócritas ou são totalmente desprovidos de interesse.

...

É uma constatação algo triste, mas a verdade é que quando um acidente de viação causa a morte a uma figura pública ou a uma figura publicamente conhecida como o tipo dos moranguitos, isso tem um efeito superior a qualquer campanha de segurança rodoviária.
Tudo porque se consegue associar uma cara à estatística, contrariamente ao que acontece por exemplo com os outros 9 mortos da Operação Páscoa.

E porque não o bruxo de Fafe?

O director do futebol do Real Madrid, Benito Floro, sugeriu à radio Cadena Ser as contratações do médio internacional inglês Stevan Gerrard, capitão do Liverpool, e do treinador alemão do Getafe, Bernd Schuster, para relançar o clube da capital espanhola.
(tirado das notícias na hora do site www.ojogo.pt)

De há uns anos para cá, o outrora glorioso Real Madrid limita-se a ser um entreposto de fazer dinheiro, via venda de t-shirts na Ásia, e agora chega ao cúmulo de anunciar quem pensa contratar na rádio ou nos jornais, ao estilo das nossas recentes OPA's.
O que virá a seguir?
Vão angariar sócios através de promoções de desconto na gasolina?

18.4.06

Berlusconi. no seu melhor...

Este tipo foi eleito primeiro-ministro por 2 vezes, governou a Itália durante 6 ou 7 anos e mesmo agora, apesar de ter perdido, mereceu quase metade dos votos expressos...
Perante isto, até a Fátima, o Avelino e o Alberto João parecem políticos sérios.

Com a devida vénia ao RBM, que me mandou isto para o mail.

Mistérios da fé

Facto: esta 6ª feira em Olhão populares em fúria contra a decisão do padre de não realizar a tradicional procissão pascal, obrigaram a uma intervenção policial para evitar a invasão da Igreja e eventuais confrontos com o senhor cura. Em Sendim, e pelo mesmo motivo, foi roubada a chave da sacristia.

Opinião: A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) nunca se esforçou por estimular o espírito crítico e o livre pensamento entre os seus seguidores, muito pelo contrário. Ao longo da sua já mui longa história, desde as perseguições aos que sentiam a fé de uma maneira diferente da sua, às missas em latim para manter a distância e afastar o risco de dissidência, passando pelos variados dogmas, pela forma altamente ritualizada como exerce a sua acção e acabando na dificuldade de adequar o seu discurso aos problemas e às realidades do mundo actual, a ICAR sobrevive e prospera porque consegue incutir na maioria dos crentes uma habituação e um apego muito marcado aos seus diferentes ritos. Esta forma de estar tem como consequência última, na minha opinião, o esvaziar de conteúdo e significado os actos e as palavras de muitos dos católicos, produzindo aquilo a que poderíamos chamar de fé acrítica e de tipo robótico. Ou seja, um distanciamento progressivo entre aquilo que cada um professa dentro da Igreja e aquilo que faz cá fora.
Só assim é possível compreender que pessoas que vão à missa regularmente, que comungam, que se confessam, que fazem gala do uso dos seus crucifixos e questão de baptizar e educar os filhos segundo os ensinamentos da Igreja, sejam capazes de roubar e de tentar agredir o próprio padre em nome duma qualquer tradição, sem perceberem a insanável contradição que há entre estas actitudes e a religião do amor e do perdão que dizem professar.

15.4.06

Desabafos em azul e branco

1- o jogo em si não foi grande coisa e pode resumir-se rapidamente dizendo que o Leiria jogou melhor na 1ª parte; o Porto teve sorte em chegar ao intervalo a ganhar, mas controlou sem problemas a 2ª parte; o Sr. de amarelo fez aquilo que se esperava tendo em conta o seu historial e mal teve oportunidade tentou influir no desfecho do jogo expulsando o Lucho (que aliás está nitidamente em auto-gestão para o Mundial).
2- não sei se foi visível na TV ou se os comentadores chamaram a atenção para a situação, mas o pormenor verdadeiramente interessante da noite ocorreu aquando dos festejos do golo portista. Enquanto toda a equipa estava fora das 4 linhas abraçada a Adriaanse, já o Leiria e o Sr. de amarelo estavam prontos para o reinício. Segundo as leis do jogo, mal os jogadores do FCP estivessem de novo dentro de campo e independentemente do seu posicionamento, o Sr. de amarelo poderia autorizar o recomeço (tal como as vezes acontece deixarem marcar livres sem aviso...). Podem dizer que isto nunca aconteceria, que eu estou a ser paranóico, que seria algo nunca visto, mas a verdade é que houve alguém que se lembrou que isso poderia suceder. O provável reforço da selecção angolana no Mundial, aquele ex-boavisteiro com justificada fama de caceteiro e que é hoje em dia capitão do FCP, deixou-se ficar tranquilamente ao longe a bater palmas, mas ostensivamente bem dentro do meio campo do Leiria por forma a não permitir o recomeço do jogo. Só quando os restantes 9 jogadores de campo se voltaram a posicionar correctamente é que Pedro Emanuel, sem grandes pressas, ultrapassou a linha de meio campo. A atitude pode ter ido irrelevante, pode até ser interpretada só como excesso de zelo ou estar a ser sobre-valorizada por mim, mas mostra uma experiência e uma atenção ao detalhe que são pouco comuns.
3- merece também ser realçada a atitude extremamente corajosa e profissional de Adriaanse, neste seu momento mau demais para ser verdade.

