27.9.06
Actualidades.
- Não votei em Cavaco Silva, mas reconheço sem dificuldade (e já agora sem surpresa) que a sua acção nestes primeiros 6 meses tem sido globalmente positiva. Ontem, na sua primeira visita de estado, e contrariando a prática política instituída de debitar generalidades e fugir a temas polémicos, CS discursou no senado espanhol e protestou contra o evidente proteccionismo económico que grassa daquele lado da fronteira. É duvidoso que sirva de alguma coisa, mas teve o mérito de mostrar que o homem pelo menos tem cojones.
26.9.06
21.9.06
Crenças.
Como explicar então tantos acasos e coincidências, tantos encontros e desencontros às vezes tão improváveis que lá surge o destino, inevitável como ele só, como única explicação satisfatória?Acho que somos exactamente como moléculas num espaço fechado,
orbitamos,
circulamos,
cirandamos,
e de repente zás trás pás
lá batemos uns nos outros.
Demasiado prosaico? Talvez sim.
Talvez já estivesse determinado que eu iria um dia escrever este post.
Talvez seja mesmo verdade que "quem tem de morrer de um tiro não morre de uma facada".
20.9.06
Impedimentos.
Outro dia tive o duvidoso privilégio de ver aquele senhor que guarda o seu dinheiro na conta de um sobrinho taxista na Suiça a reagir a uma notícia do novo semanário Sol, que dava conta dos seus continuados problemas com a justiça. Disse o energúmeno que o referido jornal é um pasquim dirigido por amigos do Dr. Marques Mendes, que têm por objectivo transformar este último em Primeiro-Ministro.
Fim do intróito.
Uma das coisas que melhor diferencia uma democracia de um regime anárquico é a existência de regras, de limites que visam impedir/regular determinados comportamentos.Uma dessas regras estipula que um cidadão só se pode candidatar à Presidência da República depois de atingir os 35 anos de idade. Ora, pensando em Marques Mendes, ocorre-me num cínico acesso de descriminação avulsa que um tipo para ser Primeiro-Ministro devia obrigatoriamente ter mais que 1,70. Na mesma linha de raciocínio, e por uma questão de boa representação do país, devia estar consagrada na lei a obrigação das nossas atletas andarem sempre bem depiladas (tudo para evitar que mais crianças se vejam traumatizadas para todo o sempre com imagens como os sovacos peludíssimos da Rosa Mota ou o viçoso buço alourado da Fernanda Ribeiro).
Continuando, e assim ao correr da pena, sugiro que:
, tipos como o Castelo Branco deviam ser impedidos de sair do país ou de regressar caso já estivessem lá fora
, o Luís Represas seja terminantemente proibido de gravar mais músicas e de cantar novamente "A próxima vez"
, cidadãos com o nome de Armando Vara, Santana Lopes ou Joaquim Pina Moura se vejam impedidos de exercer na função pública
, toda a discografia infantil da Ana Malhoa seja apreendida e queimada, de preferência em conjunto com as suas tangas à leopardo
, indivíduos com bigode não possam comer sopa em público
, seja proibido aos homens a possibilidade de usarem t-shirts caviadas.
19.9.06
O valor das palavras.
Talvez porque sinto, lá bem no fundinho daquelas células onde se sentem os sentimentos mais profundos, que há palavras que têm muita força, palavras que representam algo ou alguém único e insubstituível. Diz a cantilena que mãe é a maior palavra pequena que o mundo tem. Diz a sabedoria popular que mãe há só uma e que tem uma mãe tem tudo. O mesmo se aplica à utilização da palavra pai ou mesmo da palavra filho/a. Para mim são termos que representam não só ligações biológicas e laços familiares mas fundamentalmente afectos, carinhos, paixões mesmo. Não tem nada de banal ou de corriqueiro e não deviam portanto estar ao sabor dos usos e formalismos do jet-set ou das convenções e contextos sociais. Nem na foz do Porto nem na linha de Cascais.
P.S.- Acabei de reler o que escrevi. Não pretendo armar-me em polícia da linguagem ou fiscal das relações dos outros, mas a verdade é que isto me eriça um bocado os pêlos, a mim, tripeiro criado no hábito do tu (e não do você) e ensinado a chamar os bois pelos nomes.
18.9.06
...

De há uns anos para cá os grandes estúdios de Hollywood re-descobriram o filão das adaptações de comics.Superman voltou agora mas na realidade já tem umas décadas, tal como Batman. Mais recentemente surgiram os X-Men, o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico e até o menos conhecido Spawn. De todas estes projectos aquele que foi para mim mais surpreendente quer pela qualidade do filme quer pela dificuldade da adaptação foi Sin City, a genial obra de Frank Miller (tal como disse aqui e para quem ainda não conhece, aconselho o filme e especialmente os livros).
Ontem tive oportunidade de ver este V for Vendetta, baseado numa série de banda desenhada (que infelizmente nunca li) criada por um tipo chamado Alan Moore. A acção tem lugar numa Inglaterra futurista governada por um tirano autoritário, que usa a tecnologia para controlar a população e o medo para a manter submissa. Tudo assumidamente inspirado portanto no 1984 de George Orwell.
É impossível ver a forma como as liberdades individuais estão aqui limitadas em nome da segurança contra o terrorismo e não relacionar com o contexto actual (e futuro...) da nossa própria realidade. Acrescente-se a tudo isto actores como Natalie Portman e Stephen Rea, e uma produção a cargo dos irmãos Wachowski (o nome não me era estranho mas tive que ir pesquisar para confirmar que são mesmo os da trilogia Matrix) e temos um filme a não perder(cujo único ponto negativo é a ausência de quaisquer extras na versão de aluguer). Fica a sugestão.
11.9.06
Crónicas de uma paixão...e demais histórias associadas.
Julgo que tudo começou em S. Pedro de Moel, rodeado por pais e tios e primos e avós, mas confesso que àparte um incidente que envolveu a minha avó, as minhas partes pudendas e uma panela de sopa a ferver, tudo o resto está envolto em névoa. Mais tarde recordo umas curtas idas a Esmoriz, com o seu belo ringue de futebol e a sua mosquitada mal intencionada, mas fora estes dois casos não tenho memórias muito vivas do início do meu percurso como campista.
Salto, assim sendo, para os meus 16 anos e para a 1ª experiência de férias só com amigos. O local escolhido, porque terá sido?, foi a então pacata vila alentejana da Zambujeira do Mar, à qual só chegávamos depois de uma aparentemente interminável viagem de autocarro Porto-Lisboa-Zambujeira. A bela da camioneta despejáva-nos na praça central e lá zarpávamos nós, estranha e desorganizada caravana de camelos carregados como mulas a arrastar, na marra e na garra próprias da inconsciência e inconstância da tenra idade, malas, tendas e até almofadas (??), nessa curta rota de 1,5 Km de alcatrão que nos separava do el-dorado, que nesta história tomava a forma de um bastante reles parque de campismo. Como se alguém se tivesse sentado um dia à sua secretária e querido acrescentar drama a esta película de série B ou talvez testar de alguma forma as teorias darwinianas, diga-se ainda que a camioneta chegava às 21h45m e a recepção do camping fechava às 22h. Depois da correria, e conseguida a tão almejada admissão no parque, as tendas eram montadas no meio do breu, com pedras a servir de martelos, mas nunca sem que antes nos envolvéssemos na eterna discussão o sol põe-se além logo nasce acolá consequente para ter sombra este local é bom e aquele é mau vê-se logo que tu não percebes bolha desta merda. Invariavelmente tínhamos logo no dia seguinte o duvidoso privilégio de constatar que de facto os adolescentes acneicos percebem muito pouco de pontos cardeais e órbitas solares. Sem colchões de jeito, as noites eram passadas a experimentar cuidada e demoradamente todas as irregularidades e calhaus do solo alentejano. Dessa 1ª experiência guardo a rotina das rondas nocturnas pelos bares da vila e da obrigatória passagem final pelo Clube da Praia. Alcoolizados mas quase sempre felizes, voltávamos às tantas para o parque mas antes do descanso dos guerreiros havia ainda tempo e vontade para jogar umas memoráveis cartadas, quase sempre King, sentados nas estradas do parque sob as ténues mas fiéis luzes de lampiões tristes e sós. Para lá do normal correr atrás de rabos de saias, em que uns privilegiavam a fauna local e outros atacavam as estranjas, à lá Camarinha destemido, (diga-se a talho de foice que a maior parte das caçadas acabava com a fuga inglória da presa), o que mais recordo é a fome que passávamos. Mais dados à bola e demais actividades testosterónicas, praticamente nenhum de nós tinha aproveitado a vontade de ensinar culinária básica à prole que anima todas as mães. Assim sendo, a ementa diária ia de sandes de atum àquelas refeições pré-cozinhadas (por mais que viva não mais esquecerei o esforço sobre-humano que foi engolir o conteúdo de uma latinha de dobrada fria), porque o dinheiro era pouco, à justa para pagar viagens, parque e bebidas. Não posso assegurar em que dia foi, 3º?, 4º?, mas uma tarde em que estávamos estendidos na praia, meio ressacados e literalmente com o estômago colado às costas, o JB e eu decidimos subir aquela longa escadaria, ir à primeira esplanada, mandar a lógica económica às urtigas e investir tudo numa refeição. Sentámo-nos, escolhemos, e preparávamo-nos para fazer a via sacra da espera pela comida, quando o tipo que estava duas mesas ao lado se levantou e foi embora, deixando bem no centro da mesa metade de uma dose de batatas fritas. Mudos mas atentos, tivemos os dois o mesmo instinto, animal, primário, tão velho quanto o Homem, e quando o rapaz passou por nós com o intuito de levar os restos da dose de batatas para dentro, a fome venceu facilmente a vergonha e os pruridos higiénicos. Fosse pelo invulgar da situação ou simplesmente por ter percebido o nosso desespero, a verdade é que ele se limitou a esboçar um largo sorriso e sem dizer nada lá pousou os restos meio comidos daquelas maravilhosas french fries, um manjar como poucos tive desde então.
