15.3.06

Maus hábitos

Nos últimos tempos temos sido mediaticamente bombardeados com o "exemplo finlândes". Depois de anos a ouvir dizer que a Irlanda é que era, agora não há pato bravo com direito a microfone, espaço num jornal ou blog próprio (quak, quak...) que não venha discorrer sobre a Finlândia.
Ora eu, que de economia não percebo nada, duvido que a solução cá para o burgo se consiga nesta lógica de copy/paste, quanto mais não seja porque, e pararaseando os sucessivos governos dos últimos 20 anos, sofremos de uma dose enorme de "especificidade" que tem sido apontada como justificação para o nosso crónico atraso.
Especificamente falando, basta lembrar num raciocínio tipo lapalissiano que a principal e provavelmente inultrapassável diferença entre os 2 países é que enquanto a Finlândia tem a vantagem de ser habitada por finlandeses nós por cá temos que nos contentar com portugueses.
Deixando o orgulho patriótico de lado, convenhamos que trabalhamos menos, somos menos produtivos, mais dados à cunha e ao desenrascanço e temos uma mentalidade tão avessa à mudança como dada ao apego ao subsidiozinho.

Quando é que nos deixaremos de encantar com receitas supostamente mágicas de fortuna e sucesso rápido, nós, o país que mais joga no Euromilhões?

4 comentários:

Anónimo disse...

...quando houver o bom hábito de termos algum amor próprio?!

wolverine disse...

o próprio diz-te que amor próprio não lhe falta, tal como não lhe falta amor pelos seus.

Mas amor próprio e orgulho na pátria (como diria o teu amigo poeta Alegre) não pagam as contas nem resolvem nada por si só, ou achas que os grandes momentos de exaltação da alma lusitana como a Expo ou no Euro das bandeirinhas nas janelas mudaram alguma coisa?

Se é esse o sentido (ou pelo menos um deles) do teu comentário, concordo que andar sempre em busca de referências externas para resolver os nossos problemas não só não revela amor próprio como não nos tem servido de nada.

Anónimo disse...

Sem bater mais no cego, eu diria:
A culpa é do Nacional-Porreirismo.
O grande sonho de qualquer português é a popularidade. Dar-se bem com toda a gente. Gerir a "consenso" de modo a agradar a todos e no fim justificar os maus resultados com este fundamento.
Quando está a gerir a coisa pública distribui pelos amigos porque "não é ele que vai endireitar o mundo" e "toda a gente faz assim, pá!". Quando está no emprego racionaliza o mais que pode os seus direitos e deveres de modo a sair dali com a sensação que "para o que lhe pagam, muito fez!". Só quando gere o seu património é que tem algum cuidado, mas como é ignorante na maior parte dos empreendimentos em que se podia abalançar, fica eternamente à espera de "um negócio de oportunidade" que lhe dê sem esforço o valor que ele imaginou e que a maior parte das vezes está fora da realidade.
Assim,como habitualmente não é bom gestor dos bens públicos nem do seu próprio património e não é bom empregado, acredita que vai ser uma qualquer senhora de Fátima, CEE ou qualquer Segurança Social que lhe vai dar a mão se se deixar estar quieto... desde que seja
"uma boa pessoa"!

Anónimo disse...

Eu, que reclamei por não ver, durante alguns dias, matéria, neste local, para me exercitar os neurónios, não quero deixar de apresentar o meu ponto de vista, sobre tão candente tema.
Tive o privilégio de contactar, durante a minha vida profissional, com suecos, ingleses, canadianos, americanos, holandeses, franceses, sul-africanos, bolivianos, argelinos, alemães, espanhóis, romenos, brasileiros e, provavelmente com gente oriunda de outros países de que agora não me lembro. Nunca me senti inferiorizado perante eles. Sempre achei que, intrinsecamente, não há diferenças. As diferenças resultam de um princípio que, nos casos dos países mais civilizados, eles já conseguiram aplicar com mais frequência: "Comporta-te perante os outros como gostarias que estes se comportassem perante ti". Verdade e lealdade são essenciais para o desenvolvimento .
Não há verdade nem lealdade quando alguém aceita um cargo directivo, sabendo não estar preperado para o exercer!
Dá mais trabalho a procura de subterfúgios para se não cumprir determinada tarefa do que enfrentar o problema e atacá-lo com determinação. Não é pois verdade que se não trabalhe em Portugal. O que acontece é que muito do trabalho que se faz é mal planeado e deficientemente executado. Estou agora a lembrar-me do caso do metropollitano do Terreiro do Paço. Ma poderia enumerar numerosos outroa casos.
Os nossos males estão, pois, nos dirigentes, como já disse noutra ocasião. Soubéssemos nós escolhê-los e não aceitar qualquer Santana que se nos apresenta e não teríamos que ir aprender coisa alguma à Finlândia! Os fracos dirigentes fazem fraca a forte gente, como já dizia o poeta.
E há ainda o provérbio, que vai em português, porque não sei o equivalente, em Latim: "Fui à casa do vizinho e envergonhei-me; fui à minha casa e remediei-me", isto partindo do princípio de que ainda haja algum resto de vergonha em quem diz uma coisa e faz outra.