P.S.- e faltam 4...

14.4.06

Homilia de um ateu

Não querendo ser ofensivo para com os mais crentes, olho para o fim-de-semana pascal de uma forma eminentemente pragmática.
Qualquer feriado que calhe a uma 6ª feira merece a minha simpatia, sendo que chamarem-lhe Santa a mim não me aquece nem arrefece. Já quanto ao Sábado, como a A. e eu chegámos à conclusão pelas frustantes experiências de anos anteriores que não valia a pena ter o estaminé aberto, é também ele e contrariamente ao habitual um dia de descanso para mim. O ser de aleluia para outros novamente não me aquece nem me arrefece ou como diriam os espanhóis (que nestas coisas das expressões estão um bocado à nossa frente) me da igual.
O Domingo pascal propriamente dito é um dia que me agrada, já que não só se junta muita da família (o que é agradável por si só mas também por acontecer poucas vezes, caso contrário poderia ser algo cansativo...) como normalmente se come cabrito e se acompanha o bicho com vinho tinto dos bons (daquelas refeições das quais se pode dizer "carne no prato e carne no copo").
Quanto à passagem do Compasso, tudo na boa e na paz do Senhor desde que não apareçam cedo demais e comam de boca fechada.
Já as famosas Amêndoas são uma tradição que faço sinceros votos para que se mantenha, quer pelo seu carácter altamente cariogénico quer pela sua grandemente subvalorizada capacidade de provocar lascas, fissuras, rachadelas e/ou fracturas nos dentes dos incautos que trincam em vez de chupar. Por aqui me fico, à laia de sugestão pascal...

12.4.06

Publicidade enganosa

Na Indonésia houve manifestações violentas contra o lançamento do 1º número da Playboy. Contrariamente aos que vêem neste acontecimento mais uma manifestação de intolerância por parte dos muçulmanos, eu não só compreendo como me solidarizo com eles.
Estavam à espera de quê? Depois de décadas de ansiedade, de angústia, enfim de uma longa e torturante espera por este símbolo máximo da cultura ocidental, os indonésios levam com uma revista em que só há tipas de bikini e em que nem sequer foram permitidas poses provocantes. Naturalmente sentiram-se descriminados e revoltaram-se. Fizeram eles bem. Nós por cá estamos sempre a dizer que um homem tem necessidades...

11.4.06

Descarga de bílis

Acabei de ver a última hora do Prós e Contras. Apesar de já conhecer algumas das opiniões do João César das Neves confesso que me sinto chocado. O conteúdo das afirmações aliado à forma petulante, mal educada e mesmo viscosa como se comportou com os outros participantes obrigou-me a voltar a ligar o computador, pela simples razão de me ter dado conta que apesar de ser um fervoroso praticante da arte do escárnio e maldizer, estranhamente nunca postei nada sobre este personagem.
Assim sendo, para recuperar a paz de espírito e poder dormir tranquilamente, serve a presente para corrigir o lapso e declarar que na minha opinião o Exmo. Professor João César das Neves é um perfeito idiota.

9.4.06

Cada cavadela cada minhoca

Li aqui que Freitas do Amaral, aquele pavão narcísico que faz de Ministro dos Negócios Estrangeiros, vai faltar pela 7ª vez em 12 meses à reunião dos MNE da UE.
Ou as reuniões da UE não servem para nada, o que já se suspeita há muito tempo...
Ou o nosso MNE não serve para nada, e devia ser despedido com justa causa como medida SIMPLEX de desburocratização e combate ao défice...
Ou as duas premissas anteriores juntas...