Lembro-me ainda do meu espanto inicial sempre que alguém com quem entabulava uma conversa me dizia logo ah mas tu és do Porto. De vez em quando, como é próprio destas idades, os bacocos orgulhos regionais vinham ao de cima e lá nos envolvíamos em disputas verbais com malta de Lisboa, que acabavam com um desafinado coro de vozes a cantar ao desafio o Cheira bem, cheira a Lisboa e o Porto Sentido. Para os anais da história ficou também um célebre jantar no Casino da Ursa, julgo que já no 2º ano de acampamentos, passado a ver uma final da supertaça Porto-Benfica. Mesmo com a casa cheia e a deitar por fora, a nossa mesa era a única de portistas, e à medida que o dramatismo do jogo ia subindo as picardias aumentavam de tom, em paralelo com o correr das canecas de vinhaça da casa. Depois de um empate, a 2?, chegou-se aos penalties. Tendo começado a perder, o Pinto da Costa agarrou-se ao crucifixo e à imagem da Santa, ajoelhou-se na relva e por entre rezas de uns e lágrimas de outros lá acabámos por dar a volta à coisa e ganhar o caneco (a algazarra que se seguiu foi de tal ordem que fomos expulsos por um proprietário, com evidente dor de cotovelo).continua...
6.9.06
???
Estão a matar a bola...
Quanto ao resto não resisto a linkar este artigo sobre o novo e tantas vezes auto-proclamado campeão da seriedade, moral e bons costumes do nosso futebol, e este outro artigo sobre o velho e aparentemente eterno rosto do sistema, propalado campeão do jogo sujo e da trapaça, enfim responsável-mor pela corrupção no nosso futebol.
Depois de tentar provar que o Porto de Mourinho, vencedor da UEFA e da Champions, necessitava de comprar as arbitragens para levar de vencida adversários como o Estrela e o Beira-Mar, com o campeonato quase matematicamente assegurado, o que resta agora ao Ministério Público? Emitir um comunicado dizendo que não tem dúvidas que o Jorge Nuno é corrupto, mas infelizmente, por estupidez ou incompetência, não é capaz de o provar. É que já não há paciência para ver arrastar durante anos a fio o nome do homem como arguido e depois concluirem não ter matéria para avançar. Para isso, já chegavam os últimos 20 anos de conversas de café por esse país fora.
29.8.06

...porque às vezes os líquidos não obedecem às leis da natureza e não se limitam a descer no sentido do plano inclinado. Às vezes, mas só às vezes, outras forças mandam mais.
Por exemplo, a electricidade estática à superfície da epiderme, ou a orientação dos folículos que são o casulo onde moram os pêlos. Pode até, o causador da irregularidade, ser um músculo que se contrai num dado momento mais ou menos inesperado ou até um simples arrepio, mesmo que leve, mesmo que muito breve.
Às vezes, poucas ou nenhumas vezes, os líquidos fartam-se da previsibilidade do seu comportamento, não por causas que a física, a dinâmica ou outras ciências humanas possam explicar mas apenas e só porque sim. Porque até uma gota de água tem direito a ter um simples momento de espontaneidade, mera satisfação de um capricho ou vontade.
28.8.06
8.8.06
Uma ideia perigosa.
Na blogosfera o cenário repete-se. Escreve-se menos, comenta-se menos, já não há grande pachorra para polémicas ou debates. Mesmo assim, e enquanto não vou de férias, não posso deixar de comentar a recente notícia de que há uma empresa (irlandesa?) que nos seus anúncios de recrutamento avisa explicitamente que os fumadores escusam de responder. Segundo o seu gerente (dono?), fumar constitui um acto idiota revelador da estupidez do praticante, e como ele obviamente não quer empregar pessoas estúpidas, nada mais lógico que excluir à partida os fumadores.
Perante este flagrante caso de discriminação, a sempre atenta e por demais importante comissão europeia, liderada pelo sempre atento e por demais importante José Manuel Barroso, foi chamada a pronunciar-se e declarou que não há na legislação comunitária nada que impeça esta tomada de posição. Se a questão fosse excluir com base em raça, idade, religião, sexo e outras que tais, aí sim, aqui d'el rei que a dita empresa iria sentir a pesada mão da comissão, mas em relação ao acto de fumar a omissão na lei representa na prática uma autorização.Ora eu, que não fumo e que até concordo com as restrições relativas ao tabaco nos locais de trabalho e nos espaços fechados como medida de promoção da saúde pública, acho que é necessário tomar uma posição forte contra este modus operandi, que até pode ser legal mas que representa uma escandalosa intromissão na esfera pessoal de cada um. O exagero do politicamente correcto, a busca do homem perfeito, liberto de vícios e pecados, não nos pode conduzir a uma sociedade saudável, muito pelo contrário. As tentativas de formatação, de homogeneização dos indíviduos, de selecção de características julgadas ideais por alguns iluminados, tiveram sempre resultados trágicos. Se deixamos passar hoje a questão do tabaco nestes moldes, o que virá a seguir?
Cada vez mais, big brother is watching you...
1.8.06
Boas e más notícias...
Má notícia: todo o incrível processo da (do?) Gisberta. Foi espancada, torturada, violada e atirada para um poço do qual nunca veio a sair. Para a nossa justiça o essencial em toda a situação parece ser não traumatizar mais os pobres adolescentes que, coitados, já tiveram que responder em tribunal por isso e que, quais heróis, até colaboraram com o MP e responderam educadamente às perguntas do Juíz. Em Deus querendo hão-de vir a ser cidadãos exemplares...Assim vamos andando, uns inimputáveis, outros irresponsáveis, outros mortos por afogamento.
Boa notícia: a publicação da lista de devedores ao fisco, à qual se seguirá outra relativa à S. Social. A utilidade é algo duvidosa, mas ao menos serve para mudar a inútil conversa generalista "dos que fogem", sem que nunca se conheçam os bois pelos nomes.
Má notícia: a situação no mundo vai de mal a pior. Não bastavam os atoleiros Iraque e Afeganistão, não bastava o Ruanda e a Somália, isto sem mencionar os mísseis da Coreia do Norte e o programa nuclear do Irão. A guerra Israel-Hezbollah-Hamas-Síria-Irão está a resultar não só na destruição do Líbano e na morte de civis, mas também a conduzir o Médio Oriente para um buraco sem saída. O fanatismo extremista (criminoso!) de uns e a estupidez de processos (criminosa!) de outros torna difícil atribuir culpas, mas apesar de toda a revolta que massacres sem sentido como o de Qana fazem sentir, nós ocidentais só podemos torcer para que Israel acabe por conseguir levar a melhor sobre o Hezbollah. Qualquer outro cenário resultaria num pesadelo ainda maior que o actual.
26.7.06
J.
Confesso que sinto alguma relutância em falar dele aqui, como se fosse um passo abusivo juntar o mundo real com este país das maravilhas, esta realidade ficcionada que é a blogosfera. Mas ter um blog, alimentá-lo com as nossas ideias e às vezes com a nossa intimidade é sem sombra de dúvida uma forma de exposição. Controlada sim, mas ainda assim uma exposição. E por mais dúvidas que tenha, por maior que seja o desconforto que sinto em expôr também o J., que já tem personalidade própria mas que não pode ter voto na matéria, a verdade é que não poderia deixar de falar sobre o 1º aniversário do meu filho.