Desabafos em azul e branco

Breves notas sobre o clássico de ontem:
1-os jornais desportivos da capital andaram durante semanas a salivar com a perspectiva de o Sporting poder em caso de vitória passar para a frente do campeonato, caso a diferença pontual antes do jogo se mantivesse em 2 pontos. Como em várias outras ocasiões anteriores, esqueceram-se da possibilidade de o Porto, em teoria, poder praticamente arrumar a questão se ganhasse.
2-o Paulo Bento foi a maior surpresa da noite, já que em vez do habitual discurso Sportinguista versão Dias da Cunha de em caso de derrota espingardar sempre, com ou sem razão, contra a arbitragem e o "sistema", admitiu o óbvio: o Porto é, neste momento, melhor equipa.
3-já o prémio de faccioso mor terá que ir de forma meritória, por unanimidade e aclamação, para o Manuel Fernandes, cuja suposta isenção nos comentários só fica a perder para o Jorge Coroado, auto-proclamado mega especialista em arbitragem, campeão do anti-portismo e verdadeiro baluarte moral da pala nos olhos.
4-o Sporting limitou-se a tentar controlar o jogo e a esperar, de forma matreira, por um erro portista que lhe desse vantagem. Se em cada um dos jogos anteriores apareceram Pepe e Cech a fazer-lhes o jeito, ontem a concentração foi total e o melhor que o Sporting conseguiu, a jogar em casa perante 50 000 adeptos, foi uma semi-oportunidade daquele enorme jogador chamado Moutinho (como é possível pensar em levar o Hugo Viana ao mundial e deixar este miúdo de fora?)
5-o Porto, sem fazer um jogo extraordinário, ganhou porque usou melhor as mesmas armas que o Sporting tem vindo a rentabilizar: grande concentração defensiva, pragmatismo táctico, pressing e cinismo na hora de aproveitar as poucas oportunidades que surgem em jogos assim. Mesmo não gostando nada do homem, há que dar mérito ao Co Adriaanse.
6-a arbitragem foi péssima para os 2 lados. Resumidamente: a) houve amarelos mal mostrados (Lisandro, Deivid, Quaresma); b) admito que a entrada do Quaresma sobre Tonel seja para vermelho directo mas então, com o mesmo critério, a do Sá Pinto sobre o Lisandro também o era; c) os dois amarelos seguidos ao Bosingwa (que devia ter visto um na 1ª parte por falta sobre Liedson) são ridículos, sendo que no 2º não só não há falta como o Liedson parece arrancar em ligeiro fora-do-jogo;
7-é deprimente tentar, como vi fazer ontem na TVI, arranjar um penalty por suposta mão do Jorginho (só se lhe deu com um pêlo do antebraço...), e ignorar um lance bem mais duvidoso entre Caneira e o mesmo Jorginho na área do Sporting. Haja paciência...

7.4.06

Só a mim...

Presumo que o gajo que inventou o provérbio "o barato sai caro" não tenha tido em vida a devida consideração, mas para mim é sem dúvida um génio póstumo.
Na recente ida a Paris optei pela 1ª vez por viajar através da Ryanair. Na viagem de ida tudo correu bem, se descontarmos o atraso de quase 2 horas na saída. Chegámos a Beauvais, um aeródromo travestido de aeroporto a 80 km's da cidade luz e apanhámos um autocarro merdoso, travestido de transfer, até lá. Já a viagem de regresso, essa, ulálá, foi outra história completamente diferente.
Tendo sido marcada há meses, acabou por calhar em cheio no fatídico dia 4 de Abril, infelizmente escolhido pelos "enfants de la patrie" para mostrar a sua conhecida propensão para o protestantismo militante (o que em relação ao caso em apreço, não lhes tira razão). Acordámos (eu e a partner) às 5h e apanhámos 2 metros para chegar ao local de partida do transporte para o aeroporto às 6h20min. Aí chegados antes do nascer do sol, damos de cara com um tipo cuja única identificação era o kispo a dizer aeroporto e que, ao ar livre e em pleno parque de estacionamento, nos informa num inglês que com a dose extra de simpatia que por essas horas ainda tinha em stock posso classificar de macarónico que: "airport closed" e que "no flights" tudo isto devido à "strike". Perante isto, optámos por nos dirigirmos ao Aeroporto Charles de Gaulle, juntamente com duas portugas que já tinham passado todo o dia anterior a tentar também elas sair de alguma forma daquela fantástica cidade. E chegados ao Aeroporto, meus amigos, descobri alguns factos interessantes sobre o mundo das viagens aéreas, que resumidamente passo a partilhar.
Saberão vocês, porventura, qual é a diferença num bilhete de ida Paris-Porto entre aquela irritante e difusa categoria dos jovens e os outros, meros adultos? A resposta é 669. Euros. Os mesmos que separam os 131€ da taxa aplicada aos 1ºs dos 800€ cobrados aos 2ºs. Como se isto não fosse já suficientemente ridículo, viemos ainda a descobrir que caso optásssemos por comprar bilhetes de ida e volta estes ficariam por 557€, ou seja, 2 viagens custariam neste caso menos 243€ que uma só, o que vem dar razão aquele outro génio póstumo que relacionou a lógica com um conhecido tubérculo.
De mãos na cabeça e a fazer um esforço sobre-humano para não verbalizar a apreciação que por esta altura já me mereciam os grevistas em particular e La France em geral, eu e a fiel partner decidimos explorar outras hipóteses, nomeadamente fazer a viagem em TGV (obviamente também bloqueado, que os camelos quando fazem greve não brincam) e, como a esperança é a última a morrer, o eventual aluguer de um carro (pelo qual nos pretendiam cobrar cerca de 800€, o que me permitiu concluir que tal como nos aviões, se o carro for só de ida é muito mais caro...)
Perante a perspectiva de voltar para uma Paris bloqueada, sem metro e sem hotel onde ficar, juntamente com a real possibilidade de perder mais 2 dias de trabalho, decidimos num acesso de loucura e de novo riquismo bacoco estourar 1.114€ para voltar.
Assim sendo, resta-me dizer que vivam os direitos adquiridos, vivam as greves que eu nunca fiz, vivam os jovens estudantes dos liceus e os comunas dos sindicalistas que lhes mexem nos cordelinhos, viva a "racaille" que atira pedras, assalta lojas e rebenta montras, viva o CPE e o novo esclavagismo, enfim vive la France e os jovens menores de 25 anos, que podem ser tratados como cães no mercado de trabalho mas merecem taxas fantásticas se decidirem viajar de avião.

31.3.06





Amanhã estarei aqui. A pôr em prática os meus vastos conhecimentos de francês. Pfffff...ulálá.....ódidon.....ahméçaalor....

30.3.06

Como????

Norton de Matos, ex-treinador do Vitória de Setúbal, sobre Moretto e o seu jogo de pés: "É talvez o guarda-redes que melhor joga com os pés" e "É verdadeiramente um ponto forte e o que me fez ir buscá-lo ao Brasil".
Em tantos anos de futebol, de Gabriel Alves, de Jardel, de João Pinto (o do FCP) e outros que tais, nunca tinha ouvido nada tão ridículo. Pela magnitude da estupidez natural e pela coragem em demonstrá-la desta forma tão brutal , saúdo-te, ò Norton, e prometo seguir com mais atenção as tuas intervenções.

29.3.06

Fanáticos vs. desenhos animados

Abomino a neutralidade. Não suporto aquele tipo de gente que faz o pino para não ter que dar uma opinião definitiva sobre alguma coisa ou aqueles que numa simples conversa de amigos ou conhecidos esperam sempre pelas ideias dos outros antes de abrir a boca. Tento não deixar que o conhecimento parcial que possa ter de um qualquer eventual assunto me impeça de pelo menos lançar para o ar uma posta de pescada, na convicção de que quando erro não me limito a meter a pata na poça mas sim o corpo inteiro.
Fiel a esse princípio, eis que me apresto a passar sentença sobre algo que só conheço pela rama: a Cientologia. Sei que foi fundada por um iluminado qualquer há uma série de anos, sei que enriquece à custa dos pagamentos que vai sugando aos aderentes, sei que é contra a utilização de qualquer tipo de drogas e sei que o Tom Cruise é um fervoroso crente. Sei também que recentemente quer a "religião cientologia" quer o próprio Cruise foram ridicularizados por aquela fabulosa série de desenhos animados chamada "South Park", que goza com tudo o que mexe. Ora, isto por si só tem alguma piada mas não é propriamente notícia. A lavagem cerebral que a cientologia tenta promover é de tal forma que está literalmente a pedir para ser gozada, aliás tal como o minorca do Tom que anda por aí armado em apóstolo evangelizador. O que já é digno de registo é que ambos, organização e super estrela, tentaram e pelos vistos com sucesso boicotar o referido programa.
Assim sendo, e porque entre um bando de fanáticos que infelizmente se levam a sério e uma banda desenhada para a qual felizmente nada é sério demais, não é possível ficar em cima do muro do politicamente correcto, cá estou eu a fazer campanha pelo "South Park". Pela minha parte não deixarei que matem o kenny, you bastards.