Falo de futebol, de política, de religião, falo de mim, falo um pouco de tudo e de nada. Hoje tenho o enorme prazer e chego até a sentir-me quase que obrigado a falar sobre alguém realmente importante, um VIP na verdadeira acepção do termo. Não vou gastar muito latim a babar sobre o J. e prometi a mim próprio que ia fazer um esforço consciente para evitar usar o sufixo inho (riquinho, fofinho, amorzinho,etc...) praga que parece atingir todos os pais e mães que conheço.Sempre gostei do cheiro dele, do tacto e do contacto. De o ver primeiro a sorrir e depois, mais tarde, a dobrar o riso. Das tentativas de verbalizar, de comunicar. De o ver gatinhar como um GI Joe e agora começar a tentar andar. Olho para ele agora, quando dança ao lado da nossa cama aos domingos de manhã ao som dos amigos do gaspar, sempre ansioso por aprender coisas novas, por abarcar todo este imenso mundo novo que vai aos poucos descobrindo, e digo-vos que o amo desde que ele nasceu, mas que quanto mais o conheço mais gosto dele.

Estive para não pôr a foto, mas não resisti. Utilizando uma expressão que foi dita a brincar mas que não deixa de ser verdadeira: é tão bonito que nem parece filho do pai dele.
24.7.06
...
- Quando lhe caiu no colo a Câmara do Porto, devido ao furacão anti-Guterres que assolou o país e porque Fernando Gomes a perdeu (sim, porque nós os portuenses somos orgulhosos e não admitimos que nos tomem por garantidos), Rui Rio não tinha nem equipa nem programa para a cidade.
- A equipa que acabou por escolher à pressa revelou-se desastrosa e de todo o seu 1º mandato ficaram apenas e só 3 notas de maior registo, as únicas que qualquer pessoa mesmo que atenta à cidade pode ainda hoje identificar : 1- a não construção na orla do parque da cidade (ainda falta ver a que custo); 2- a polémica do plano de pormenor das Antas (que só serviu para arrancar 5 milhões de euros ao Grupo Amorim e dá-los à D.Laura) e a “guerra” com o FCP/futebol (que merecerá análise mais detalhada lá para a frente); 3- o grande prémio de automobilismo na Boavista (ideia absolutamente peregrina, típica de um “beto” saudosista de se passear nos paddocks, mas que pelos vistos até dá lucro…). De resto, não houve nem há uma ideia condutora, um grande projecto que motive a cidade e a faça crescer. Confesso que para meu grande espanto isto foi suficiente para lhe valer a reeleição com maioria absoluta.
- Em tudo o resto, leia-se política cultural, requalificação urbana, afirmação do Porto como pólo aglutinador do Noroeste Peninsular (como os políticos tanto gostam de dizer), combate ao desemprego, promoção de uma cidade com melhor qualidade de vida, etc… Rui Rio falhou. Não há agente cultural da cidade que lhe reconheça algum mérito e, por exemplo, a forma como lidou com a Casa da Música (usada apenas e só para ajustar contas com Burmester) foi vergonhosa. O Rivoli foi primeiro abandonado para agora ser mais facilmente privatizado (o que pode até significar o fim do FANTAS na cidade) e quanto à tão propalada recuperação da Baixa, depois de 5 anos de RR temos como único resultado a ameaça velada que paira no ar de que a UNESCO poderá decidir retirar a classificação de Património da Humanidade, por evidente degradação do estado do parque habitacional. Já estava mal, ficou ainda pior.Investimentos como o Corte Inglês, que poderiam devolver alguma vitalidade a uma zona tão abandonada, foram quase que empurrados para o outro lado do rio.
- Falando da pessoa em si, ou melhor do comportamento pessoal de RR enquanto Presidente da CMP, o que salta à vista é uma visão paranóica do mundo que o rodeia. Ele vê-se como o único detentor da verdade e junta na cabala para o atingir empresas como o JN, o DN e o Público. Até a Polícia Judiciária já mereceu idêntica apreciação. As recentes notícias vindas a lume acerca da utilização e do site da CMP (que anda a ser usado como veículo de propaganda a RR e de ataque aos seus críticos) são só a última demonstração duma evidente falta de espírito democrático e da flagrante incapacidade de lidar com opiniões divergentes da sua. Querem apoios camarários? Não se atrevam a criticar. Querem falar com os vereadores? Só por escrito e com prévia autorização do manda-chuva. Querem enquanto munícipes assistir às reuniões e colocar os vossos problemas? Mandem postais.Isto já para não falar do raciocínio, à lá caudilho, que RR faz ligando o ter sido eleito com um qualquer direito de saltar por cima das leis existentes (veja-se o inacreditável caso do túnel de Ceuta e as declarações do Presidente da CMP a seu respeito).
Como justificar então o sucesso eleitoral de RR? Em grande parte porque, e contrariamente à ideia que circula na opinião pública, RR usa e abusa do futebol e conseguiu através deste conflito assegurar uma imagem de seriedade e de luta contra lobbys (ainda para mais sendo o Pinto da Costa uma figura tão amada no País…). Diga-se no entanto que a sua já longa associação política com Valentim Loureiro é estranhamente ignorada pela comunicação social dominante.
Esta sua guerra contra o futebol assegura-lhe outra coisa: garante que os verdadeiros problemas da cidade e da sua (não) gestão não serão discutidos. Fica este exemplo: um dia, num casamento de uma amiga da A., envolvi-me numa conversa sobre RR com um tipo com o qual aliás nunca me entendi muito bem. Falei de tudo, não só do que já leram acima, mas de outras situações que me abstenho de citar para não alargar mais este já extenso lençol. No final, ele virou-se para mim, encolheu os ombros e disse apenas: Oh pá, só dizes isso porque és portista.
A vox populi diz que Rui Rio é sério, o que sendo positivo não deixa de ser o mínimo exigível. O que faz falta é ser-se competente no que se faz e a sensação que tenho ao ver a forma como RR se relaciona com a cidade e os seus agentes (e não, já disse que não estou a falar de futebol) é a de algum incómodo, como se encarasse o cargo na CMP como uma etapa necessária mas algo chata na sua carreira política.É uma apreciação naturalmente subjectiva, mas atrevo-me a dizer que Rio não morre de amores pelo Porto, ou fraseando a coisa de outra forma, gosta muito pouco de ser o seu presidente.
21.7.06
Exagerava sempre que dizia, ao comer mais uma francesinha acompanhada pelo indispensável fininho, que no mundo e arredores não havia nada melhor e que era capaz de comer aquilo todos os dias, durante toda a vida.
Quando o Público mudou de grafismo, na fase em que o lia diariamente sem falta, amuei e chamei-lhe nomes como um reles amante traído, até ter conseguido pouco a pouco superar o trauma.
Quando entrava no café onde fiz o curso, pelo menos nos 4 primeiros anos até aquilo virar churrasqueira, dava-me um gozo supremo, uma fútil sensação de superioridade sobre os clientes de ocasião, virar-me para o Sr. António (um porreiraço como poucos conheci na vida) e dizer "o costume" do alto das minhas tamanquinhas. Ainda hoje aliás, tenho uma pouco saudável dificuldade em estar num café e não pedir "uma torrada e uma meia de leite directa".
No dia em que comuniquei aos meus melhores amigos que ia dar o nó passados 2 ou 3 meses , saiu-me um "em princípio vou-me casar", lapsus linguae que me irá ser merecidamente atirado à cara para o resto da vida.
"Todo o mundo é composto de mudança" e eu, não fugindo à regra, também mudei. Analisando todas as cambiantes, acho que nos últimos 15 anos mudei mais que os ideais do Partido Comunista Português e menos que o Michael Jackson. Continuo a ver futebol com uma paixão irracional, mas diminuí francamente o número de asneiras que digo. Continuo a ter orgulho em ser tripeiro, mas já não moro no Porto, já não sou bairrista e acho que já não troco os b's pelos v's (ou seriam os v's pelos b's?). Continuo a detestar acordar de manhã e ter que num estado de meia vigília passar uma lâmina afiada junto às carótidas, mas já não me dou ao luxo burguês de andar com aspecto de arrumador. Continuo a não gostar de farinha de pau, mas devoro com um prazer quase pecaminoso bróculos, cebola e grelos (tudo coisas que antes me suscitavam apenas um ar levemente enjoado).Continuo, como se pode comprovar, a gostar de me ouvir e de me ler, continuo com a convicção que tenho coisas válidas a dizer, a acrescentar ao ruído geral.