25.3.06

Descarga de bílis (ii)

Ouvi ontem na rádio uma notícia tenebrosa. Os UHF, com aquele vocalista apanascado do cabelo tipo piaçaba, vão fazer uma nova tournée nacional. Mau!! Muito mau!! E logo numa altura em que eu estava a ficar tranquilo com a ideia de que o único local em que alguém deixava os tipos actuar era o Estádio da Luz.
Certamente preocupado com o arrepio que causou aos ouvintes capazes de perceber a diferença entre música e gajos a zurrar ao microfone, o locutor tratou de emendar a mão e terminou a notícia em grande estilo com esta tirada cómica: "os UHF, uma das maiores bandas nacionais de sempre".
É. Concordo. Só mesmo superados pelas Doce e empatados com o Quarteto 1111.

Descarga de bílis (i)

Num país em que anda tudo aos berros por não quererem mais de 36 anos de trabalho, porque carga de água é que logo o João Braga havia de chegar aos 40 de carreira? E era mesmo necessário levarmos com ele em horário nobre? Ainda se ele prometesse que é a última vez...

23.3.06

Ainda se não houvesse dicionários...

"Paridade"- igualdade, parecença, analogia, similitude...

Alguém é capaz de explicar porque é que a ridícula lei da quota de 1/3 tem no nome a palavra paridade?

21.3.06

A Rádio. Esse perigo.

Conduzo muitos km's por semana. km's demais.Na estrada, tal como na vida, sou normalmente um gajo pacífico. Não trago instrumentos de defesa/ataque no carro, não ando à pancada, não me enervo com facilidade e quando me acontece cruzar-me com algum dos muitos idiotas que por aí andam e me vejo compelido a insultar mentalmente a sua progenitora, rapidamente racionalizo a coisa e me arrependo, já que a senhora não tem culpa que o filho/filha seja semelhante besta a conduzir.
Mas há coisas que me tiram do sério. Há pouco tempo atrás, regressava eu a casa no final de um cansativo dia de trabalho, já com mais de 1 hora de viagem em cima, quando de repente dou conta que estava a cantarolar o refrão de uma música dos Delfins, que julgo ser a "Baía de Cascais". Ora isto não me pode voltar a acontecer jamais, sob pena de destruir irremediavelmente o amor próprio que fui construindo laboriosamente ao longo de mais de 30 anos.
Assim sendo, e ainda para mais numa altura em que as rádios vão ser (ou já são?) obrigadas a passar 50% de música portuguesa, é de exigir aos locutores que nos AVISEM bem alto, de preferência com sirenes de farol, antes de porem no ar banhadas perigosas para a saúde como qualquer música dos Delfins, dos Fingertips, dos Santos e Pecadores, do Tim (na sua fase de "queria ser astronauta mas a minha mãe não deixou"), do Luís Represas (que consegue a duvidosa proeza de ter milhares de músicas todas iguais) ou até a nova canção do João Afonso que só ouvi hoje mas que fala de citoplasma, de citosina (?) e de testosterona.

P.S.- Querem mesmo assim conseguir cumprir as quotas? Ponham Ornatos, Jorge Palma, Sérgio Godinho, Camané, Da Weasel, Clã (mas por favor dêem algum descanso ao "Problema de Expressão"), Rodrigo Leão, Marisa, Kátia Guerreiro, etc...E se a lei o permitir, ponham Caetano Veloso, e Chico Buarque e Tom Jobim e Marisa Monte e tantos outros...

17.3.06

Os franceses na merde

Continuando a fazer jus à merecida fama de dizer mal de tudo e não gostar de nada, comunico que não posso com os Franceses. La France em si ainda vá que não vá, mas os franceses esses, ulálá e ódidon, não há pachorra. Acho mesmo que contrariamente à imagem que têm de si próprios, os franceses são os americanos da Europa ou dito de forma mais clara acham que o mundo continua a girar à sua volta e comportam-se como se tivessem um direito divino a ser imprescindíveis. Além disso, parecem achar que os emigrantes só são bons para porteiros ou mulheres de limpeza.
Mas nos últimos dias alguns franceses merecem o meu apoio, especificamente todos aqueles que apresentam nos seus BI's uma idade inferior aos 26 anos. É que para azar deles, alguns governantes confortavelmente refastelados nos seus cadeirões do poder, decidiram que durante os dois primeiros anos de trabalho eles podem ser despedidos sem justa causa.

Quem me conhece ou tem lido alguns dos posts que vou escrevendo sabe bem que outra coisa que não posso ver nem pintados de azul e branco são sindicalistas, daqueles que enchem a boca com os direitos adquiridos isto, a contratação colectiva aquilo e o grande capital aqueloutro, mas neste caso vejo-me forçado a dar-lhes razão. Acho que nem vale a pena falar da quantidade de abusos a que isto pode levar, digamos apenas que seria quase voltar à idade média em que os nobres punham e dispunham dos seus escravos como se lhes aprouvesse e ai dos que arrebitassem cachimbo.