E continuo a ter uma estranha tendência para me desviar dum objectivo inicial, que no caso deste post era tão somente dar-vos conta que me rendi totalmente aos encantos da cozinha japonesa (empurrado pela A, pelo cM e pela S.).Para um gajo que há 4 anos, e após a 1ª experiência com sushi, acabou a noite a cear 3 bifes em casa da mãe, isto é uma grande mudança.
Fica a sugestão, fica o nome do restaurante (Terra, na Foz) que a S. e o cM descobriram e fica também um conselho de amigo: provem de tudo, porque é tudo óptimo. Bom, tudo menos aquela mistela verde com propriedades explosivas e o gengibre que, com um pedido de perdão ao requintado paladar do cM, sabe a pétalas de rosa.Ah, e continuo ainda e sempre a falar de mais.
18.7.06

Atenção aos incautos: segue-se um post de conteúdo pornográfico e de gosto discutível…
Já vai com uns dias de atraso devido a alguma falta de tempo, mas não podia deixar passar sem uma referência este invulgar acontecimento.A menina da foto, uma espanhola com o sugestivo nome de guerra de Sónia Baby, foi uma das estrelas da recente 2ª edição do Salão Internacional Erótico de Lisboa. Ora isto por si só não é grande feito e não lhe garantiria o duvidoso privilégio de figurar como tema de post neste blog de um macho lusitano, espécie que como se sabe é por tendência exigente quanto à qualidade da comida que a esposa prepara, impiedoso quanto às exibições da sua equipa de futebol e dedicado servidor das suas amantes, que normalmente prefere alouradas, burras e com peitos volumosos.
Mas voltando então à Baby, que me cativou a atenção numa pequena notícia de telejornal, ela é nem mais nem menos que a mais recente coqueluche do cinema porno espanhol (diga-se de passagem que o castelhano é talvez a língua no mundo que melhor se presta à pornografia…), e destaca-se das demais companheiras por ser uma auto-intitulada acrobata vaginal. Numa altura em que a globalização e os gurus do neo-liberalismo insistem na importância da especialização como uma mais-valia, é de convir que ser doutorada num campo tão difícil e tão pouco explorado como o das acrobacias vaginais é claramente um ponto positivo para se ter num curriculum vitae. Sem mais delongas, diga-se que Sónia Baby tentou (no dia 14 do corrente mês) colocar uma corrente metálica com 20 metros dentro da sua vagina (o que caso tenha sido bem sucedido veio suplantar o seu anterior máximo de 15 metros). Se isto ainda vos parece coisa de somenos importância, saibam que iria também escrever com a vagina, retirar bandeiras e bolas de pingue-pongue. Para finalizar, e honestamente não posso garantir totalmente se de facto ouvi isto ou se já sou eu a delirar, ia jurar que Baby ia incluir no seu show (termo que raramente terá sido tão bem empregue) o arremesso ao ar de bananas. Segundo palavras da própria, num momento de rara inspiração, ”vai ser um pouco de tudo”.
Saibam ainda os mais curiosos que quando inquirida acerca da sua posição sexual favorita a actriz terá respondido, rápida e entusiasticamente, “Em cima dele, dominando. Pum! Pum! Pum!”.
Abstenho-me de tentativas infantis de fazer graçolas fáceis, confesso que desconheço o desenlace do show e deixo o meu protesto por o espectáculo só decorrer em Lisboa, privando o resto do país da oportunidade de ver ao vivo esta atleta, versão moderna da mulher barbuda e do homem elefante e património da masculinidade.
P.S.- é algo envergonhado que me vejo literalmente obrigado, pela A., a deixar como adenda o seguinte esclarecimento: a parte em que se fala do macho lusitano é pura ficção e não tem nenhuma semelhança com a realidade deste que por ora vos fala. Ouvi tudo aqui num café perto de casa, numa cavaqueira entre 2 gajos gordos, carecas, de bigodes farfalhudos e com notória falta de dentes (essas sim, características típicas dos verdadeiros machos lusitanos…) juntamente com um aguçado sentido de auto-preservação e obediência à mulher.
14.7.06
Uma lição
A Itália, país da moda, das pizzas e das pastas, de Roma e Florença, do Vaticano, da comorra, de Leonardo e Michelangelo, de Cicciolina e Berlusconi, etc e tal..., também neste campo se tem destacado pelos piores motivos.
No entanto, e enquanto por cá vivemos o folhetim apito dourado há mais de 2 anos, sem um final lógico à vista e com um enredo ao nível das telenovelas mexicanas, e agora nos entretemos com a verdadeira palhaçada que é o caso Mateus, essa mesma Itália acaba de dar ao mundo uma demonstração (sem paralelo?) de rapidez e eficiência na aplicação da justiça. Ainda mais impressionante se tomarmos em conta que os envolvidos são apenas e só os mais poderosos e prestigiados clubes de futebol.
Dá vontade de rir pensar no que sucederia cá pelo luso burgo se, por exemplo, o Porto e o Benfica fossem condenados a descer de divisão ou a começar campeonatos com menos 10 ou 20 pontos que os restantes rivais. Atrevo-me a dizer que bem mais que todas as medidas de combate ao défice, bem mais que os ataques aos direitos adquiridos (supostamente para toda a eternidade, na mente de alguns...), uma situação dessas daria origem a um levantamento popular, ao estilo de um novo 25 de Abril.
10.7.06
O Mundial.
Acabou. De forma pouco coerente com a brilhante carreira que teve, o melhor jogador do mundo da última década despediu-se com uma cabeçada (aliás bem dada e também ela merecida), à moda do Cais de Sodré.
Quanto ao nosso mundial, cá ficam ao correr da pena algumas notas:
-Scolari mostrou que é de facto um motivador por excelência e um bom treinador de selecções. A boa performance merece ainda mais relevo porque foi conseguida com erros tão óbvios como a titularidade absoluta de Pauleta (quase sempre um jogador a menos tal como no Euro 04), a insistência jumenta em Postiga (um desastre) e em Costinha (a anos luz do que já foi capaz) em detrimento de Nuno Gomes e Petit, a opção de recurso em usar Ronaldo no meio literalmente apagando-o do jogo, a convocatória de Boa Morte (que terá sido seleccionado por saber boasanedotas, tocar viola e cantar de cor as músicas do Roberto Leal, isto tendo em conta o tempo de jogo que teve e a falta de jeito que tem). Acho que Scolari deve continuar porque os resultados assim o exigem e porque seria difícil neste momento alguém que não ele pegar com sucesso na selecção. Continuar seria uma prova de alguma coragem tendo em conta a inevitável renovação de valores que está aí ao virar da esquina.
-Ricardo, que no dia do Portugal-Inglaterra me pareceu o melhor jogador do mundo apesar da voz de miúdo a quem os huevos ainda não desceram e da mania de falar de si próprio na 3ª pessoa, Figo, que mesmo sem pernas para 90 minutos lutou o que pôde, Costinha, Pauleta e outros, que sugeriram várias vezes que criticar a selecção era igual a não quer que Portugal ganhásse, deviam lembrar-se que são apenas jogadores de futebol numa competição desportiva.Tal como todos os demais numa sociedade democrática (incluindo até o Presidente da República) também eles não têm um especial direito divino a pairar acima da crítica numqualquer limbo de unanimismo bacoco. Eu por mim dispenso bem pseudo-lições de patriotismo, que diga-se de passagem não se mede pelo número de bandeiras que se põem nas janelas ou pelo número de camisolas da selecção nacional de futebol que se compram no continente.
5.7.06

Esta 2ª feira, na Casa das Artes de Famalicão, vivi um dos melhores concertos da minha vida graças a estas 2 mulheres, Sierra e Bianca Casidy, aka Coco Rosie. Antes do início do espectáculo corria célere pela assistência o boato 3 em 1 de que: "elas são irmãs, elas são lésbicas, elas são um casal". A 1ª parte é verdade, a 2ª só elas sabem e só a elas interessa, a 3ª será naturalmente falsa.
Quanto ao concerto? peguem em 2 vozes completamente diferentes e ambas capazes de registos aparentemente impossíveis, misturem com sons de bonecos de crianças, pássaros (?), panelas (?) e outras merdas tais e polvilhem tudo com uma batida a meias entre a electrónica e os sons produzidos por um francês vestido à sítio do pica-pau amarelo e com uma performance 1/3 Ben Harper, 1/3 Bob Marley, 1/3 caixa de percussão. Para a noite ser perfeita só faltou aparecer o amigo Antony...Caso não achem esta minha explicação convincente saibam que os entendidos classificam a música delas como indie-folk-tronic (!!!). Como é bela a esquizofrenia...
P.S.- a parte onde se lê "corria célere pela assistência" está francamente exagerada. Era mais entre eu, a A. e outro amigo. É que eu às vezes precipito-me.
A 1ª escolha - parte II. Onde o autor discorre, com alguma dose de pedantismo, sobre livros.