Não pode ser este o caminho. Não pode ser esta a forma encontrada por um governo europeu do século XXI para combater o desemprego, sob pena de nos dirigirmos a passos largos para uma situação de caos social.

15.3.06

Relato

São 19:52. Estou a ouvir o relato do Marítimo-Porto, coisa que já não fazia há muito tempo porque hoje em dia quase todos os jogos são televisionados. Apeteceu-me deixar 2 notas:
1-o Pepe tem tanto de talento como de estupidez natural...
2-já não há paciência para o repórter de campo, que presumo que seja nativo da ilha como é costume, e que como também é costume vê em todas as jogadas possíveis penaltis a favor do Marítimo e amarelos por mostrar aos adversários da equipa da casa...

Mais uma história de consultório

Ontem num dos consultórios em que trabalho atendi um miúdo de 6 anos. Isto por si só não constitui novidade, mas aconteceu uma coisa curiosa.
O miúdo estava a comportar-se de acordo com a idade que tem: não só abria pouco a boca como depois estava sempre a querer fechá-la, mexia as pernas e os braços, rodava a cabeça de um lado para o outro, enfim, o normal, ou dito de outra forma, sem estar a ser um estuporzinho também não dava grande ajuda. No entanto, e à medida que o tempo ia passando, o puto ia ficando mais tranquilo. A mãe dele saiu para atender o telemóvel e quando voltou o miúdo tinha os olhos fechados. Ela sentou-se no seu lugar e de repente começa-se a ouvir um ruído ritmado que, adivinharam, correspondia ao ressonar dele. A risada foi geral e 10 minutos depois quando acabou a consulta, chamei-o em voz alta, o gajo saltou da cadeira bem disposto e foi-se embora todo contente com um balão que a assistente lhe ofereceu.
Às vezes, é bom ser médico dentista.

Maus hábitos

Nos últimos tempos temos sido mediaticamente bombardeados com o "exemplo finlândes". Depois de anos a ouvir dizer que a Irlanda é que era, agora não há pato bravo com direito a microfone, espaço num jornal ou blog próprio (quak, quak...) que não venha discorrer sobre a Finlândia.
Ora eu, que de economia não percebo nada, duvido que a solução cá para o burgo se consiga nesta lógica de copy/paste, quanto mais não seja porque, e pararaseando os sucessivos governos dos últimos 20 anos, sofremos de uma dose enorme de "especificidade" que tem sido apontada como justificação para o nosso crónico atraso.
Especificamente falando, basta lembrar num raciocínio tipo lapalissiano que a principal e provavelmente inultrapassável diferença entre os 2 países é que enquanto a Finlândia tem a vantagem de ser habitada por finlandeses nós por cá temos que nos contentar com portugueses.
Deixando o orgulho patriótico de lado, convenhamos que trabalhamos menos, somos menos produtivos, mais dados à cunha e ao desenrascanço e temos uma mentalidade tão avessa à mudança como dada ao apego ao subsidiozinho.

Quando é que nos deixaremos de encantar com receitas supostamente mágicas de fortuna e sucesso rápido, nós, o país que mais joga no Euromilhões?