Já fiz há tempos um top 5 de cd’s e de filmes, mas acabei por nunca conseguir organizar, dessa forma necessariamente simplista e redutora, o meu gosto pelos livros. É que tal como para as pessoas que connosco se cruzam na vida, também para determinados livros há um tempo certo, uma altura ideal para com eles entrar em contacto. Não sei dizer se neste momento teria algum prazer em ler por exemplo Os Capitães da Areia, de Jorge Amado, mas sei que quando tinha 13 ou 14 anos o devorei completamente naquilo que foram 2 longas noites, com lágrimas constantes e algo salgadas a caírem dos olhos para os cantos da boca, e com o meu irmão a dormir tranquilo na cama ao lado e a cidade e os seus poucos habitantes nocturnos de então, as putas, os clientes e os taxistas, do lado de fora. Lembro-me do gozo que me deu descobrir Eça de Queirós e os seus Maias, Carlos e Eduarda, o seu Padre Amaro e aquele seu fabuloso Raposão com a inenarrável relíquia para a titi. Nunca me esquecerei do frenesim quase infantil em que vivi mergulhado durante a leitura do Senhor dos Anéis ou da emoção contente que tirei do Velho que lia Romances de Amor e do seu fantástico episódio do dentista itinerante e do tipo que tirou todos os seus dentes sem anestesia por causa duma aposta com os amigos. Lembro-me também da descoberta de Mário Vargas Llosa na sua Festa do Chibo e do fabuloso Pantaleão com as suas visitadoras, o melhor chulo jamais contado. Não quero também deixar de mencionar, apesar do post já ir longo, quiçá até demasiado, Paul Auster, outro dos meus habituais escritores de mesinha de cabeceira e já agora Umberto Eco com quem aprendi o verdadeiro significado de Dominicanos.
Numa altura em que qualquer roto escreve um livro (não sei se é real mas parece-me que tudo começou quando a Caras Lindas, esse génio da literatura, lançou o Sandálias de Prata...) mas em que paradoxalmente as novas gerações cada vez lêem menos (não, os jornais desportivos e os sms's com língua de trapos não contam) eu, que de anos só conto 30, vejo-me compelido a fazer ainda e sempre esta figura de velho do restelo.
3.7.06
A 1ª escolha, ou pelo menos uma das...
Mas voltando ao início, que como se sabe é normalmente o lugar ideal para se começar, dizia eu que me marcou essa 1ª escolha, essa agradável sensação de estar sozinho numa loja repleta de gente, só eu e os 3 ou 4 contos que trazia nos bolsos das calças (que eram obviamente de ganga como está bom de ver depois de anos e anos em que só andava de calças de fato de treino). Era, a tal loja, cujo nome não recordo (Tubitek?) mas que morava na Praça D.Manuel I em pleno coração da baixa portuense, uma discoteca, saudosa recordação daquele longínquo passado em que as lojas só vendiam um tipo de artigo. A minha escolha na altura, na única oportunidade que tive, que qualquer um de nós tem para fazer a primeira escolha, recaiu sobre um fabuloso cd chamado "Morrison Hotel" daquela mítica banda the Doors. Quase 20 anos depois não deixa de ter algum significado que me lembre tão bem desse momento mas que não seja honestamente capaz de dizer qual foi o último cd que comprei, nem já agora quando isso aconteceu.
Entre amigos que sacam (belíssimo eufemismo) músicas da net e cd’s copiados directamente de originais que alguma avis rara tenha comprado, a minha motivação para gastar dinheiro nestes produtos é praticamente residual. É de facto difícil encarar a pirataria de cd’s, e já agora de DVD’s, como um crime a evitar, pela simplicidade do processo e porque toda a gente faz o mesmo (um pouco como acelerar quando o semáforo está amarelo).
continua...
29.6.06
Pork & Cheese...
- não bastou que o Porto de Mourinho (na altura também apelidado de equipa teatral) tivesse eliminado o Manchester,
- não bastou que o Benfica tenha despachado o então campeão europeu Liverpool,
- e finalmente não bastou que a nossa selecção lhes tenha tirado a tosse nos 2 últimos europeus,...não, tudo isto ainda não bastou.
Dói-lhes fundo na alma que os "pork & cheese" (nome pelo qual carinhosamente tratam os nossos emigrantes) se atrevam a bater o pé à toda poderosa Albion, pátria inventora do futebol. Juntando isto ao facto de que, como sempre, praticamente só os adeptos ingleses estão a criar problemas de segurança e a estragar o clima de convívio e festa neste mundial, é uma obrigação não apenas desportiva mas também de ordem moral que nós, humildes tugas, lhes carimbemos o passaporte de regresso à sua bonita ilha.
27.6.06
Pensamento do dia...
É um caso de escatologia cromática.
22.6.06
Para além dos nossos 2 golos e da substituição do Postiga...
-Quando a meio da 1ª parte o Maniche, numa jogada de contra ataque rápido, sofreu uma falta à entrada da grande área adversária e o repórter de campo da SIC, aquele poço de inteligência chamado Nuno Luz, diz que..."olhei olhos nos olhos com o Maniche e..."
-Quando o Tiago atirou por cima da baliza numa recarga a uma defesa do guarda-redes mexicano e Humberto Coelho, ex-seleccionador, actual comentador especializado e eterno jogador de golfe, disse que.."era difícil porque a bola estava desequilibrada".
20.6.06
19.6.06
A coisa promete
Não sei se imbuídos num espírito messiânico de promoção da tolerância, ou de igualdade entre géneros, ou por acharem (e bem) que o sexo vende, ou se finalmente por mera coincidência, mas a verdade é que os directores da mesma 2: nos vão agora dar a ver uma nova série sobre homossexualidade, agora feminina, ou seja sobre lesbianismo (termo que me dá um certo gozo usar, de uma forma infantil e quiçá até um bocado pacóvia, mas não deixa de ser verdade), e que dá pelo algo óbvio nome de: "the L word". Segundo o Público: “…as mulheres são lindas e sofisticadas…trabalham (pouco), namoram muito e passam a vida embrulhadas em cenas de sexo escaldante…”.
Se alguém se deu ao trabalho de criar uma série assim, eu amsa, digno e honrado portador de pénis e Ser carregado de testosterona, sinto-me na obrigação de ver pelo menos o 1º episódio, quanto mais não seja por cortesia.
É hoje, já depois dos meninos e meninas bem comportadas irem para a caminha.
17.6.06
As primeiras 2400 horas.
Mas voltando ao assunto, diga-se que o nosso Presidente se tem mantido basto activo. Já discursou, já vetou, já fez roteiros. Já criticou ministros mas também já os apoiou. Visitou tropas e até vestiu casaco camuflado. Tal como prometido manteve uma atitude positiva e cooperante com o Governo e com o seu alter ego José Sócrates. Evitou ser filmado a comer e reduziu para números bem mais razoáveis a distribuição de comendas, medalhas e grão-ordens disto e daquilo.
Em 100 dias, não está nada mal.
14.6.06
Desabafos
A mim, uma das situações que me começa a revoltar é que a facilidade com que estamos prontos a invocar direitos e reivindicar benesses não seja minimamente acompanhada por um grau mínimo de cumprimento de deveres.Tudo isto, este chorrilho de queixumes mal alinhavados, porque estou verdadeiramente farto de me cruzar com gente assim. Gente a quem a nossa depauperada (estará mesmo?) Segurança Social paga tratamentos médicos privados e que nem se dá ao trabalho de deles usufruir, gente a quem o Ministério da Saúde oferece consultas gratuitas (convencionadas com os privados) para os seus filhos e que é irresponsável ao ponto de não aparecer ou sequer telefonar a marcar consulta, gente que vai literalmente vivendo encostada ao rendimento social de inserção (RSI) e que se limita a fazer com a periodicidade mínima obrigatória um ou outro curso de formação ou requalificação profissional, não com o intuito de arranjar emprego mas sim de assegurar mais uns meses de subsídio estatal.
Há por ai um sem número de pessoas (cada vez mais?) que não só não merece os poucos apoios que o Estado vai dando como acaba por evitar que essas verbas cheguem a gente mais necessitada e infinitamente mais merecedora.
Ao ritmo a que vou ainda acabo daqui a uns meses a falar dos beneficiários do RSI (medida que sempre defendi) como “ciganos”, ou a fugir ao Fisco e à Segurança Social. E não duvido que também eu direi na altura que a culpa não é minha, mas sim do sistema que não funciona…
12.6.06
Diferenças
Mundial 2006- Scolari prefere contar com o contributo de um amigo padre que benze equipamentos e água, pelo telefone!
Até ver, o método Scolari resulta melhor.
9.6.06
Já depois da separação dos Beatles, Paul Mccartney e exma. esposa Linda foram até Nova York, a caminho de uma digressão no Japão, onde passaram algum tempo com John Lennon e exma. mulher Yoko Ono. Aí chegados, terão referido que durante a futura estadia em Tokyo iriam ficar alojados numa determinada suite de um determinado hotel (cujo nome confesso não ter fixado) que sabiam ser a suite preferida do casal Lennon-Yoko, ou Yoko-Lennon para ser mais cavalheiresco. No entanto, quando chegaram ao Japão foram imediatamente interceptados pela polícia que depois de descobrir 20 cigarros de erva nas malas, deteve Paul durante 10 dias e depois expulsou-o do país, estragando obviamente a tal digressão. Fica no ar a dúvida se terá sido Yoko Ono, preocupada com a eventual alteração do karma da sua suite favorita (já se sabe que o karma é uma coisa tão indefinida como instável), a denunciar o azarado casal à polícia japonesa. A verdade factual e indesmentível é que um dos agentes que foi ao aeroporto travar Linda e Paul era primo dela.
Dito isto, esta suposição pode não ser verdadeira, mas volto ao belo do ditado “porquê deixar a verdade estragar uma boa história?”. Pelo mesmo diapasão, deixo também para vossa análise a minha convicção, já velha de muitos anos e suportada apenas por uma boa dose de cinismo intuitivo, que a mesma Yoko Ono foi a cabra que acabou com os Beatles.
P.S.- para que não fiquem dúvidas esclareço que nunca gostei especialmente dos 4 de Liverpool, talvez porque lá por casa durante os meus anos de petiz sujeito ao gosto musical dos progenitores, outros valores cantavam mais alto: Leonard Cohen, Ellis Regina, Neil Diamond e principalmente Cat Stevens, hoje Yussuf Islam, ainda e sempre um dos meus favoritos.
7.6.06
...
Ponto 1 – 100% de acordo com a nova lei do tabaco. Aliás, confesso que me custa a entender o argumento da suposta “violação de direitos” dos fumadores, porque como não podia deixar de ser ninguém os impede de fumar. É uma escolha individual, mas que deve ser exercida sem prejudicar terceiros. Fumem nas varandas, à porta dos cafés, etc… mas não se achem no direito de impor a sua escolha aos que decidem em sentido contrário. É fundamentalismo? É o politicamente correcto? Até pode ser, mas tem toda a lógica como medida de civismo e acima de tudo como política de promoção da saúde pública.
Ponto 2 – já estarão carecas de saber que não gosto de Scolari nem suporto o Madaíl. Mas digam-me com sinceridade se alguém compreende a forma arrogante e mal-educada como a selecção de futebol, que deve representar o País lá fora e que tanta importância tem para os nossos imigrantes, os tem tratado. Desde o desdém na chegada ao aeroporto, à birra de acabar o treino mais cedo porque alguém no público não devolveu uma bola, até ao cúmulo de reduzir ao mínimo os treinos abertos ao público, multiplicam-se os exemplos de atitudes de prima-donas. Se a selecção só serve para jogar futebol, então serve para muito pouco, e não merece este folclore de bandeiras e cachecóis, que diga-se tresanda a patrioteirismo de pacotilha e encomenda.
Ponto 3- não surpreende, mas mesmo assim é difícil de aceitar a reacção de puro bota-abaixo dos sindicatos perante a proposta do Governo relativamente aos funcionários públicos a colocar no quadro de excedentários. Que um tipo possa estar sem fazer absolutamente nada, a receber 100% do salário original durante 2 meses, 85% (?) durante mais 10 meses, 66% durante 10 anos, etc... e que possa ainda por cima acumular isto com um outro emprego no sector privado é, no mínimo, muito generoso, especialmente se comparado com o que acontece a um trabalhador do sector privado quando perde o emprego. Haja termo de comparação e alguma vergonha.
2.6.06
Cada tiro cada melro, cada cavadela cada minhoca...
Enquanto isso num país à beira-mar plantado, dias depois de darem o seu contributo para evitar que uma coisa tão comezinha como o trabalho os viesse a impedir de ver jogar a sacrosanta selecção de futebol, os deputados do maior partido da oposição lançam uma proposta subscrita entre outros pelo seu inenarrável líder parlamentar, em que elegem como prioridade a criação de um Dia do Cão, para celebrar anualmente o melhor amigo do homem.
Fico honestamente na dúvida sobre qual destes animais será mais racional.
31.5.06
"Ripa na rapaqueca..."
O plenário? muda-se para o horário matinal. As comissões parlamentares? começam lá para o fim da tarde. Tudo porreiro que o que a malta quer é ver a bola. Acham que estou a exagerar? E se os dois primeiros jogos não fossem ao fim de semana? E se passarmos aos oitavos de final? E aos quartos? Porque não fechar a Assembleia durante o Mundial ou pelo menos mandar instalar Sporttv no bar ou mesmo no próprio hemiciclo?
30.5.06
O homem moderno?
26.5.06
Just say no
Tudo isto a propósito de um encontro de alto nível sobre SIDA/HIV, que se vai realizar na próxima semana nas Nações Unidas, para avaliar a evolução da situação desde a sessão especial da Assembleia Geral da ONU em 2001, sobre este mesmo tema.Ora, a preguiça leva-me a não perder tempo a procurar estatísticas que permitam pintar um quadro mais real da pandemia, mas acho que é seguro dizer-se que temos ido de mal a pior.Na África subsariana, tal como em alguns países asiáticos, o número de infectados não para de crescer. No mundo Ocidental, e apesar de impressionantes campanhas mediáticas de informação sobre a doença, não há uma alteração significativa de comportamentos de risco (como se comprova pela baixa taxa de utilização de preservativos) e pior ainda, começa a correr em sectores (felizmente minoritários) a noção da SIDA como simplesmente mais uma doença crónica com a qual se vive como se fosse uma diabetes ou uma hipertensão.Bom, mas voltando aos Bush, ficarão certamente tão impressionados como eu fiquei por saberem que a delegação dos EUA (47 elementos) vai ser liderada pela 1ª dama a Exma. D.Laura. Só com esta informação, qualquer pessoa poderia dizer que isto seria uma forma de dar relevância política e mediática a este encontro. Mas Laura não vai sózinha. Com ela na comitiva oficial estarão também notáveis especialistas no tema como a sua filha Barbara, mais versada em álcool e festanças, e uma amiga dela cujo única característica marcante é ser por sua vez filha de um amigo de George W. Mas ainda há mais. A marcar a ideologia conservadora dos Bush e a sua versão do que deve ser o combate a este flagelo, estarão vários elementos que defendem a educação para a promoção da abstinência como o único caminho a seguir, contrariando não só o senso comum e os especialistas no fenómeno como também a própria declaração da AG da ONU de 2001.
Não sei se quem virá a seguir será muito melhor, mas já não há pachorra para esta família.
notícia tirada de: the nation.
24.5.06
Cortar o cabelo
Em meados do corrente mês o inevitável aconteceu, leia-se que o crescimento da melena chegou ao ponto de se tornar incomodativa e ocasionalmente já me obrigar a fazer aquele gesto tão típico do Nuno Gomes de ajeitar a bela da madeixa atrás da bela da orelhinha. Assim sendo, lá me decidi a voltar novamente ao local do crime. Menos inquieto mas ainda não à vontade, eis que pela 2ª vez na vida entrei no dito estabelecimento que nesta ocasião estava quase vazio. Havia uma cabeleireira (a minha!, expressão que nunca pensei vir a usar), um funcionário encarregue da lavagem dos cabelos (o já referido T.), uma estagiária em formação e uma cliente. A cabeleireira estava à conversa com a cliente e quando me viu ao balcão chamou o T. para me atender, assim comprovando o célebre ditado de que ninguém foge ao seu destino, ou na tétrica versão da família G., quem tem de morrer de um tiro não morre de uma facada. Como se de um filme de série B se tratasse, eis que surge então o momento por todos já adivinhado (pelo menos por aqueles se deram ao trabalho de seguir a série desde início), em que iria ser posta à prova a viril masculinidade deste amigo que ora vos escreve, um criado ao vosso dispor.