13.3.06

Saudades do meu Porto

Há espaços que farão sempre parte da minha pequena história de vida. Na minha cidade, o Porto, sim porque onde quer que viva a minha cidade será sempre essa, o Porto, onde nasci e cresci, onde conheci praticamente todas as pessoas que são mais importantes para a minha vida, salvo poucas e honrosas excepções, há vários locais que nunca poderei esquecer.
O infantário Luzinha na zona da Areosa com os seus setters que uma vez se soltaram criando o pânico nas educadoras e a alegria na miudagem. A escola pública nº 37 em Costa Cabral, com aquela árvore fabulosa, cuja espécie na altura não sabia e agora também não, a comandar todo o recreio e com a Professora Manuela a acabar todos os dias de aulas connosco em fila indiana à espera da réguada da praxe e em que quem tirasse a mão a tentar fugir ao castigo levava a dobrar, e com o meu avô, que tinha as mãos grandes e pêlos a sair do nariz e das orelhas e a quem nós os netos sempre chamámos Moura e nunca avô e de quem eu não me lembro muitas vezes mas quando me lembro sinto uma saudade tão grande que me apetece chorar, a ir-me buscar pela mão ao fim da manhã. A mítica Augusto Gil, onde fiz o ciclo e onde conheci os meus amigos, daqueles que são para toda a vida, e a senhora do quiosque ao lado a vender chicletes e rebuçados, e os gelados Neveiros, do grande portão verde de garagem no caminho de volta à casa no Verão, que se derretiam na boca e não nas mãos. O Vigorosa, onde para além de ténis se jogavam sonhos, com o Zé Rato que nos ensinava mas que tinha aprendido a jogar sozinho contra a parede e para além disso tocava bateria no programa da manhã da RTP, e onde sem eu nunca ter percebido porquê alguns não me tratavam pelo nome próprio como seria apropriado mas sim por ò Moura e Sá. A escola Aurélia de Sousa, o meu liceu, onde entrei ainda miúdo sempre vestido de fato de treino e sapatilhas e saí quase homem daqueles que já têm de fazer a barba e tudo. O Lima 5, o meu café, onde entrava de manhã e sem ser preciso dizer nada, o Sr.Fernando sempre bem disposto ou o Sr.Lemos com o seu bigode farfalhudo a tentar esconder o dente que lhe faltava ou o Sr.Amadeu que não me dava tanta confiança, me traziam a meia de leite directa e bem escura e torrada do costume, e onde nas tardes de estudo em que a meio, para alimentar os neurónios e sacudir a neurose, pedíamos uma francesinha e bebíamos um fininho, o que não ajudava muito o estudo mas porra uma francesinha pede um fininho e não mariquices como sangrias ou coca-colas. O Estádio das Antas, aos domingos à tarde, com o meu pai, o meu irmão, os meus primos e o meu avô que durante o jogo inteiro nos ia dando rebuçados S.Brás, daqueles que sabem bem mas fazem mal aos dentes...
Podia se calhar falar de outros, de mais lugares e de mais pessoas que nada será capaz de apagar, mesmo que agora já não existam como os gelados Neveiros do grande portão verde, ou o lima 5 que virou churrasqueira especializada em frango à guia, ou as Antas que morreram para dar lugar a outro estádio mais novo, mais bonito mas necessariamente mais pobre em histórias e sonhos. Podia falar do Cinema Batalha, cujo anúncio de reabertura me motivou a escrever este post, e onde ainda no início dos anos de adolescente vi pela primeira vez o filme Cinema Paraíso, num domingo de manhã de sessão cineclubista em que as lágrimas me corriam imparáveis pela cara abaixo. Podia falar da Ribeira, da Foz, do Parque da Cidade, de Serralves e da sensação de "quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar...", mas não teria muito mais a acrescentar ao que já disse e ao que sinto pela minha cidade, o Porto.

P.S.- ainda relativamente à reabertura do Cinema Batalha, tencionava falar sobre a inigualável D.Laura, sobre Rui Rio e sobre o milhão de contos que "arrancaram" ao Grupo Amorim aquando da polémica do plano de pormenor das Antas, mas comecei a pensar na minha cidade,o Porto, e no quanto gosto dela, e perdi a vontade de abordar coisas menos importantes.

9.3.06

Um homem bom

Hoje é dia de posse. De entronização. É o começo de um novo ciclo e para muitos de uma nova (última?) esperança. Mas obedecendo às mais elementares leis da natureza, às quais por mais que inventemos nunca conseguimos fugir, para que algo novo comece algo velho tem de acabar. Neste caso, falo como é óbvio de Jorge Sampaio e dos seus 10 anos como Presidente da República. Como não tenho pretensões de originalidade neste balanço, já por muitos feito, dos prós e contras dos anos Sampaio, direi tão somente que o tempo mostrou que as prinicipais decisões pelas quais será lembrado, primeiro aceitar e depois "despedir" Santana Lopes, estavam certas e reforçaram o papel e a importância do PR.
Apesar de ter sido um personagem algo apagado e de ter falado demais (tantos discursos para quê? e era mesmo necessário publicá-los todos em livro?) sem grandes resultados prácticos, é forçoso dizer-se que o agora ex-PR é uma pessoa séria e que a forma serena como exerceu o seu papel fez com que pairasse acima da maldicência popular que atinge os políticos em geral.
Independentemente do que fez ou não fez, Jorge Sampaio é um homem bom e esse é o principal legado e imagem que nos deixa.

Liberal?

Numa altura em que se cumpre o 1º ano do governo Sócrates, o que não falta por aí são os tradicionais balanços.
Que tem sido um governo com ímpeto reformista em diversas áreas, que reconquistou a confiança dos empresários, que tem atraído maior investimento estrangeiro, que afrontou lobbys poderosos, são alguns dos méritos apontados no lado positivo da balança.
Que o desemprego continua a subir, que as medidas tomadas são essencialmente operações de marketing, que o estilo é autoritário e confrontacional, que há uma tentativa de controlo dos principais orgãos do Estado e de domesticação da comunicação social, são alguns dos factores apontados como negativos.
O objectivo deste post não é acrescentar nada aos balanços feitos, se bem que me inclino para achar globalmente positiva a actuação governativa nestes primeiros 12 meses. Hoje estou mais virado para comentar o reverso da medalha. Falemos pois da oposição, sob pena de pouco a pouco nos esquecermos que ela existe, e mais concretamente falemos do suposto líder da oposição, o Dr. Marques Mendes.
Compreende-se que seja difícil sobressair num cenário de maioria absoluta, ainda para mais com um governo socialista a por em prática políticas que a direita normalmente invoca como suas. Só esta dificuldade pode ajudar a explicar algumas das últimas declarações de MM. Comecemos pela insólita bravata de dizer que se o seu programa for derrotado no próximo Congresso obviamente não se demite, o que me parece um claro sinal de uma lógica de puro apego ao poder. Passemos à posição anunciada de recusa política do casamento homossexual, o que não combina bem com um partido que proclama aos quatro ventos a sua ideologia liberal de quanto menos interferência do estado na sociedade melhor. Mas a proposta que na minha opinião mais se destaca é a peregrina intenção de discriminar positivamente os ex-toxicodependentes ao nível do acesso ao mercado de trabalho, criando benefícios para as entidades empregadoras. Se à primeira vista a intenção não choca, não me parece que resista minimamente a uma análise mais aprofundada. Imaginem que duas pessoas do mesmo sexo, da mesma idade, com curriculums semelhantes, estão em competição pela mesma oferta de trabalho e a decisão é favorável a um deles só porque já foi um toxicodependente. Ah, mas isso é contribuir para uma plena reintegração na sociedade dirão alguns. Pois é, porreiro, curado e reintegrado parece-me muito bem, mas que raio de mensagem é que estamos a dar ao outro candidato? Olha pá, como nunca te meteste na droga vais continuar desempregado? E já agora, em maré de discriminação positiva de alguns grupos específicos e normalmente prejudicados na sociedade, porque não favorecer os ex-reclusos? E as minorias raciais? E o sexo feminino? Podemos até pensar num cenário em que o candidato mais "beneficiado" pelo estado reúna simultaneamente as seguintes características: mulher, preta, mãe solteira, ex-toxicodependente, ex-reclusa, portadora de SIDA e tuberculose, orfã desde criança, vítima de violência doméstica, etc...
Ah, assim sim, plena reintegração e consciências politicamente correctas 100% tranquilas...Pelo caminho teremos trocado de vez a ideia do primado do mérito e do desempenho pela instituição de um regime de quotas, supostamente concebido para corrigir injustiças.

P.S.- alguém me explica como é possível que um partido que acha que um referendo sobre o aborto não é prioritário, que acha que a reforma do sistema eleitoral não é prioritária, que acha que evitar a não discriminação por motivos de preferências sexuais não é prioritário, decida de um momento para o outro que é prioritário discriminar positivamente os ex-toxicodependentes?

8.3.06

SLB

Na Antena 1 desde o início da manhã, o Benfica. Na TSF desde o início da manhã, o Benfica. Ele é a enésima repetição do provável onze inicial, ele é a ameaça de bomba que tentou sem sucesso perturbar o jantar dos campeões, ele é o Eusébio, o Shéu, o Veiga, as declarações de ontem do Koeman e até o Diamantino que, imagine-se, marcou um golo em Anfield Road há 20 anos. E tudo isto sem esquecer a cidade e os seus habitantes. Ele é os famosos Beatles, ele é a Tate Gallery, ele é os grunhos adeptos do rival Everton que vão torcer pelo Benfica...bom, o massacre pseudo informativo não tem fim. Só dá para encolher os ombros e pensar que é o que vende, sempre são mais de 6 milhões de almas.
Mas isto são só os oitavos de final!! E se o SLB passa a eliminatória? Directos dos balneários? Do avião? Do aeroporto? A noite inteira no Marquês de Pombal? A este ritmo a tomada de posse do Cavaco corre o risco de passar quase despercebida no meio do frenesim de cachecóis, bandeiras e confetis.
Bom, mas a verdade é que mesmo que possa não parecer, pelo dor de cotovelo que facilmente transparece, o presente post serve essencialmente para desejar boa sorte ao Benfica. Pelo menos a suficiente para que passem a eliminatória, mesmo que isso nos garanta doses pouco saudáveis de exposição àquele santinho de pau carunchoso chamado José Veiga.
Também acrescento, por ser verdade e me dar alguma paz de espírito, que tal como espero que este jogo lhes corra bem, faço votos de sentido contrário para os jogos do campeonato e taça de Portugal.
Saudações portistas.