Começámos logo à grande, visto que em resposta à dose extra de vigor e de desbragada testosterona que propositadamente coloquei na minha metade do aperto de mão, o T. respondeu com um estilo de mão morta, viscosa e mole, que me deixou na dúvida se a ideia seria apertá-la ou osculá-la. Bom, mas passemos à frente…Tal como temia, o passo seguinte foi a lavagem do cabelo. Enquanto a cadeira em que me sentei se reclinava e lentamente dava instruções às suas molas para que me começassem a massajar as costas, cumprindo deste modo os desígnios do seu criador, ocorreram-me de forma quase simultânea 2 pensamentos:
O primeiro - que tanto a A. como outras amigas mulheres já me tinham dito que Ah, o T. é fabuloso! Aquelas mãos, aquela massagem…é quase orgásmico…;
O segundo: - aquele episódio do Seinfeld em que o George (claramente a personagem mais interessante) andava angustiado com medo de ser um homossexual reprimido porque tinha ido a um massagista e sentiu movimento lá por baixo (acho que as palavras dele foram I think it moved).
Animado por estas ideias e contrariamente ao usual aumento do peristaltismo intestinal vulgo vontade de cagar, que normalmente me acompanha numa situação de grande stress, fui literalmente assaltado por um violento ataque de riso que consegui controlar fincando, sem remorso ou piedade, os dentes superiores no lábio inferior. Alheio ao drama que se desenrolava, o T. continuava o seu trabalho. Diga-se por ser verdade, e também porque eu posso ser parvo e ter a mania que até tenho piada mas na realidade não sou homofóbico, que o tipo sabe da poda e tem de facto umas boas mãos. Mesmo assim, e após mais ou menos 300 segundos que me pareceram uma eternidade, a lavagem/massagem capilar lá acabou e eu lá me levantei da cadeira. Posso anunciar com indisfarçável orgulho, extrema felicidade e evidente alívio que passei incólume por este momento de provação. Não houve nenhum tipo de movimento lá por baixo. Nada. Zero. Niente. Nem uma agulha buliu na quieta melancolia dos pinheiros do caminho. Mais uma vez peço que compreendam que a alegria sentida não tem nada de homofóbico, apesar do meu longo historial de cinismo gratuito para com o fenómeno do rabetismo galopante que vem assolando a nossa sociedade. A questão é que com 30 anos, casado, pai de família e com cada vez mais contas para pagar, confesso que não tenho nem vida nem paciência para descobrir que olha, olha, afinal sou gay. Não seria propriamente o fim do mundo, convenhamos que seria pior descobrir uma súbita vocação para padre ou uma vontade incontrolável de aderir ao PP, mas que iria dar uma carga de trabalhos lá isso iria.
Para finalizar acrescento que o corte de cabelo em si não merece que com ele se perca muito tempo, mas ainda assim não deixou de ter o seu quê de incomodativo. Nos idos tempos das idas ao barbeiro, um tipo ou naturalmente falava de futebol ou naturalmente estava calado, sem que passasse pela cabeça do cliente e do barbeiro sentirem-se incomodados com eventuais momentos de silêncio. Aqui não. A cabeleireira está firmemente convencida que é essencial para a qualidade do atendimento que não haja tempos mortos. É preciso falar. Sobre o tempo, sobre a família, sobre o que for, mas é forçoso que o cliente não se aborreça. Como não tive a lata de lhe dizer olhe lá, eu até agradeço a sua simpatia e tal e coisa mas o que gostava mesmo era que se calasse um bocadinho para eu poder ler o meu jornal, fui obrigado a levar com uma ensaboadela de 20 minutos de conversa de circunstância de sentido único, que fui interrompendo com os ai sim e os pois é que julguei essenciais para não fazer figura de mal criado. Contrariamente ao que alguns poderiam esperar, não há lugar nesta história para madeixas, extensões, brushings (?) ou frisanços de cabelo.
No fundo, ir ao estabelecimento é como ir ao barbeiro, só que com muito mais higiene.
De cabeça bem levantada e com as mãos naturalmente no prolongamento dos braços, por sua vez masculamente colocados ao lado do tronco, abri a porta e saí.
19.5.06
Cortar o cabelo
Entrei no dito cabeleireiro, que doravante designarei como o estabelecimento, que é um termo mais neutro e não mexe com a minha já de si debilitada e ferida masculinidade. Ora então, já dentro do estabelecimento, dei por mim dirigindo-me para o balcão de atendimento, como um touro para a lide que desconhece ou um inocente a assobiar para o cadafalso. Parei e olhei em volta. Para início de conversa tudo o que era expositores e estantes estavam cheios de produtos como rimels (?), batons, ceras depilantes, geles fixantes e outras merdices tais. Como se isto já não fosse suficiente o estabelecimento estava cheio de mulheres. Havia altas e baixas e magras e gordas. Havia adolescentes e mulheres em idade parideira e mulheres pós-menopaúsicas com cara de fãs do Júlio Iglésias. Havia uma criança, também ela do dito cujo sexo, que corria impaciente de um lado para o outro espalhando as suas barbies(?) ao deus dará. Havia uma noiva, santo deus. Mulheres a fazer madeixas, mulheres a fazer permanentes, mulheres na manicure, na secagem do cabelo e enroladas em papel de prata como se fossem um legume no frigorífico. Lia-se a Caras, a Vogue, a Nova Gente, as televisões estavam todas sintonizadas no canal Fashion. Falava-se de roupa, de cabelo, de estilos de cortes e de produtos capilares. Estavam todas a olhar para mim. Todas! Até mesmo as que estavam aparentemente de costas. Elas disfarçavam daquela forma que só as mulheres conseguem disfarçar, mas eu, marinheiro viajado no imprevisível e tormentoso oceano que é a psique feminina, sabia que era o foco das atenções. Mas de uma forma negativa, como se tivesse arrotado à mesa num jantar de gala ou dado um sonoro traque no meio duma qualquer aula.
Estranhamente, não parecia haver cabelos no chão. Não havia jornais desportivos, não se ouvia falar alto, ninguém discutia a arbitragem do jogo anterior, o próximo reforço ou o eventual despedimento do treinador. Até me ofereceram um café. Estabelecimento unisexo? Nem por sombras. Era eu contra o mundo. Bom, em abono da verdade era eu e o T. O T.! Como classificá-lo sem incorrer num excesso de homofobia? Metrosexual, mas daqueles que gosta de homens? Maneirento? Demasiado cheiroso e claramente sobre-penteado? Saiu do armário, saltou a vedação, virou boiola, emveadou? Bom, deixemos o T. tranquilo por algumas linhas. Ele voltará. Esta 1ª visita (sim, sim, é verdade que já lá voltei…) não terminou sem que antes me tivessem tirado uma foto. Sal na ferida, meus amigos, sal na ferida. Sorria, disse ela quando viu a minha cara de parvo a olhar para a máquina. Tentei, ou pelo menos tenho a vaga noção que os meus músculos se contraíram com essa intenção. Ela disse que tinha ficado muito bem. Não era preciso. Uma imagem vale mesmo muitas palavras, mesmo que não sejam mil, e afinal a máquina só apanha o que tem à frente.Como o difícil já estava feito, mergulhei de cabeça nesta nova experiência e dei o passo que me faltava. Comprei produtos! Um frasco de fortificante para aplicar de pipeta antes de deitar, vulgo estrume capilar, ao módico preço duma bela garrafa de vinho tinto e um champô ideal para o meu couro cabeludo. Suspirei fundo, cansado por este excesso de contacto com o meu lado feminino. De mãos nos bolsos e algo cabisbaixo, abri a porta do estabelecimento e saí. Cá fora estava sol.
(continua…)
17.5.06
Cortar o cabelo
Durante grande parte da minha vida cortei o cabelo no Salão Luso, uma barbearia só para machos que ficava lá perto de casa. Desde cedo me comecei a habituar a ir sozinho. Chegava, alapava o cú no sofá, escolhia o desportivo que estivesse disponível e mal abria uma vaga em qualquer um dos 3 tipos que lá trabalhavam lá ia eu. Quando me perguntavam e então jovem como vamos cortar? eu, pequenino e ladino, respondia sempre da mesma maneira: curto mas não demasiado. Durante os anos da adolescência e do acne juvenil tive vontade de rapar o cabelo como os tropas que ia vendo em esporádicas viagens de comboio ou enquanto andavam à cata das melhores prostitutas nas esquinas da zona, mas quando me sentava e abria a boca para dizer ao que ia saia-me o mesmo curto mas não demasiado de sempre. Já depois de sair da faculdade, homenzinho feito, casado de papel passado e tudo, quis o destino (e a minha mulher) que nos instalássemos noutra cidade, o que inevitavelmente contribuiu para me livrar do hábito/vício que era o Salão Luso. Assim sendo, numa atitude que teve tanto de coragem como de estupidez natural, pedi emprestado ao P. a sua máquina de cortar o cabelo. Confesso que ainda tive vontade de me auto-tosquiar, assinalando devidamente o meu capilar Grito do Ipiranga, mas acabei por ter juízo e pedi à A. que fizesse as honras. Aqui chegados, diga-se eufemisticamente falando que a coisa não correu bem. Inexperientes na difícil arte do manejo da dita roçadoura, nem eu nem a A. nos apercebemos que o corte estava a ser efectuado com a maquineta ao contrário, ou seja, sem as protecções e sem respeitar o tamanho desejado. O facto de imediatamente após o 1º contacto da máquina com o meu cabelo, a A. ter soltado um ai o que é que eu fiz? não augurava nada de bom e de facto, apenas 20 minutos depois e já com a entrada em cena da C., chamada qual 112 para tentar remediar o irremediável, eu tinha à minha frente no espelho da casa de banho um gajo com umas orelhas tipo dumbo e com uma semelhança gritante entre o tamanho da barba e do cabelo. Enfim, um ovo, um melão, um verdadeiro pêssego careca.
A verdade é que me habituei rapidamente ao novo estilo. Nunca estava despenteado, deixei de gastar dinheiro em champô e não havia caspa, piolho ou lêndea que me chegasse. Até que em Fevereiro do ano da graça de 2006 cedi finalmente a pressões de todos os quadrantes para que deixasse de me tosquiar e recorri pela primeira vez em 30 invernos (porque carga de água é que se há de dizer sempre primaveras?) a um cabeleireiro. Unisexo sim, mas cabeleireiro ainda assim. Engolindo em seco e ignorando aquela irritante vozinha, que todos os machos embebidos num espírito testosterónico ouvem, e que me dizia olha que isto é coisa de gajas ou de metrosexuais com dúvidas, olha que por este andar ainda acabas a cagar de esguelha…, lá fui cabisbaixo e de mãos nos bolsos.
(continua…)
Uma boa notícia
15.5.06
Ontem comi dobrada. Mas o fim-de-semana também teve partes indigestas.
Ponto 2- a não ida do Quaresma ao Mundial, a confirmar-se, é uma vergonha. Num ano em que foi o melhor jogador português do campeonato e em que surpreendeu ao tornar-se um verdadeiro jogador de equipa, só 3 ordens de razões podem justificar esta apesar de tudo previsível decisão de Scolari: 1- não vai porque é do Porto e já se percebeu que Scolari precisa/prefere viver em guerrilha; 2- não vai porque não interessa à Nike e a alguns empresários; 3- não vai porque nunca fez parte do "plantel" de Scolari e ele não quer introduzir alterações de última hora.
Eu, amsa, que nunca gostei do homem, aposto em parte na 1ª mas essencialmente na 3ª razão. Scolari escolheu desde cedo alguns jogadores, formou um grupo de fiéis e daí não sai. O que importa que Quim, Maniche e Hugo Viana praticamente não tenham jogado nos últimos meses? Que Figo e Simão estejam em má forma? Que Costinha nem sequer tenha clube desde Janeiro? Que Boa Morte nunca tenha feito um jogo de jeito pela selecção? Como acima de tudo quero que Portugal ganhe, espero que não importe nada, ou por outras palavras, espero que tal como em relação a Adriaanse seja eu a estar totalmente enganado.
P.S. - a inclusão de Ricardo Costa na lista, a confirmar-se, é quase ridícula e tresanda a justificação pífia do estilo estão a ver como eu até convoquei um jogador do FCP? Teria muito mais lógica ir buscar Pedro Emanuel (pela experiência e com a vantagem de ser também do FCP) ou Tonel pela boa temporada que fez.
12.5.06
Tugas no Hospital
Um outro senhor diz que lhe fizeram um "clister ao papo".
Uma senhora está deitada numa maca à espera que lhe seja feito um exame radiológico interno que involve a introdução dum cone, emissor de rx, pela vagina. O médico conversa com ela para lhe explicar o procedimento e diz-lhe para não se preocupar que vai colocar um preservativo. Ela interrompe-o prontamente: "ò dr. esteja à vontade que eu já fiz laqueação de trompas".
Como dizia outro dia o Folha Seca (que me contou as duas primeiras situações), só entendemos as coisas à luz do que conhecemos.
10.5.06
A Francesinha- uma declaração de amor
Qualquer pessoa que visite a Invicta, a minha cidade, a minha terra, as minhas gentes, não deve deixar de visitar Serralves, não pode perder a Casa da Música, a Foz e as suas esplanadas, a Ribeira e o Parque da Cidade, entre outras atracções mais ou menos turísticas.
Mas também não a pode abandonar sem experimentar os seus pratos mais típicos: as tripas à moda do Porto e a fabulosa francesinha, a nadar em molho e obrigatoriamente acompanhada por um ou mais finos bem gelados, de preferência sem camarões, ovos estrelados e outras merdas tais. Com o meu humilde saber de tripeiro comedor de francesinhas, deixo à vossa consideração aqueles que para mim são os 2 melhores locais para degustar a dita: o Capa Negra (na zona da Galiza) e o Bufete Fase (em Santa Catarina, com o seu balcão mínino e as suas 4 mesinhas).
8.5.06
Os novos guerrilheiros
Um caso típico de boa adaptação ao progresso e à globalização...
Resta-me esclarecer que não tenho nenhum tipo de simpatia pelas FARC e suas acções e que desconheço o contexto político-social vivido na Colômbia.
P.S.- Este post foi totalmente baseado numa notícia do Courrier Internacional.
Mais uma sugestão
Fica a sugestão, não o façam. Não há pretexto ou circunstâncias que o justifiquem. Nem os efeitos especiais nem sequer a Naomi Watts valem a banhada.
6.5.06
A paranóia continua
Hoje vi na RTP o Dr. Rio a denunciar um campanha orquestrada contra a sua pessoa e levada diariamente a cabo pelo JN. A notícia em questão é relativa à ligação Rui Rio- chefe de gabinete- PDM- Boavista Futebol Clube, que estará a ser alvo de investigação policial.Como é evidente não faço ideia quem tem razão, mas como o Público e o DN também publicaram a notícia podemos concluir que o polvo que pretende derrubar o Dr. Rio é formado por estes 3 jornais de referência do País.
O que me enerva ao ponto de me eriçar os pêlos (que como já disse várias vezes ainda para mais são muitos) é a postura de Rui Rio, um verdadeiro bastião de moral e rectidão nesse mar de lama e perversidade que é a cidade do Porto, isto a fazer fé nas teorias dele.
3.5.06

Estou muito longe de ser um melómano. Nem sequer tenho muito o hábito de assistir a concertos ao vivo. Mas influenciados pela paixão e pelo entusiasmo da minha cunhada H., eu e a A. (ou de forma mais cavalheiresca, a A. e eu) lá tirámos os rabos do sofá, deixámos o puto nos avós e fomos ver este grupo com nome de arma de assalto.
Para além das 2 ou 3 músicas que conhecia da rádio, não sabia bem o que esperar nem como catalogar o género musical. Para tentar evitar o post tipo lençol posso dizer-vos desde já que o concerto foi excelente e que, numa comparação necessariamente simplista, A Naifa está para o fado como os Gotan Project para o tango. Uma abordagem desempoeirada, com base electrónica, de poemas fora do comum, sussurados, falados e cantados por uma vocalista (Maria Antónia Mendes) que é um portento de voz e interpretação. Em relação aos restantes elementos do grupo, e confirmando as suspeitas que se foram avolumando ao longo do espectáculo, descobri no final que o baixista é o Aguardela, aquele tipo dos Sitiados (???) que parecia estar constantemente speedado, e o guitarra clássica é o Varatojo, o dos Despe e Siga (???), grupos não propriamente sinónimos de música de alta qualidade.
Ora, esta situação força-me a ponderar com mais cuidado a forma excessivamente crítica como olho para alguns performers da actualidade. Quem me pode garantir que daqui a alguns anos não estarei a assistir com gosto a um concerto do João Pedro Pais? Ou dos EZ' Special? Confesso que isto me inspira algum medo...
26.4.06
Presidente Cavaco
- o facto de ter ido sem um cravo na lapela é-me algo indiferente (apesar de achar que o devia ter usado).
- o facto de o discurso ter sido à Sampaio, cheio daquelas generalidades, apelos e boas intenções que normalmente não levam a nada, soube a pouco.
Será estratégia, tipo lobo em pele de cordeiro? Virou socialista? Ou será que depois de tanto alarido, Cavaco vai cair no formalismo discursivo e na irrelevância relativa do cargo de PR, que "vitimaram" Sampaio?
25.4.06
O animal. A frase.
A 2ª foi em resposta a um daqueles pobres repórteres que têm que cobrir a festa:
- então, a Srª. gostava do Adriaanse desde o início?
- eu gostava, mas nunca pensei que fossêmos ir ser campeões.
Eu também não.
Muito mais que treinadores, jogadores ou presidentes, viva o FCP, a minha única fé.



